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Alforrecas e moelas

por vítor, em 15.08.22

 



Tinhas perguntado sobre o porquê das alforrecas aparecerem mortas nas praias, e eu, sem saber como responder, retorqui cinicamente, talvez até maliciosamente, que era o sinal do seu fracasso, a desistência de continuar: enfim a aceitação do que o fim determina. E então porque continuam a provocar comichões várias nos incautos caminhantes nas espumas da maresia? Não será isso um sinal de resistência à morte. Diria, que de alforrecas, tenho que ser sincero, pelo menos comigo mesmo, nada percebo ou entendo, o que qualquer leigo poderia dizer sobre assuntos transcendentes e etéreos: nada do que me fascina me espanta. O gozo torna-se sempre mais cortante, coerente, diriam alguns, e até, digo-o com alguma legitimidade, mais íntimo quando desconhecemos o caminho que trilhou até nos atingir. Se for à traição, melhor!

O tempo, que estava quente, passava dolente. Nas entranhas dos pássaros acoitavam-se grãos de sabedoria indeterminada. As moelas nunca paravam. Eternas enquanto os corpos se dispunham a continuar.

Demos as mãos e fomos pela praia fora indiferentes ao destino das gelatinosas criaturas que iluminavam a babuja. Todavia, evitando a sua indesejável adjacência.



Pisa, 1 de agosto de 2022

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publicado às 15:54


Ali era a casa da tua bisavó. Aquela de riscas azuis e caiada de branco.



Esta tua bisavó, que ali vivia, tinha três filhas: lindas e cobiçadas.

Eram três as irmãs: a Belinda, a mais velha; a Amélia,

A tua bisavó; e a Josefina. A Josefina tinha

Menos dezoitos anos do que a Amélia, que tinha

menos um que a Belinda. A tua bisavó Amélia era a mãe da tua avó Amélia que era

Mãe do teu pai. A tua avó Amélia foi a pessoa

Que o teu pai mais amou: um amor que tudo superava (e eu amuado).

Foi nesta casa que eu conheci o teu pai para o passar a amar

Até ao final dos tempos. A tua bisavó Amélia era minha prima.

Prima segunda. Primeira, era do meu pai. O teu avô João de Deus.

Que no teu assento de nascimento, na conservatória, está como João de Jesus.

(tenho que lá ir mudar o erro – diz-me a minha mãe desde

que a conheço e eu sei, sempre soube, nunca irá)

Quer isto dizer, e tu sabe-lo bem, que o teu pai era meu primo:

Meu primo segundo colateral. A tua bisavó Amélia que

Era minha prima segunda, via o meu pai, que era seu primo, como mais um irmão.

Ou seja, os meus bisavós paternos eram os mesmos que os bisavós

Maternos do teu pai. A esta casa vim, com a minha prima Célia, visitar a nossa prima

A mando do meu pai que era muito dado ao culto da família.

Viemos de bicicleta desde Santa Rita até às Cabanas. E o teu pai estava de visita à avó.

Afogueada com a longa viagem a pedalar, e com a visão de tal criatura,

perdi, definitivamente, o fôlego. Para sempre!

Depois, ele escreveu-me uma carta e…foi o que se sabe. Tenho a carta guardada

Para ta deixar. Não sei se a tinta do tempo ta deixará entender.

A tua bisavó Amélia, que já era velha por essa altura, era muito engraçada e bondosa.

Estava sempre a queixar-se da perna. Não sei se era só de uma delas,

das duas ou de uma e de outra, alternadamente. E nós, os jovens ríamo-nos a bom rir.

Ela… ria-se também: “Ai a minha perna, ai a minha perna que não me deixa fazer nada!”

As três irmãs eram muito diferentes: a Belinda muito séria e complicada, a Amélia alegre

E bondosa, a Josefina, que tinha menos dezoito aos do que as outras,

mentirosa e infantil. Vá lá que casou com o Ti Evaristo

Que era um bom homem. Foi a irmã Amélia que a amparou nos muitos momentos de aflição.

Dava-lhe dinheiro para ir à praça comprar carne para as duas ao talho do Sr. Feijão,

um bom amigo dos teus avós, e ela ficava a dever e com o dinheiro. Um dia, o Sr. Feijão,

envergonhado, lá contou à tua avó o que se passava. Acho que foi nesse dia que houve a

grande cheia em Tavira. A de 1968. Nesse dia, talvez por causa da arrelia com a carne, a tua

avó caiu na casa do teu tio Joaquim e tiveram que ir os bombeiros de barco buscá-la. O teu tio

morava mesmo nas margens do Rio Séqua. Ninguém sabia onde começava e acabava o rio.

