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a cruz era de nada

por vítor, em 09.04.21

Não olhes para o céu. Os cravos rasgam-te as palmas das mãos

e o peito dos pés. A tiara de sangue solta lágrimas da cor do vinho.

Todos Te abandonaram. O firmamento de cobalto

abafa o choro das mulheres que abraçam

a base do madeiro que Te dá forma

e será o Teu merchandising daqui para a frente.

Nem pai, nem mãe! Que pai que é deus não é pai

de ninguém e mãe virgem nunca ninguém teve.

A tristeza invade-Te por todos os poros enquanto Jerusalém dorme

sem escrúpulos e os romanos bebem nas tabernas sórdidas da cidade velha.

No alto dos altos tudo observas e tudo vês. Tudo entendes

e entendes que estás só. As vozes dolentes que chegam

até Ti nada Te dizem sobre a dor dos outros

e os Teus amigos misturam-se na noite

e são tão estranhos como estes dois ladrões

que dormem nas cruzes que sangram. Nenhum sabe

o que trará a morte e qual será o primeiro

a abraçar as trevas do esquecimento.

As mulheres conversam sem propósito algum.

O seu sussurro não chega para surpreender

os que esperam o fim da noite. Ninguém

se preocupa com as excentricidades dos que desistem.

Daqueles que sabem, e nunca o disseram, que o fim não representa

o princípio do que foi iniciado, representa só, e isso está por provar,

o apodrecimento do que fora ilusão e meio sem linguagem

que se transmitisse para lá do fim. Da negritude que absorve

a luz primordial. A luz que tudo modela e ilude, e tudo

salienta, que mente com a potência de acreditar na verdade.

A crença no devir iluminado e circular que não tem fim.

O líquido que se esvai das feridas escarlates pinga

 na rocha salpicando as resistentes que esperam a Tua

descida da cruz. A vitória sobre os mentirosos que fingiram

acreditar nas Tuas profecias. Nos milagres oferecidos

 para acreditarem nas tuas palavras. Nas decisões impulsivas

e sem sentido da Tua caminhada. Para quê ressuscitar

 quem já tinha sido colhido pelas leis da vida? Para morrer duas vezes?

 Ou somente para Te elevares acima dos outros? Agora, que o tempo escasseia

ante a podridão da carne e a deposição dos teus pensamentos

nas mentes que os irão aspergir no futuro, ainda poderás

falar com os únicos que nada te pediram. Nem cobraram.

Que nunca Te mentiram fingindo que eras a Salvação.

Aqueles que Te insultaram à passagem. Te cuspiram

olhando-Te nos olhos. Vês como a noite se põe

como acontece a cada final dos dias e não há trovões

para celebrar a Tua morte, com disseram que houve quando

suspiraste pela derradeira vez. Fingiram!, como se tudo não

fosse uma imensa dramatização previamente encenada, acreditar

nos Teus devaneios imprudente e miseráveis. Nesse mundo mágico

e oco que se foi instalando na velha Palestina e nas terras dos cereais

e das velhas religiões da Mesopotâmia. E, como se não estivessem

 satisfeitos com a grande ilusão de Te ter criado e inventado,

e de Te ter disputado como carcaça aurífera, escreveram

o mais belo e mais inautêntico livro que a criação humana poderia

ter escrito. E a mentira medrou como erva daninha em campo

estrumado e húmido. Cresceu e multiplicou-se levando a palavra de um deus

 estúpido e irascível que, reafirmaram mais de mil vezes, era Teu pai.

Como se um pai pudesse deixar morrer um filho condenado

por ter espalhado as suas ideias insanas. Mais bem tratado, dizem,

foi o da sarça ardente, o recetor das tábuas que tudo iniciaram.

 Secou mares para o salvar dos faraós. E a Ti nem um gesto.

Uma palavra. Sangras até que a alma Te abandone e o corpo seja

atirado para debaixo do lajedo definitivo. Ainda dirão, sem vergonha alguma,

ou remorsos sequer, que ressuscitaste, que foi o pai que não tiveste a levantar a pedra

 e a tornar-Te leve com a um anjo para subires até ele. As intrujices nunca irão acabar.

A Tua vida não foi em vão como não é vã nenhuma vida. O vazio que deixa uma vida

jamais será preenchido por outra. Esse espaço sagrado, milagroso e autêntico,

irá ser ocupado pela música que todos os teus caminhos, os teus passos errantes,

deixam enquanto são percorridos ao sabor do acaso e da inimputabilidade.

