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Criador e Criatura

por vítor, em 11.03.08


A vida, não faz sentido sem a morte. Paradoxalmente tudo fazemos para fugir a esta última. Uns escolheram o embuste já há muito traçado: a religião. Enganam a si próprios crendo numa vida eterna e bem melhor do que a sacrificada que levam, para além dela. Virgens e outros petiscos assombrosos os esperam pós-morte . E quantos crimes se cometem procurando uma passagem rápida para este mundo sensacional sem sensações. Sem sensações porque sem o bem não existe o mal. Num mundo paradisíaco não há festa, nem rito, nem mito. sem rupturas persiste a morte. A vida no "céu" é, assim, a confirmação da morte. Outros tentam, desesperadamente, sobreviver através das suas criaturas. se as criaturas têm memórias (são vidas), pode-se prolongar a vida depois da morte. Familiares, amigos, inimigos e simples conhecidos transportam-nos mesmo depois dos bichos terem começado o seu trabalho após o último suspiro. Mas estas criações efémeras depressa nos seguem no caminho sem retorno e com elas morremos outras vezes. Mais uma vez a morte nos é favorável: quantas mais vezes morrermos mais tempo persistimos vivos. Finalmente os desafiadores da morte que através da criação artística pensam livrar-se da velha senhora. Estes crêem que as suas criações serão o garante da sobrevivência histórica. Quanto maior a criação, maior (e melhor, diria eu) será a viagem pelos labirintos da existência. Fecha-se o círculo. A arte imita a religião. O eterno encerra-se no fim. A criação e o criador, o grande criador, frente a frente nos confins da planície eterna. No vazio estéril da unicidade. No retorno (eterno) ao tempo antes da vida. No regresso ao aconchego da não existência. A criatura autonomiza-se e rejeita o criador no momento da "ultima cinzelada". Seguem caminhos diferentes e por vezes antagonizam-se e anulam-se. A sobrevivência da criatura não transporta a imortalidade do criador. Nem mesmo quando a criatura se torna num mundo dentro do mundo e se impõe como parte da história da humanidade. O artefacto artístico, aliás, não existe em si. É apenas um feixe de sensações na psique dos que os apreciam. Uma miríade de complexos que os sentidos peneiram e revolvem até ao destino final, mas não último dos vivos. Quando ouço as sinfonias da Beethoven, não reconheço nelas um velhinho surdo e triste . Quando admiro os "Girassóis" de Gog , nunca me sinto transportado à húmida e sombria juventude do seu criador, nós férteis polders dos Países Baixos, quando me envolvo nas palavras proféticas de Pessoa, não vejo um ser andrógino esgazeado pelos vapores do álcool. Ao contrário de Camões, não entendo a arte e a glória como uma forma de libertação da morte. Penso na vida mais como um "filósofo politicamente incorrecto ": " Cago na imortalidade sem corpo"!

(texto meu que agradavelmente encontrei num blogue brasileiro e que acho interessante repostar)

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publicado às 22:25

O patriarca e eu

por vítor, em 26.12.07



O Cardeal Patriarca de Lisboa D. José da Cruz Policarpo declarou, na sua homilia, que o "maior problema da humanidade é a negação de Deus". E insistiu que "todas as expressões de ateísmo,  todas as formas de negação ou esquecimento de Deus continuam a ser o maior drama da humanidade..."


 

Não me sabia tão perigoso para com a humanidade e o mundo! Ingenuamente pensei que problemas reais e muito preocupantes seriam os homens que se fazem explodir no meio de outros homens em nome de deus, as instituições religiosas que recusam o uso das camisinhas que poderiam impedir o alastramento da sida e outras coisitas do género.


 

Afinal a propagação do mal está em mim e noutros não crentes como eu. Ou será que o homem  tinha abusado do sangue de Cristo?



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publicado às 23:36

E o homem criou os deuses

por vítor, em 23.10.07

 

 

 

O homem criou deus ao longo de milénios. A obra é o que é. O homem o fez o homem o fará desaparecer. Perecerão juntos... e parece-me que, como sempre, a desconstrução  será mais rápida do que a construção. Muito mais rápida...

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publicado às 16:46

O homem não leu a Concordata?

por vítor, em 13.09.07


Com um primeiro assim tão crente não admira que o país se salve. Já Paulo Portas nos salvou do naufrágio do Prestige com a nossa senhora de Fátima. É de políticos assim que a malta precisa. E depois discutimos tanto o véu da primeira dama da Turquia.

PS: Até a mulher que mais odeio no momento se portou muito melhor. O ar de beata ninguém lho tira mas ao menos é discreta...

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publicado às 00:19

Sua Eminência a RTP

por vítor, em 07.03.07
São estes espectáculos deprimentes que nos impedem de dar lições aos ayatholas do Irão. A RTP, televisão pública, paga por todos nós, cristãos (de várias sensibilidades), muçulmanos, judeus, hindus, budistas, sikhs , taoístas , agnósticos, ateus e outros, desrespeitou o serviço público com a aspersão benta do cardeal patriarca de Lisboa. A independência, tão apregoada, arrojada ao chão numa inauguração que se pretendia apoteótica.

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publicado às 20:57


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