Passavam garrafas de gás. Porcos, galinhas, laranjas e, há quem diga, e jure a pés

Juntos, que vira passar, a esbracejar, homens e mulheres. Até, asseguram, algumas vacas

tristes com a sua sorte. As coisas até correram bem e, chegados a margem segura, lá foi a tua

avó até ao hospital. Era só um braço partido e, depois de bem engessada pelo Dr. Jorge

Correia, ainda apanhou camioneta da carreira para Vila Real e visitou, antes de eu a levar no

Velho Anglia IA-32-12 à fazenda da Cativa, o filho Fernando, como o fazia todas as quintas.

Esses eram dias felizes para o teu irmão e para ti: nunca faltavam

as tabletes Regina compradas na venda do Velho João. O teu pai era o seu menino querido.

Foi-o sempre até ao esquecimento. E, embora o teu nome tivesse sido o último que a sua boca

Pronunciou, foi o seu Fernando o amor da sua vida. O menino teve uma trágica paralisia

Infantil e, a partir dali, viveram um em função do outro. Um para o outro! (só por isso eu

Compreendia essa preferência pela mãe. Compreendia, mas não aceitava. Mesmo depois de

Me ter arrepiado e ter sofrido com o seu choro descontrolado na sua morte…)

A última vez que a tua avó Adelina me bateu, e foram bofetadas cruéis, foi por causa de uma

Tia minha. Dizia ela que o meu namorado não era o melhor para mim. Que nunca me

daria segurança e sustento com o problema da perna. Nem que o tenha que transportar às

costas o resto da minha vida, respondi-lhe eu de forma agreste. A tua avó esbofeteou-me por

causa desta raiva libertada. Foi a última vez. E a primeira. Mas deixou-me casar com o teu pai.

O meu pai morreu dentro da nora que regava a horta. Quando foi pôr o motor

A trabalhar no fundo da garganta vertical. Na plataforma de cimento sobre as águas.

Tinha-o feito centenas de vezes. Neste dia, os fumos subiram mais depressa do que ele pela

escada de corda de aço. Pelo túnel de luz e escuridão.

Caiu inanimado sobre a plataforma de cimento. Se tivesse caído na água talvez tivesse

acordado e sobrevivido. Quando telefonei para a escola para te comunicar e mandar vir para

casa, foi o senhor Coito, o chefe dos contínuos, que me atendeu o telefone. Estavas a dar saltos mortais, vê bem a

ironia, na caixa de areia, por debaixo do depósito da água. No velório choraste

convulsivamente quando te mandei beijar o teu avô para o deixar ir. As velhas consoladas com

o menino sofredor. Disseste-me, mais tarde, que só tinhas chorado porque te obriguei a beijar

um cadáver. E que ainda hoje sentes o frio da sua careca nos lábios.

Nunca conheci o meu pai com cabelo. Como sabes, tive três irmãos que morreram

precocemente. A minha família foi destroçada pela morte:

um maninho tinha apenas uma semana e eu fui avisar o meu pai, o seu pai, o teu avô, o primo

do teu pai, a quem mudaram o apelido no papel, atravessando

Barrocais e arrifes até onde o mestre Deus construía uma casa. Voltámos a casa tão tristes

Como se fôssemos fantasmas no paraíso da loucura… por barrocais e arrifes. Depois, o meu

Irmão mais velho deixou-nos quando veio da tropa e a minha irmã foi-se para lá do tudo e do

Nada e deixou-nos a pequenita, que se fez grande e mulher, a tua prima Antonieta. Foi a tua

avó Adelina e eu que a criámos. A menina tinha uma sombrinha, que a acompanhava para

todo o lado e que só ela via. Existia só para ela. As pessoas abanavam a cabeça com tristeza (eu, que

cheguei muito mais tarde, adorava a sombrinha e até a usava, às escondidas, quando chovia)

Nunca pensei que chegaria a esta idade. Sempre imaginei que também soçobraria à vida cedo,

sem te vir a conhecer. Talvez por isso, terei lutado tanto pela família. Quando casei, não tinha

um tostão. Tirando alguns presentes práticos, a minha tia, a tia que nunca gostou de mim,

e por isso não a nomeio, deu-me um garnisé e uma jarra – e o garnisé, nessa mesma noite, a

noite de núpcias, desvairado com a mudança, voou contra o pechisbeque e atirou-o ao chão.