Ninguém é responsável pelo que está inscrito na genética que não nos deixa

voar, que impede que um homem possa ser o leitor do seu próprio livro,

criador da estrada que o levará aos pântanos venenosos geradores das miragens

libertadoras do bem e do mal. Desse madeiro de cedro da Fenícia inspiras

os perfumes das gramíneas de Jerusalém. Embriagado na dor, e no vazio alucinante

dos sonhos, proferes palavras incompreensíveis e loucas. As Tuas últimas

palavras. Talvez as únicas verdadeiras que atiras no devir que as transporta.

Os Teus companheiros já não te acompanham e quando perdoas

Aos que Te condenaram e aqui te dependuram. Só já podes reparar

no ondular dos lábios das mulheres que Te acompanham.

 

Cativa – 3/4/2021

 

 

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publicado às 17:17

tempestade

por vítor, em 23.03.21
A tempestade é sempre a mesma, disse

O miúdo enquanto pescava um macaco

Do nariz arrebitado. Se assim fosse, como surgiria a bonança?

Questionou o triste e imprevisível capitão

Das naus pousadas no mar.

Os trovões ribombaram ecoando

Nas previsões dos videntes acocorados

Na espuma das tardes sem crepúsculo,

No abismo da noite inatingível.

A criança, que a interpretação dos sonhos regia,

olhou demoradamente a tempestade, a particularidade

de alguns elementos, e retorquiu, talvez

sem deixar transbordar a doçura das folhas das árvores.

Nada é mais impreciso do que pensar

Que a bonança vem no fim das tempestades,

A quietude participa do que de mais essencial

Prevalece nas indomáveis revoluções

Dos abismos entrópicos.

Mesmo quando a tua alegria não conhece

Os estilhaços da dor.

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publicado às 16:23

Façam-se trevas por agora

por vítor, em 03.02.21

IMG_20201027_174515.jpg

Talvez a morte nos traga a paz.

Talvez o que parece calma e pousio

Seja apenas uma tempestade passageira

Não sentida pelos outros.

- Eu sou um cadáver abandonado e triste,

Poderia ser o que depois da vida

Traz severidade no trato e frigidez

ao desprezível que pode emergir da sabedoria.

- Não me abandonem, que sou triste e renuncio à catástrofe

Dos dias de antanho, sinto ainda a alma

Presa aos ganchos aguçados da carne,

Do corpo devoluto, o palpitar insuportável

Que se anuncia sem clamor. Levem-me a ver o mar,

A esquecer o olhar sem brilho, sem vida

Da horizontalidade sem fim. Não me abandonem

À cova do devir. Eu serei a vida que se transforma

E ilumina as trevas.

 

Monte Gordo, 18/1/2021 (segundo ano da peste)

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publicado às 13:05

formosa

por vítor, em 16.08.20

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publicado às 16:26

parati

por vítor, em 16.08.20

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publicado às 16:23

Nos olhos do tubarão

por vítor, em 08.06.20

Retirei os olhos e coloquei-os
Sobre o parapeito da tua janela.
Com o corpo cambaleando, cego,
Entrei pelo mar adentro e
Nadei até perder o pé. Do
Parapeito da janela avistava-se
Um ponto boiando no azul
De chumbo, na boca hiante entre
O céu e o mar.
Quando abriste a janela e
Viste os meus olhos voltados
Ao mar, vimos os dois, da
Janela do teu quarto, um
Tubarão avançando ao meu
Encontro. Sem olhos, o meu corpo nada via. E nadava.
E o grito arrepiante que vibrou no
Ar da tarde que se iniciava
Nunca haveria de chegar ao
Nadador cego que planava nas
Profundezas de si mesmo. Fizera sim,
Tombar os meus olhos na
Areia morna da tarde de outono.
Foi então que a cena que a
Tarde geria se transformou bruscamente
Na peripécia estranha que os
Nossos olhos presenciaram:
O tubarão rodopiou três vezes
No ar que cobria a serenidade
Das águas e apontou
O nariz de lixa às areias sonolentas
Da praia, Chegado ao borbulhar da
Espuma das ondas, aspirou intensamente
O ar que cobria a praia e os meus olhos rolaram suavemente
Na direção da garganta profunda do seláquio.
A menina de tranças e peitos
Inchados que atravessava a praia
Numa corrida desenfreada chegou
Tarde e já não viu o animal
Que os olhos tinha engolido.
Eu também não o vejo, mas vislumbro o nada
Porque os meus olhos estão dentro do tubarão.
A escuridão que me rodeia afasta-me de ti e o mar é imenso.
Os peixes trarão o nosso estranho passado.

