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uma casa em beirute

por vítor, em 08.08.11

 

Sylvia Beirute é um mistério. E os mistérios aspiram as pessoas, fazem-nas procurar o sentido das coisas.Se as coisas têm sentido e encaixam no racional que tudo reduz ao palpável e indistinto. Desde que conheci o primeiro poema de Sylvia que a sigo, digamos, religiosamente. Religiosamente no sentido (outra vez) de "religare". Conheço gente ligada à escrita que também se agarrou a esta forma de dizer, que entrou no labirinto à procura. À procura de Sylvia: da criadora, porque a criatura é-nos servida, pelo menos em parte, na casa em Beirute. O meu amigo Luís Serguilha até me contou que alguém lhe tinha contado que alguém lhe tinha contado (o mistério, sempre o numinoso mistério) que Sylvia não era Sylvia. Era um homem. E revelou-me, o que lhe tinham contado, depois de ser contado e recontado, o nome de dois possíveis carregadores da suposta poetisa. Conheço os dois e já os inquiri (verbo duro, mas foi com dureza que os interpelei), mas nada. Não sabem quem é. Um deles conta que já a viu e já se mailou com ela e garante-me que se trata mesmo de uma mulher.

Pois bem, o meu sócio Fernando Esteves Pinto conseguiu trazer a poetisa para as 4águas e publicar um seu primeiro livro." uma prática para desconserto" com uma capa belíssima. Para além de ser proprietário em 50% da referida editora, ainda acumulo com o pomposo título de "director editorial" da obra. O que me honra duplamente.

Anseio por conhecer tão misteriosa criadora...

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publicado às 18:29

o tempo que falta

por vítor, em 14.05.11

 

Fernando Esteves Pinto, depois do lançamento do romance "Brutal", em grande com um novo livro de poesia. A capa é linda, espero ansiosamente tê-lo nas mãos. O meu amigo e sócio é já o escritor do ano de 2011 em Portugal. E o ano ainda só vai a meio...

 

Texto escrito semi automaticamente sobre a poesia de FEP:

 

Fernando Esteves Pinto, uma arqueologia do sonho

 

A poesia de Fernando Esteves Pinto inquieta. Inquieta porque desce (sobe?) até aos socalcos mais profundos do inconsciente, revolvendo os sedimentos há muito estabilizados. A poeira densa que se levanta, mete medo. Os destroços fundacionais emergem quando a poeira turva assenta nas depressões matriciais. O espectáculo desocultado não é agradável a quem o presencia. Especialmente para o ente escalavrado pelas palavras que metralham a carne e violam a mente. A inquietude não constitui um fim em si. O desmoronar dos blocos constituintes do velho edifício, montados de fora para dentro, representam um desafio para o leitor que, assim, pode, a partir da sua nudez revelada, edificar uma nova construção mais ajustada à alma e ao corpo. O Fernando é um arqueólogo da alma, um cavador de pessoas, mas também um arquitecto da carne.

Quem lê e acompanha o evoluir da sua obra poética apaixona-se por esta dialéctica da desconstrução/construção, por estas vertentes aparentemente contraditórias: medo e desejo, caos e cosmos. Um perigo contínuo e magnético que convida o leitor a uma dança de máscaras onde cada um dos dançarinos se oculta por detrás da máscara de outro, não reconhecendo os limites que separam as identidades difusas que evoluem no soalho da vida.

“Para que uma coisa permaneça, aplica-se com ferro em brasa. Só fica na memória o que não pára de doer”, diz Nietzshe, na sua obra Para a Genealogia da Moral. Fernando Esteves Pinto escreve penetrando e desvendando a genealogia da libido enquanto contenda natureza/cultura. A natureza pouco aparece na obra do autor: antes constitui uma meta linguagem que se entranha nas vísceras entreabrindo, apenas, portas – às vezes janelas – por onde se escapam instintos que inviabilizam o conforto das certezas. É dessa substância  que encontramos numa passagem fabulosa no seu livro Ensaio Entre Portas: “”A porta da rua tem um sentido particular, ofuscante. É/ uma tampa indispensável que cai sobre as nossas costas/quando saímos ou entramos em casa. É um sinal de/interdição”. Tudo o que pretendi dizer até aqui, em quatro versos.

A arqueologia internalista (passe a redundância) transforma a vida em sonho, o que não significa que é menos real por isso. Fernando Esteves Pinto arremessa o leitor para um espaço inóspito, numinoso e ígneo, entre as sombras e a luz. Mas quem o lê terá à sua disposição uma escada para sair da caverna. Sair ou restar, será sempre uma escolha do leitor…

 

Conceição, 13 de Maio de 2011

 

 

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publicado às 16:55

novidades sulscrito

por vítor, em 25.06.10

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publicado às 01:37

os animais da cabeça (cena II)

por vítor, em 16.02.09

 

 

Trabalho gráfico e audiovisual de Adão Contreiras, um dos algarvios que o ALLgarve censura por omissão.

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publicado às 21:57

os animais da cabeça (cena I)

por vítor, em 15.02.09

 

 

 

 

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publicado às 23:12


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