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De onde descem os cabelos que envolvem a noite

que subtraem imaginação às falhas do nosso Outono?

 

O espantalho que se ergue na tarde poeirenta anuncia

escrúpulos estilhaçando o tempo na parede

de vidro onde os cabelos se refletem devagar.

 

As ruas enchem-se de putrefação que embriaga a noite,

o vento manipula os filamentos que a música anuncia

desde a casa silenciosa, ordenando os solavancos do devir

plasmados nos dias sobressalentes do espelho inútil. Inútil

porque reflete o que já existe nos paramentos que a luz

enverga revelando a nudez dos ossos.

 

Continuam a atravessar a cortina que separa

a violência da claridade. A escuridão é apenas um sussurro

na convivência inexpressiva dos pássaros migrantes.

Uma viagem em redor da consciência moral das catedrais,

momento compósito num puzzle construído ao acaso,

uma viagem pela margem do todo inacabado, confronto

com a impossibilidade de abarcar a vida que emerge do caos.

 

Às vezes a solidão torna-se o tema específico das escrituras

 que comandam o lento fluir das partituras imbecis da multidão

oculta. É na aridez das sombras que os novos dragões

do templo parem os descendentes das criaturas que rasgaram

os códices do silêncio. Serão os nasciturnos do mundo novo,

os portadores dos cabelos malditos que descem ao abismo

sangrento, cabouco instável na estrutura brutal dos sonhos.

As linhas soltas que ocultam as palavras indicam os limites

para a imaginação tentacular do pesadelo estético e paranóico.

 

A loucura desenvolve-se na rede que autoriza a complexa

aparição dos cabelos sorvendo as raízes da noite.

 

M.G.    21-09-2011

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publicado às 22:38

on the road again

por vítor, em 28.08.09

 

Hoje estou por aqui.

 

Amanhã por terras de Gaudi.

 

 

 

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publicado às 00:45

uma distância entre afectos

por vítor, em 14.04.09

 

Era uma distância entre afectos que impressionava as sombrias dúvidas do seu cabelo,
o rastejar das mãos que rasgam o oculto das palavras.Era assim que os tempos se anunciavam como presentes em carne viva anunciando a revolução dos espezinhados,
o estertor dramático das lâminas rutilantes.

Era a impossível maresia ensimesmada, a emergente lama da eroticidade caduca camuflada no onanismo predador da televisão, convocando a caminhada processional e néscia para a travessia da paisagem sem figurantes.

Quando o tempo se estatelar na frieza dos olhares a viagem será percorrida na planície incompleta a loucura ostentará a simbologia das tempestades e os inquietos e famintos aprendizes do nada navegarão sem rumo à procura das metáforas carentes da liberdade.

Repleta de moribundos cairá a noite…

 

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publicado às 19:32

A Confusão dos Dias

por vítor, em 22.06.08

 

 

Para onde quer que olhe, a distância perde-se numa claridade infinita. Eu sou o centro do meu mundo como tu és,  como vós sois, o centro do teu (vossos). Na  intersecção das nossas vidas, na confusão das mentes enraizadas, nas realidades etéreas e voluptuosas, encontramos os dias impossíveis de acontecer. Os dias efémeros da levitação final.

 

Seremos sempre como a poeira que resta no fim das tempestades. 

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publicado às 17:19

Uma Viagem ao Contrário

por vítor, em 09.09.07
Há alguns anos que rumo, por volta da última semana de Agosto primeira de Setembro, ao Carvalhal, na costa alentejana. Viajo ao encontro de um velho amigo que aí passa, religiosamente, 15 dias de férias com os 3 filhos. Costumo viajar com os meus dois filhos ( que a minha mulher não está muito virada para viagens ao passado e, sobretudo, para os copos que a nostalgia impõe) e passar um ou dois dias de intenso convívio com passeios pela praia, grandes jantaradas e, com os miúdos já deitados, longas noites de copos e conversas profundas sobre amigos, o passado, o presente, o futuro, a Antropologia, mulheres e outras palermices que, sinuosamente, emergem do conforto anestesiante do álcool  e da generosa hidra da nostalgia.