Em cacos. Fui pedir dois escudos à minha mãe. Que não tinha. Em cacos! Prometi nunca mais pedir dinheiro a ninguém. E cumpri. Até hoje.

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publicado às 17:08

o caminho é uma metáfora do futuro

por vítor, em 09.05.22

(A classe média acabou, a burguesia está acantonada num gueto, desorientada e sem saber como de lá sair, as marcas e as novas vagas estão entregues a arrivistas doidos e jogadores compulsivos que se auto destroem (com gozo, diga-se de passagem). A efemeridade impõe-se e a logomania é uma quimera que se desfaz por entre as múltiplas nebulosidades. A cacofonia vai ser o padrão comunicativo dos dias que virão...)



Sabemos mais hoje do que saberemos nos dias futuros e as nossas mãos só recordarão as dores do veneno crescendo do passado. Obscurecendo as memórias do tempo em que convidávamos os pássaros para nos contarem histórias de encantar: histórias mágicas do passado, claro.

Sabemos mais hoje sobre o esquecimento, mnemónicas arrancadas à morte, do que das vivas ribeiras irrigando a consciência, do que das jovens células implodindo as veias ocas que conduzem as cápsulas da informação divina: colapsos abismais rasgando o tecido da memória, da perceção do fim.

Se nos inclinássemos sobre a mesa onde os dados são atirados ao acaso, poderíamos rir e apodrecer – assim – felizes sem nunca violar o que a nossa própria identidade reflete.

O caminho é uma metáfora da inércia e dos sentidos, uma tentativa vã de explicar e destruir as barragens que impedem a infância de chegar até nós.

Sabemos mais antes do que depois. Do princípio do que no remate de tudo. No fim e na morte não nos restará nada. Nem sequer um sonho numa noite fria.

Convidar pássaros para recriar a infância, seria a solução para te entenderes e poderes procurar-te até ao dia da criatura final. Inacabada e só. Os pássaros não aceitam convites de escritores e o fim fica longe de tudo. Mesmo da tua ignorância.

 



Para "Inertes", Vítor Gil Cardeira. A publicar em breve...

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publicado às 16:58

...

por vítor, em 09.05.22




Sê como as flores: rouba o estrume à terra e oferece-o como perfume a quem passa.




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publicado às 16:56

Estilhaços

por vítor, em 09.05.22

Só o pior de nós impede a vaidade de tomar conta de nós.

Quem escreve para o leitor é um chulo do leitor.

Quem viaja vive várias vidas e dá mais aos outros.



Quando te tapam os olhos, todos desaparecem.

Teve sorte. Se o encontrassem logo ali à esquina, não tinha ido a lado nenhum.

Eu sou um passageiro sem rumo que por aqui rumoreja e se embriaga nos devaneios da

sinuosa peregrinação.



Tudo é grande quando alcançado!

Maior ainda quando a procura soçobra no destino galopante dos animais.

A chama ilumina a noite: o fogo anima as sombras

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publicado às 16:55

...

por vítor, em 09.05.22





a limpidez da noite varre a soturna planície









quando esperas em silêncio a tempestade.

os pés rasgando o sacro lodo a caminho

do grito inicial que paralisa as sombras

como respiração informe. navegando

à vista do precipício, substituirás as profundas

vestes pela superfície escarlate que resta.



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publicado às 16:53

Uma sande ao final da tarde

por vítor, em 09.05.22

- olhe, se faz favor, traga-me uma sandes de queijo sem manteiga e sem fiambre!



-- sem fiambre!?

- sim!. Sem fiambre, e, já agora, sem mortadela, também.

- sem manteiga, sem fiambre e sem mortadela, é isso?

- sem tirar nem pôr.

As sombras das árvores giraram até cobrir as mesas da esplanada e um fresco vindo das traseiras do edifício apalaçado que albergava o café tornou alegre o final da tarde.

- com licença, aqui está a sua sandes de carapau alimado, disse sorrindo a moça que servia com rigor e destreza a clientela que gozava as sombras das árvores.

