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Minhas mãos sozinhas

por vítor, em 16.08.12

 

Um poema de Rui Dias Simão

 

 

Monólogos de Bartolomeu Dias

               na morte de sua esposa

 

1-      Criação:  vivem pelas arqueologias do silêncio

                 reunidos durante as cálidas insinuações

                 do fogo sobre a pedra

 

2-      Orgasmo:  palavras marmóreas aéreas descem

                    à fixidez do vermelho

 

 

 

3-      Morte:  sibilina modorra desprende a língua do fruto

               nas mutações da chuva o rio engorda

               um objecto cortante arde-me frio nos dedos

 

               sei a pulsação do sangue

               digo logo para mim essa nuvem

               rebente profusa em teu nobre peito

 

4-      Solidão:  a solidão transporta o resto para

                a penumbra dos esgotos

                

               única musiqueta de todas as maneiras

                intransponível

                faca

 

                aparecem na babugem os peixes mortos

                até isso me vem parar

                às minhas mãos sozinhas         

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publicado às 22:45

Belas e Perigosas

por vítor, em 24.01.09

 

A semana passada passei uma tarde a podar a minha buganvília vermelha. No Verão dá uma sombra refrescante e acolhedora mas no Inverno não deixa entrar o Sol pelas janelas e mantém o quintal húmido todo o tempo. Estava tão grande que parecia querer engolir a casa. É um trabalho terrivelmente perigoso porque a planta tem uns espinhos enormes, duros e pontiagudos. As minhas queridas mãozinhas que o digam. Saem sempre a sangrar desta tarefa. Mesmo sabendo que é uma tarefa necessária, tenho sempre pena de a fazer. Esta é uma buganvília que dá flor todo o ano e, mesmo não estando tão linda como no Verão, o desaparecimento das suas belas flores escarlates, parte-me o coração. Compensa-me saber que quando chegar a Primavera ela irá rebentar remoçada.

 

Hoje continuei com as podas. Novamente à volta de espinhosas e perigosas: as roseiras. 11 roseiras podadas e mais uma vez as mãos rasgadas. Desta vez não havia flores. Dormiam neste Inverno que vai longo. Daqui a dois meses embriagarão os ares com o seu cheiro e as suas cores. Vermelhas, rosas, amarelas, púrpuras. O trabalho será recompensado.

 

Um dia destes será o trabalho mais perigoso. Cortar as folhas das palmeiras. Deste tenho amargas recordações. Espetei um ponta de folha no peito do pé e fiquei com dores horríveis e dificuldades em andar durante dois meses. Até tive que usar uma velha bengala para me ajudar a caminhar. Entretanto fui ouvindo as mais diversas histórias sobre infecções, amputações, paralisias e outras homilias que me iam rezando amigos e conhecidos. As coisas recompuseram-se e hoje não há sequelas de tão grande susto. Com bicos de palmeira todo o cuidado é pouco,  mas terei que o fazer.

 

Para falar de coisas mais doces e ternas: a minha horta vai linda. Salsa, rabanetes (sempre rabanetes), courgetes, espinafres, alfaces, morangos e quejandos enchem os olhos de quem os vê.

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publicado às 22:03


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