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comunhão de iniquidades

por vítor, em 07.03.11

 

Devo, em primeiro lugar, assegurar-vos que este relato é real e verdadeiro. Sim, porque há coisas reais que não são verdadeiras e verdadeiras que não são reais. A bizarria do que contarei em seguida poderá, sempre, fazer torcer o nariz a quem vier a ler essas palavras. Eu próprio hesitei bastante em alinhavar a história que no final do último Verão presenciei com os meus olhos e me envolveu até ao âmago do meu ser. No entanto, por imperativos morais e éticos, não poderia omitir os fatos que abalaram, nesse dia de calmarias, os meus fundamentos filosóficos.

Agora que o frio do Inverno se apoderou dos corpos, alerto já, os possíveis leitores, para os danos intelectuais irreversíveis que a leitura do seguinte relato pode vir a causar. A escritura foi lenta e dolorosa e consumiu a parte da minha alma que tinha resistido ao vórtice dos acontecimentos que aqui partilho. A vida passou a ser outra vida. A decadência psicológica, já abalada pelo vivenciado, acelerou com a fixação do texto maldito que a minha mão lavrou. O medo apoderou-se de mim e pensei não ter forças para o finalizar. Lutando contra forças tenebrosas e ígneas levei a cabo a minha tarefa incontornável e, de certa forma, final.

Aqueles que não souberem transportar a dor que os desligará do passado e atirará, sem dó, no deserto da existência, sem qualquer possibilidade de retorno, deverão deixar, nesta última fase da apresentação, a companhia destas palavras. Minhas senhoras e meus senhores, arregaçai as fímbrias das vossas almas que vamos atravessar o inferno.

O Sol escaldava no final daquela tarde de Verão. A música da paisagem aspergia uma chuva de emoções na sonolência dos que vagabundeavam na cidade adormecida. Os cães procuravam as sombras que se estendiam a caminho do horizonte.

Cortando o tempo parado, surgiu uma mulher caminhando ao encontro do nada parecendo querer ser engolida na tarde que se apagava.

Eu, que o acaso atirara para a cena melancólica, estava esculpido na esquina de duas ruas anónimas. O alcatrão latejava no negro inverosímil da rua. Quando a mulher se aproximou da esquina-centro-do-mundo que me prendia à vida, reparei que a sua beleza irradiava uma serenidade triste e impenetrável. Uma imensidão de luz transportando a saudade  que os dias tatuaram na sua esfinge primitiva.

Petrificado, como lagarto hibernando na noite longa e fria, vi-a aproximar-se da esquina que não ousara dobrar, e fixar os olhos naquele que já não era eu. O tempo ignorara o movimento  astral  e fizera repousar em mim uma solidão possuída pelo sonho, onde o passado e o futuro se extinguiram na desordem inútil da divindade.

Por favor, dirigiu-se-me como uma sereia que se esmera por atrair os ouvintes para o fundo do ser, sabe-me informar onde se situa a rua dos fazedores de sonhos? As nuvens aceleraram no céu esbranquiçado da tarde. A perplexidade da conjuntura atingiu-me como se um rinoceronte vadio me tivesse golpeado as entranhas. Atropelado os pensamentos.

Fazedores de sonhos? Fazedores de sonhos? , balbuciei ruborescendo e fabricando caretas inapropriadas e convulsas no rosto apalermado que os deuses me conferiram. Não, não faço ideia de onde seja. Mas, e as palavras saíram-me sem sequer controlar o seu emergir lamacento do aparelho vocal, sei muito bem onde fica a rua dos paralelepípedos veludosos. É a estreita azinhaga onde descanso os meus dias sem sentido. Interessante, interessante, retorquiu a mulher que já representava o amor absoluto da minha existência, muito interessante.

Demos as mãos e fomos até minha casa. A noite, que adivinhara a hierofânica convergência, envolveu o que nunca pudera intuir na comunhão das iniquidades.

 

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publicado às 14:28

vida tão estranha

por vítor, em 08.01.11

 

 

Era certamente eu que ali ia. Não podia haver dúvida alguma, pois o homem que atravessava a tarde gelada tinha, exatamente, a mesma forma estranha de caminhar. Ao longe, ainda hesitei. Mas quando nos cruzámos, na calçada luzidia, perdi toda a esperança de ser outro. De sermos outro. Quando os nossos olhares tristes se fixaram no nosso olhar, a resposta para muitos anos de procura surgiu do nada e emprenhou a nossa consciência apatetada: o eu que procurávamos era um nós estranho que nunca entenderamos. Separámo-nos como se a vida fosse um longo corredor que nos conduz ao vazio intangível. Qualquer que seja o sentido da vida, é para lá que caminhamos.