Monte Gordo – 8/6/2017

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publicado às 13:41

Demasiado Tarde

por vítor, em 29.04.20

Sabes? Só hoje, tarde, demasiado tarde,
compreendi que quando as sombras se sobrepõem
se tornam mais densas, mais escuras, mais sombras.
Se soubesse disso antes, talvez não tivesse esperado
tanto tempo para te dizer o que não sei bem expressar
e, no entanto, sei tão bem sentir: a inquietude das sombras
que projetas em mim, a opacidade das trevas sobrepostas,
a espessura dessa ausência de claridade, faz de mim
nada, uma figura sem contornos, perdida num mundo
selvaticamente nu onde navego sem ver por
que mares sulco nessa matéria negra que depositas
sobre os meus passos outrora cautelosos.
Se a densa sombra das sombras, das sombras
sedimentadas nos corpos receando a morte,
se alevanta e espreitarmos para lá do que a sombra
cobre na luz que os meus sonhos criam e inventam
emitindo coágulos de sangue para romper as sombras,
o peso das sombras justapostas sobre o meu ser inacabado e breve,
invisível e negro como as noites sem luar e opaco
como a sensibilidade das sombras, o meu corpo
resplandece sob a minha pele.
Se abrisse uma porta deixando entrar a luz do fora rasgando
a sombra do dentro,
como se o interior não fosse mais um oco sem fim, um vazio
pesando sobre o meu peito, um lugar nenhures de um plasma denso e doce
repartindo as emoções dos nossos antepassados num recipiente
sem fundo em que as memórias subissem por capilaridade
até afogar as sombras que te ocultam o pensamento,
na voragem dos dias, colapso de tempo que irradia e seduz
o fogo oprimido e devoluto, venenoso e vital, reparador
dos sinais que a sombra esmaga: uma a uma, na planície
infinita, terreiro dos rufares insanos dos tambores
ecoando nas cristas de cobalto das montanhas ausentes.
O nó que prende a tua alma ao meu desolado coração
não deixará verter uma lágrima,
uma cintilação no olhar
sequer, uma palavra que se aproprie das divindades
que navegam nos territórios inclementes e cruéis da solidão.
Da saudade irrepetível. Nos tempos dos finais sem fim.
Sabes? Hoje, tarde, demasiado cedo, compreendi as impossibilidades
de te voltar a encontrar nos socalcos esmagados das tuas sombras.
Que são também as sombras dos outros.

(acabado) 14/4/2020 (tempos de peste), Cativa

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publicado às 00:28

Trópicos

por vítor, em 21.02.20

O crocodilo nadou até à margem do rio lamacento e para ali se deixou estar abandonado ao sol. A floresta ondulava na suave brisa da tarde.

Um chapinhar, intenso, próximo fê-lo, a custo, abrir um olho. O outro, esse, geria o sono. Ali bem perto, em contraluz, uma manada de dezenas de gnus chegava-se à água prateada. Pardacenta. Nervosamente, a medo, iam entrando no rio e saciavam a sede que a severa seca da savana impunha. Alguns, descontraindo, banhavam-se demoradamente. Gozando a frescura das águas dolentes. Cá fora, o ar convulso abatia-se por sobre a paisagem desfocada da estação seca. Os cornos emergiam das águas lembrando espadas erguidas acima do clamor da batalha. Exibindo o poder das pontas. O poder dos frágeis. O bluff dos fracos.

Um olho refletia as sombras tremelicantes do cenário. Rolava abarcando o mundo à sua volta. O centro do mundo era aquele olhar sem pressa. A espera é a mãe de toda a sabedoria. “Quem espera sempre alcança”.

O vento soprava na direção da manada e o crocodilo escaldava de desejo, deixando-se enterrar prazenteiramente na lama morna da margem. No lodo vital que tudo acomoda: a vida e a morte: o sonho e a realidade.

E como tudo o que se aproxima da perfeição, e corre de acordo com o desejado, nunca é o que deveria ser, eis que, vindo do lado do vento, se anuncia, com grande algaraviada, de música e gargalhadas, um jipe desse de turistas de safari, carregado de gente jovem e despreocupada, atravessando a vida de forma sulfurosa e incônscia, se aproxima do rio.