Este ano os filhos, possuídos pela estupidificante espuma da adolescência, alegaram valores mais altos para não poder acompanhar esta romaria. Ainda lhes acenei com as magníficas bifanas do Cercal, degustadas o ano passado, mas foram implacáveis: tinham assuntos mais importantes a resolver na santa terrinha. Como tal vi-me impelido a caminhar sozinho rumo às areias da bacia sedimentar do Sado.

Subitamente um bichinho que em mim habita e que às vezes me canta e encanta com velhas canções de estrada e viagem, sussurrou-me  ao ouvido algo que me agradou de sobre maneira: a viagem solitária é a verdadeira forma de encontrar a alma. A aventura liberta e catapulta a criatura que sedimentou nos doces e pegajosos braços da classe média. A aventura é a vida. O caminho faz-se...

E assim peguei na minha velha Honda 400 e com um saco cama e uma pequena mochila com uma mudas de roupa, atirei-me à estrada. A velha máquina nipónica, desde o nascimento do meu primeiro filho (17 anos) mais habituada a longas estadias em garagens e armazéns do que ao ronronar no asfalto, não me merecia grande confiança. Se me avariasse no caminho estava decidido. Mandava-a por uma ribanceira abaixo e seguiria de táxi. Afinal, ao contrário que tinha acontecido em longas viagens no passado, a alternativa paga para continuar sem sobressaltos estava à distância da carteira ou do cartão magnético nos bolsos.

E como aventura é aventura, resolvi percorrer alguns lugares onde tinha vivido alguns dos melhores anos da minha vida de jovem inconsequente: Via do Infante, de Tavira a Lagos, subida pela costa vicentina com paragens em Aljezur, Odeceixe, Vila Nova de Mil Fontes, Malhão, Porto Côvo , Sines, Santo André (onde ainda vivi um ano) e Carvalhal. Para baixo optei por apanhar a estrada nº2   e reviver o passado nas curvas da serra do Caldeirão, que durante tanto tempo separou o Algarve do resto do país, e que conheci bem de inúmeras viagens à Cruz de Pau (Seixal) para onde tinha ido viver o meu irmão.

Nesta dorsal alentejana fiquei bem impressionado com o que vi. Aljustrel, Castro Verde e Almodôvar pareceram-me terras dinâmicas e com espaços públicos muito bem tratados. É claro que o tempo para um café ou uma mini com torresmos não é suficiente para tirar conclusões bem fundamentadas mas não me pareceu ver aqui um Alentejo  a agonizar. Também na Serra do Caldeirão vi terras lavradas sem pastos e sobreiros bem tratados. Talvez por isso o fogo não tenha andado por ali este Verão.

Escusado será dizer que cheguei a casa remoçado e cantando ao vento. Ainda por cima fui recebido como Ulisses vindo da mais aventurosa das Odisseias.

(deixo-vos alguma fotografias da odisseia)


O vento da costa alentejana é uma riqueza.

Amigos para sempre!

Palitos marroquinos nas bermas da estrada.

Minas de Aljustrel.

Nas longas estradas do Alentejo.


Capela Real em Castro Verde.

Cheirinho a Algarve ainda no Alentejo profundo...

O descanso da velha senhora...

Curvas da Serra do Caldeirão, as mesmas de sempre. Pura adrenalina sobre duas rodas. Não aconselhável...

Pra cá do Vascão mandam os que cá estão!

A melhor cortiça do mundo.

Guerra das estrelas no pico da Serra do Caldeirão.


O regresso de El Solitário.

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publicado às 00:41

Cavalo marinho na Ria Formosa

por vítor, em 10.06.07


Entrem meus amigos o "bateau ivre" está de volta.

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publicado às 00:40


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