 

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publicado às 00:26

o passado passou-se

por vítor, em 11.11.10

 

 

Agora que o passado já não conta, vou incendiar a lucidez e permitir-me abraçar os dias sem objetivo. A pequenez de tudo o que circula na contramão  ser-me-á o alimento que atenua a  faminta vontade. Os olhos dirão o que o silêncio não quiser. Navegaremos, então, na tépida nave dos afectos.

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publicado às 19:26

a simplicidade faz-me feliz

por vítor, em 24.09.10

 

 

Cale-se tudo o qua antiga musa ...

 

quando me dizes que tudo o que faço se contradiz na penumbra da ilusão, na obscuridade daquilo que se esfuma nas tardes difusas. respondo que a ilusão é o acidente que fratura o tecido das relações concretas, das ligações invioláveis, a fronteira entre o que sinto e o que tu sentes. aí, nessa intersticial terra de ninguém, a felicidade impera. a simplicidade não se opõe à complexidade: os laços que construímos e construimos serão a razão da vida que nos une.

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publicado às 15:11

uma mulher disponível

por vítor, em 07.07.10

 

Não tinha pensado nisso. A avenida estendia-se, rude e crua, até ao fim do mundo. Alguns candeeiros iluminavam o nevoeiro morno do Levante. As minhas pernas pareciam moles e frouxas, caminhava cambaleando no alcatrão esponjoso. Nunca tinha pensado nisso: bebia para ocultar a timidez.

Àquela hora da madrugada irresponsável, o calor mantinha-se à superfície das coisas. O ar irrespirável alimentava as insónias dos entes há muito retirados nos leitos burgueses. Nos lençóis encharcados de lama pestilenta. O maléfico soprar das aragens desérticas destrambelhava as mentes sóbrias.

Avanço ao encontro da imensidão da noite. A experiência diz-me que no fundo da avenida, junto ao porto, um bar ilumina as trevas. É o último reduto da loucura ambulante antes do Sol misturar tudo na intensa luz do Levante.

Aquele homem que percorre lentamente a borda da Ria é um poeta. Como todos os poetas procura a embriaguez do abismo profundo e inatingível. Generoso e sem retorno. É uma caminhada dolorosa e sem destino que engole o próprio caminhante. Uma autofagia que vai destruindo o sujeito e o objecto. Uma boca hiante a partir da qual o corpo se vira do avesso, desaparecendo nas vísceras  tetónicas  do inferno emergente. Uma longa batalha entre quem come e é comido, sendo que um e outro são a mesma entidade. Entre o destino e a razão.

Enquanto mija atrás de um contentor de lixo, uma figura mágica espreita por entre os restos nauseabundos. Os excrementos sociais que preencheram as ânsias medíocres da humanidade.

Por deus, é uma mulher!

De olhos muito abertos e uma boca escancarada e vermelha, concupiscente, fita o poeta. Toda ela é desejo e vontade de emergir da putrefação contida.

O poeta sacode a pila e não resiste aos encantos da visão miraculosa. Retira-a cuidadosamente do caixote pestilento e verifica, surpreso, que a mulher é jovem, durinha, leve e bonita. E está nua.

Mãe, telefona-me mãe!, grita na noite incompleta. Tu e eu somos os maiores que as estrelas envolvem. Tu, a melhor mãe que os tempos conheceram e experimentam. Eu, o maior poeta vivo que risca a face do planeta. Telefona-me mãe!, ecoa nas profundas cicatrizes da existência, num rugido lancinante e triste.

Caminha, agora, com a jovem ao colo. Leve como ar de Verão. Leve como algumas palavras que nunca são ditas. A timidez irrompe das entranhas instáveis e, no lento processo de  auto-fagia, nunca se sabe se vem de dentro ou de fora. É preciso aplacar-lhe os propósitos misantropos que atropelam a alma.