Os gnus rapidamente se libertam das águas lamacentas e partem em correria louca e desordenada, sob os disparos incessantes das câmaras dos telemóveis. Disparos inofensivos que registam e congelam os animais em cartões minúsculos. A alegria de uns. Sobrepõe-se ao medo dos outros. A tristeza não é o antónimo de alegria. Existe, no fundo das almas carentes, uma alegria intensa que se alimenta da sua própria tristeza.

- água, disse um.

- água, repetiram outros.

O condutor da viatura, na sombra de um velho imbondeiro, gozando o corpo dos banhistas seminus. No conforto da distância.

Um olho, que refletia a tarde tiritante do cenário, deslizou pela lama esponjosa até ao fundo do rio.

Na tarde tudo se anunciava. Nada do que teria sido, foi; e a vida seria sempre o que fora. Na impossibilidade de se viver outra vez.

 

Monte Gordo, 20/02/2020

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publicado às 15:13

Y2 - Palavras para pintura (ppp)

por vítor, em 18.12.19

Sabes? As minhas mãos percorrem as tuas coxas como autómatos cegos. Sobem ao encontro dos húmidos e escaldantes precipícios que se erguem para lá da memória, como se guiados por fios invisíveis de desejo e vertigem. Mergulham como pássaros enlouquecidos, como títeres vagabundos navegando na volúpia da pele, na fragrância das carnes ocultas. Os dedos desesperam. Ocultam-se para lá da penugem que cresce nos vales profundos do corpo. Tudo geme e estremece. E grita na noite sem fim. Nos confins da memória, uma névoa difusa ergue-se envolvendo os socalcos que me foram revelados por deuses desavindos. Não sei se vá para longe, se me enrole em ti. O passado já não existe, se é que existiu mesmo, com a mesma claridade dos dias em que te conheci. Não me consigo lembrar do teu sorriso de outrora. Da tua irresponsável tristeza galopando em gargalhadas indomáveis. O nada vestindo a raiva do desejo. O nada encantando o estertor do encontro brutal dos corpos. Camuflando o que restou depois da tempestade.
Sabes? Se as minhas mãos respondessem aos pensamentos, poderíamos encontrar um caminho mais justo. Mais fácil de percorrer nas noites sombrias do tempo que se anuncia. Do tempo que se esgota quando o amor nos transporta.
As minhas mãos regressam e aquilo que resiste soçobra sedimentando na pradaria coberta de escamas purulentas. Enfim livre, carregando a culpa de não te ter.

Monte Gordo, 17/12/2019

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publicado às 15:41


Quando vens até mim transportando as tuas incertezas no regaço da dor. Quando chegas sem remorso algum em relação aos tempos comoventes da nossa solidão repartida. Quando o vento me diz o que não quero saber, e nunca soube, as confusões construídas por mal-entendidos jamais esclarecidos sobrepõem-se a tudo o que algumas vezes sonháramos.
Não há nas densas sombras das noites um sequer riso que nos descongele as emoções, as impossibilidades de compreender o outro, enfim, os reflexos inertes da esperança por explicar. Desenhos numa face rasgada por cicatrizes voláteis, riscando o futuro como palavras brutais que penetram a música censurada, liberta no éter, atravessando as bocas unidas num coro que vomita acordes fedendo a absinto. Lembramos os tempos já amortalhados na memória abandonada pela voragem incontinente dos mirones que nos acompanham no caminho. Que nos resgatam da carne imagens vazias de antanho. Eu não sou o que fora nos teus braços; a amplitude oblíqua, brusca, do rasgar da pele, do convívio insano da carne, da espiritualidade desconcertante dos ossos, do ainda impossível tráfico das vísceras, rejeita quaisquer sentimentos eruptivos da filogénese que comanda as artes vitais. Do amor. Sem açaime, os órgãos dispõem-se na estrada como animais selvagens colapsando sem rede. Rastejando por entre cardos e pedras latejantes. O caminho estará vedado a quem não acompanha o vil uivar das comadres patrocinadas por empresários bem-intencionados. O uivo das almas de quem não chega a lado nenhum, e inspira os dejetos acantonados no imaginário dos imbecis.
Quando as nossas mãos procuram a lentidão dos gritos esventrados e manipulam ostensivamente o pulsar das criaturas e dos venenos que as encorpam, somos só uma alucinação no clamor da luz que substitui o tempo oculto. O tempo sem fim repetindo a dor que parimos juntos.

Monte Gordo, 17/12/2019

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publicado às 15:38


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