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publicado às 16:49

O Ronco das Alfarrobeiras

por vítor, em 17.01.22
A alfarrobeira sempre foi, e será, a árvore da minha vida. Pela sua independência e beleza. O que mais poderia querer um ser humano que independência e beleza? Quase tudo o que interessa cabe nestas duas categorias: até a morte: há mortes independentes e belas. Mas, como em tudo o que nos é imposto, e é este o caso mais impressionante de impostura vital, pouco temos a manobrar e a, sendo moderno, spinar, de forma consciente e autónoma, no grande e incandescente espetáculo do fim. E, paradoxo da vida, encenação tão mais extraordinária quanto mais cruel e prolongada. Como a arte, fluxo energético mecanicamente potente e cruel, que se injeta nas cicatrizes purulentas, infetando de dor e sofrimento as margens onde a vida se alimenta deste veneno fatal. A vida e a arte digladiando-se em contendas sem fim nos apertados labirintos dos desfiladeiros que nos conduzem. A arte é o que verdadeiramente se opõe e contradiz à vida: a arte é o apogeu da vida e, só como o afirma o hipocondríaco Nietzsche, o suicídio constitui a verdadeira prova de coragem do ser humano - e, acrescentaria eu, curvando-me em humilhação cenotáfica perante o mestre, da humanidade. A escolha constrói-se, sempre, dentro do que nos resta de independência. É a única liberdade a que podemos aspirar enquanto seres dependentes e escravos da biologia e dos arquétipos reacionários que nos peiam e sufocam.

Como nós, imperfeitos e arrogantes, as alfarrobeiras erguem-se do solo, das irregularidades da imersa rocha mãe, preferindo, estranhamente, as sedimentares às vetustas ígneas, exibindo uma figura imponente, altiva, mas séria. Autofágica, alimenta-se das próprias folhas que continuamente chovem da sua copa densa e perene tornando a terra à sua sombra negra como a noite. Alimento notável de nutriência e saúde. A água, cozinheira do seu abundante alimento, é a que dos céus cai, rara e preciosa, nas idiossincrasias mediterrânicas, como o orvalho de verão, mas suficiente para quem vive nos equilíbrios frágeis da natureza que as enforma.

Como tudo o que é vivo, reproduz-se generosamente deixando às sementes, que os pássaros, que as amam e nelas constroem os ninhos, espalharão no território à sua volta; o alimento da sua preciosa vagem.

Não há sombra mais densa e fresca e agradável que a duma alfarrobeira durante o verão.

Um ser vivo digno e independente que o homem um dia irá vergar à condição de escrava, de mero ser vivo conduzido para a função derradeira de produzir, em fileiras intensivas e contranatura, alimentada à força, decepada para não crescer e violada por toda uma panóplia de químicos que a tornarão artificial, sem dignidade e... triste.

Deixaremos então de ouvir, nos barrocais do fim do mundo, nos dias mais quentes dos dias, os seus roncos medonhos, quando se liberta de partes de si, em rituais inexplicáveis, de possível purificação e rejuvenescimento.

A vida humana desencontra-se das vidas das alfarrobeiras e torna-se raro assistir à morte natural de uma delas. O genocídio a que têm sido sujeitas nos últimos cinquenta anos torna-se, por isso, mais cruel, mais indigno e injustificável.

O Algarve não será o que foi sem estas companheiras de antanho.

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publicado às 16:47

das verdades que nunca acontecem

por vítor, em 17.01.22
Se das fímbrias da tua árvore natalícia, sarça fria e informe, pingasse sangue, a árvore cumpriria a sua promessa de destino: tingir de dor o chão onde cicatrizam os teus passos. Serias então tu a conduzir as tuas errâncias e a rasgar o tempo instalado nas fendas irregulares do esquecimento, nas profecias anunciadas ao principio da agonia incandescente da palavra. Se no chão escarlate que atravessas sem destino não se fecharem as cicatrizes do nascimento dos insurgentes, o pântano ungirá de nojo as verdades que nunca aconteceram.

 

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publicado às 16:45

Nas Comissuras do Vazio

por vítor, em 17.01.22

Os poetas deambulam pelos interstícios da linguagem. Alguns vão, no seu trôpego errar, cosendo as bordas da ferida do tecido inicial, tentativa vã de dar sentido às palavras. Outros, levados pelos desejos do sonho, escavam nas comissuras do vazio à procura do silêncio e da eternidade.

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publicado às 16:43


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