 

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publicado às 17:01

as benignas ocorrências

por vítor, em 13.06.10

 

 

 

Quando as benignas ocorrências se arrastaram  no oculto leito das lavas frias, o eterno convite para uma noite glamorosa e terna tornou-se realidade. Uma pausa? Uma irritante pausa? Não, acrescentaram as senhoras que passavam na rua enfeitada por fímbrias de lágrimas cadentes  nas soleiras das portas. À primeira vista tudo era simples e confuso como as fiambreiras de alumínio incandescente, marmitas de esmalte com cavalas fritas para o almoço. Frias, degustadas no cimo do muro que envolve o reservatório da água aprisionada. Ali mesmo saltei para a caixa de areia e dei saltos mortais na sombra indelével do impossível. Mais uma pausa! Não quero nem saber do interdito que quer ser exprimido aos sete ventos. Romper a aurora que vence a noite e embrulha os sonhos numa película de infinito rebuscado e fosco. Numa hiper- realidade surreal. Conforme os astros que se acotovelam no lusco-fusco da fronteira final da tarde. Quero sentir os calafrios suores da corrida que embaraça as criaturas insanas rebolando nos meandros da loucura inabitável. Dirias que a sanidade mental é um pergaminho afixado na parede para ser lido por quem não sabe interpretar as palavras lavradas na pele antiga. Que as mentalidades do homem que criou a grafia agitam as comunidades rutilantes da cidade, revolvendo os que acompanham as medianas confusões da civilidade. O poeta, que nunca escreveu uma palavra, confidencia-me que quase nunca lhe acode um pensamento e que, quando as ideias se encadeiam gerando novas perplexidades, se masturba até o pensamento se esvair na libido anestesiante.

As benignas ocorrências. Tínhamos começado com elas. O onanismo, envolto na decrepitude do corpo e na loquaz felicidade dos tempos que passámos juntos, consome todos os que  se negam a  viajar nos caminhos onde as papoilas emergem das pedras. É um mundo renascido do poder dos que nunca revelaram conhecer a divindade que se movimenta irascível e prenha de solidariedade. Nas confrarias da arte, nos parlamentos políticos, até nas comunidades de pastores de tudo e de nada ardem as sibilas que do futuro predizem o passado. Como gritos que rompem a solidão, tatuam de morte a noite silenciosa. São as mesma palavras que ressoam nas paredes da tua casa. Um envolvimento que paira nos confins do abismo. Na periferia da cornucópia sanguinolenta. São os que se alimentam aliviando os que não têm fome. Que devoram a perene tradição de triunfar sobre os que não têm rosto. Os que encontram na negação da luminosidade a vontade de partir através dos corpos escalavrados dos  ressuscitados do pó que repousa no antro das benignas ocorrências. Numa pausa que nega o sexo impotente.

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publicado às 23:24

o olhar desinteressado dos cúmplices

por vítor, em 24.05.10

 

Não é permitido o uso de qualquer sistema informático e/ou audiovisual. A placa de contraplacado com estes dizeres longos e claros era imperativa. Colocada à entrada da taberna, selecionava a clientela. Lá dentro, na penumbra difusa atrás do trava-moscas cantante, vultos dispersos ocupam algumas mesas silenciosas, ocultando os gestos no torpor do dia soalheiro. Uma tarjeta pequena  complementava a sua irmã exterior: reservado o direito de admissão.

Quando penetrei a penumbra acolhedora, ninguém voltou a cabeça, o olhar sequer, para a mudança musical operada pelos canudos pendentes da porta. A claridade esgueirava-se, atrevida, pelo salão, desocultando cones de poeira e fumo dançando no ar. Fumava-se no interior, emprestando à casa um odor a fim dos tempos.

Dirigi-me ao balcão e sentei-me num banco de pé alto, fincando os cotovelos no mármore gasto que separava o espaço público do privado: a vida às escâncaras da vida recolhida.

O seu pedido é uma ordem, disse alguém, a quem não vi os olhos, com voz mansa e rouca, por detrás da barreira, quase intransponível, trave estrutural do estabelecimento de bebidas e petiscos.

Lá fora a tarde deslizava, serena e quente, para os braços da noite acolhedora. As aves procuravam as sombras colhendo os últimos insectos antes do sono.

 

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publicado às 17:15

o pó inútil

por vítor, em 04.05.10

 

Ainda os dias não se tinham repetido na retina dos transeuntes e já os nossos caminhos se separavam. Os dias cinzentos, dizem alguns, são propiciadores da reflexão e do ensimesmamento intelectual. Quando o sono não aparece nas noites secretas em que o vazio preenche as abóbadas da podridão exagerada, regresso a casa de quem me quer bem. Nunca os solavancos da inexatidão foram suficientes para me deitar por terra. Nos nevoeiros em que  rocei o abismo; nas trevas insanáveis da loucura, socalcos cruéis em carne viva; colhi as temperanças da retidão das pedras, dos muros sinuosos e das serpentes curtidas no alcatrão em fogo. Cruzas a estrada e o vento não te sussurra o perigo que se alevanta, inútil, no pó que te envolve.

