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Os políticos são dos cidadãos dos países democráticos os menos corruptos. Isto deve-se à permanente observação a que estão sujeitos em todos os aspectos da sua vida. Os jornalistas andam em cima deles (dependem deles e vêem em todo o lado Watergates que cantam), os juízes deliram com uma presa do outro poder, o cidadão comum espuma de prazer com o arrastar na lama de um dos que elege (por ação ou omissão), As escutas não os deixam dizer um palavrão, ao telefone, no café, na sauna, no futebol, sem que eles apareçam no dia seguinte na televisão ou na capa dos jornais pondo em causa a sua  integridade moral (lembram-se do desabafo de  Ferro Rodrigues ao telefone "cago no segredo de justiça" o ter tornado um perigoso abusador do 3º poder?). Também, diga-se de passagem, são dos mais tentados por todo o tipo de poderes paralelos, uma vez que das suas decisões depende muita circulação de dinheiro e mordomias.

Numa sociedade que se torna cada vez mais inquisitorial e em que a queda dos "grandes" representa uma das mais apetecidas e mediáticas estórias, os políticos viraram as hodiernas vítimas do fogo do santo ofício.

 

Ai de um político que compre um preservativo sem pedir factura...

 

(Meus amigos, batam à vontade, o pescoço está à vossa disposição para o uso sem limites da guilhotina.)

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publicado às 08:52

Portugal é um país pequeno. Pequeno em área física. Hoje, e cada vez mais, Portugal confina-se à cidade de Lisboa. O resto do país só aparece pelo sórdido: uma ponte que cai em Entre-os-Rios, uma criança que desaparece no Algarve, um apito dourado no Porto, uma casa de regabofe pedófilo em Elvas.

Lisboa é uma cidade pequena. Todos se conhecem. Na cidade existem duas castas bem distintas. As elites, vivendo nos mesmos espaços e movendo-se nas mesmas "instalações" e os, digamos, "deserdados da sorte", vivendo nos arrabaldes da "não inscrição" e entorpecidos pelas novelas e concursos de televisão. Cada vez mais separados no espaço e no ser. Os condomínios fechados, para as elites culturais e políticas e os bairros difíceis (na verdade também fechados) para  o lúmpen indiviso da multidão anónima.

 

Como ia dizendo, Lisboa é uma cidade pequena onde todos se conhecem. Todos os conhecidos como é óbvio porque os que não aparecem na tv não só não existem como ninguém os conhece. Sendo claro que hoje a existência não é, ela só, pressuposto de conhecimento. Ou seja, pode-se ser conhecido, e bem conhecido, sem nunca ter tido uma existência real. Basta pensar no Harry Potter ou no Sr(?) Klark Kent.

Como uma escola americana de Antropologia de meados do século XX, estudando pequenas comunidades rurais da Andaluzia, mostrou, onde os vizinhos todos pertencem a um “nós” coeso e próximo em interesses e objectivos, existe um patamar de realização para o “eu” que estes cientistas sociais entenderam apelidar de “limited good”. Se ultrapassas este tecto usaste certamente ferramentas ilícitas, do ponto de vista moral e real. Exemplifiquemos: se tens muito sucesso com mulheres, usaste filtros, pós, magias, chantagens misteriosas não correctos e inaceitáveis  contrariando o livre arbítrio das conquistadas; se tens sucesso com o dinheiro, é porque traficas drogas e outros produtos afins; se falas muito e bem, só nada podes dizer. Os bens ao dispor da comunidade são finitos e o seu acesso nivelado por baixo. Se o nivelamento fosse por cima corria-se o risco da sua escassez.

Ora em Lisboa o “limited good” é imposto de forma implacável. Os ódios são mortais entre  os portentosos contendores na escalada social. Utilizam-se as mais inimagináveis, criativas e mortíferas armas. Nos estreitos palcos da contenda os truques sujos são aplicados sem remorsos e de forma maquiavélica. Quando ouvimos, o que é frequente nos nossos dias, falar de cabalas, conjuras e ajustes de conta, não estamos a usar da metáfora como meio de expressão. Estamos a ouvir os relatos de uma luta intestina incessante e, muitas vezes, com um fim irreversível e dramático. A lama. A mais baixa das mais baixas castas. A lama moral de onde mais não se pode sair até ao fim dos tempos.

 

E, para não me alongar mais do que já estiquei neste modesto post, assim vai este lindo Portugal. Perdão esta “bem cheirosa” cidade de Lisboa.


(post repetido)

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publicado às 14:49


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