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publicado às 19:37

Manuel Almeida e Sousa no Filo Café de Bela Mandil.

 

O Manuel pediu-me um texto para a revista Mandrágora sobre a perfomance do grupo homónimo, no Filo Café de Bela Mandil. Dificilmente consigo descrever o que vejo. Consigo, sim, escrever sobre o que sinto. Bem escrito ou mal escrito, deixo à apreciação dos leitores. Aliás detesto escrever bem e quem escreve bem. Escrever bem é escrever como Camilo ou Eça. Isso foi fantástico e arte há uns anitos atrás. Hoje escrever é outra coisa. A escrita tem vindo a aproximar-se, cada vez mais, das artes plásticas. Em Portugal, com poucas exceções como o António Lobo Antunes, o José Saramago e o Fernando Esteves Pinto, ainda se escreve como aqueles génios escreviam no século XIX. Alguns pensam que escrevendo sem pontuação, só com minúsculas, utilizando múltiplos narradores e outro truques mínimos, se libertam do legado dos cássicos. O que eu gostaria se um dia escrever seria um texto que se soltasse das peias da ortografia e das grilhetas da gramática. Qualquer coisa como: "sempre as laranjas eu; fomos e tu leite femenino nos campu silêncio!; onde está reflexo uma lápis..." . É como andar nu na cidade em hora de ponta.

Assim, o que escrevi para o Manel e para a Mandrágora foi algo que teve a ver com o vómito das sensações de um transe que foi o privilégio de ver o Manuel, o Bruno Vilão e o Gonçalo Mattos em ação no chalé de Bela Mandil (Pechão); mais uma contribução do José Bivar para a arte do país: numa noite inesquecível. Quem pode escrever sobre um tempo sem tempo, como Camilo?

 

"Minhas senhoras, arregaçai as fímbrias dos vossos vestidos que vamos atravessa o inferno..."

 

Mandrágora e a recriação do silêncio

 

A noite esconde-se nas conversas à volta da mesa. Palavras que rompem o idiossincrático pulsar das criaturas. Que inventam a rebelião dos que escutam a solidão dos crentes. O vinho escarlate das terras do sul conduz a explicação breve das ideias. Lá fora o frio açoita a lassidão do restolho e penetra, lâmina afiada, os interstícios da geometria invariável.

Silêncio!, que a instalação complexa dos ritmos apocalípticos virá breve.

As luzes alteram-se nos rostos que procuram a solidez do nada e as perplexidades da mandrágora avançam ao encontro da poesia oculta. São três os avatares que irrompem da noite escondida: entes rebeldes que se digladiam numa perfomance  brutal que arrepia os ossos míopes da multidão. A música, que recria o silêncio, que estabelece o conforto nas almas infiéis, refugia-se no barro cansado da tijoleira superficial. Flui alcançando os pés descalços dos espectros que se bamboleiam na noite. Flui e ergue-se nos corpos em transe, possuídos pelo vento, que iluminam o vazio dos tempos. Num ritual caótico, sexo e morte rastejam aspergindo alcalóides venenosos nos argonautas que se agigantam na proa do navio.

A Bela Mandil exorciza a mulher virgem que um dia pariu o maléfico e exulta aos aplausos ululantes da comunidade dos que não conhecem a paz. É ela que nos acolhe nas entranhas sanguinolentas e abjectas. As sementes da mandrágora a emprenharão de sonho e magia. Ao fim da noite, rasgado o ventre dilatado, vomitará os que cumprirão o impossível desejo da liberdade.

A hierofânica vontade, bradam as comadres.

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publicado às 15:52

alto dos altos

por vítor, em 15.04.10

Foto gentilmente surripiada ao meu amigo Julião.

 

Alcançado o alto dos altos, contemplas, sem desdém ou misericórdia, os despojos jazentes nas terras baixas, que se estendem sob brumas, a teus pés. O perfil hieroglífico não revela soberba, recria o orgulho de Alexandre na descoberta de novos mundos, na integração do outro no caminho do infinito. A infinitude é o teu destino, a tua paixão. Não existe felicidade na contemplação da derrota dos que te ousam enfrentar. Só os maliciosos, que apostam na falsidade do jogo (da vida), serão esmagados. Não por desejo ou gozo pela inutilização dos contendores, mas para proteger os dignos vencidos. Para valorizar e honrar os que se batem nos campos agrestes do desafio dialético.

Glorioso será o devir da que se ergue à procura da divindade inatingível, desocultando a glória na jornada primordial.

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publicado às 19:06


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