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Dennis Hopper (1936-2010)

 

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publicado às 21:22

on the road again

por vítor, em 28.08.09

 

Hoje estou por aqui.

 

Amanhã por terras de Gaudi.

 

 

 

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publicado às 00:45

Uma Epifania Anunciada

por vítor, em 13.07.08

 

 

Era uma epifania anunciada. Mesmo assim senti-me como Moisés perante a sarça- ardente, na península do Sinai. Deus chegou, como o anunciado, às 21 e 40. Nunca falou directamente à assembleia. Envolveu-a com parábolas, hipérboles, analogias e outras piruetas retóricas tão bem do agrado dos crentes. Deus antigo, não sorriu. Deus que sabe que só a Sua presença basta, não fez nada para agradar a quem precisa do espectáculo divino.

 

Tinha medo, medo da Sua presença. Nunca tinha estado tão perto de um dos meus deuses. Vivo. Um dos maiores. Ou talvez o maior. Zeus de um panteão não muito extenso.

 

Por norma, basta-me a Obra Divina. O encontro com Deus pode sempre constituir uma desilusão dolorosa e marcante até ao fim dos dias. Lembro-me amiúde da estória do sociólogo Jean Cazenneuve sobre o miúdo apaixonado por uma cantora de ópera, que a segue por todo o lado e que um dia, após um concerto, ganha coragem e invade clandestinamente os bastidores, para a abordar. Quando a encara, esta, está sentada na sanita a mijar. Toda a mágica se esvanece e o rapaz sai espavorido da cena deixando para trás uma mulher atónita. Nunca mais quis saber de óperas nem de cantoras de qualquer género musical. Os deuses também têm caspa...

 

Bob Dylan. Está ali. Um velhinho de vestes ridículas. Pernas abertas e tortas perante um  órgão baixo. São estas pernas que mais interagem com a música.  Uma voz roufenha e hoje incompreensível. Não mexe numa guitarra. Toca músicas que não conheço ou não entendo. As músicas que comigo atravessam os tempos são outras. Só a custo registo a balada de um homem magro (o melhor momento da liturgia). No final, como uma pedra rolante. A pergunta how does it feel, já não soa como uma pergunta. Like a Rolling Stone, já não soa como a resposta. No entanto as lágrimas assomam quando a harmónica soa na noite.

 

Registo com apreço a Sua recusa a envolver-se na sociedade em que tudo tem um preço. Nada de fotografias ou imagens para banalizar o mito. Ou comerciá-lo.

 

Desiludido? Não! Nunca! A um politeísta como eu. Na alma de quem os deuses são homens que se tornaram génios a obra é o que conta. Continuarei a evangelizar até ao fim. A Sua presença basta-me.

 

PS: Metido à  estrada com um filho de 18 anos, este on road again torna-se, por si só, outro momento mágico. Por ele o festival durou da 5 às 3 da madrugada. Eu não duraria muito mais e, quando o consegui sacar do cuduro dos BuraKa, estava à beira da rotura física e mental. Para um quinquagenário misantropo, 10 horas de festivais são demais. No entanto, hoje em que escrevo estas palavras, sinto-me muito reconfortado na minha auto-estima por ter aguentado tanto…

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publicado às 15:15

Fracturas Intermédias

por vítor, em 17.05.08

 

 

Os cactos rasgavam o alcatrão na estrada ardente. Fomos partilhando pedras rasgadas por rubis. As cumeadas das serras distantes embalavam os sonhos da multidão e a estrada leva às portas da anunciada sabedoria.

Queres comer uma pedra, disse-lhe levantando o joelho à altura dum sorriso.

Eu levanto-me e curvo-me perante a voz rouca do vulcão.

Queres rebolar na erva seca? Respondeu-me sem convocar a minha ignorância. Não, os passos que partilhamos não compreendem os calhaus que calcamos, que calcamos na longa solidão dos tempos. Falta-me consistência nos passos que tento imprimir no lodo do caminho. O vento transporta-me como folha em Outono agreste.

Começar para nunca mais entender o amor. Mulheres sem lábios aproximam-se cansadas procurando soletrar as palavras que nos ousam anunciar. As letras caem no caminho como dentes metralhados na noite.

Onde se instalaram os vermes da correria paralela?

Na cama rejeitada pelos ossos chocalhantes, na plasticidade do metal, onde partes para nunca mais. Onde entendes a morte nos cais da premonitória incerteza. Nas fracturas intermédias do tempo inacabado.

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publicado às 01:31

Uma Viagem ao Contrário

por vítor, em 09.09.07
Há alguns anos que rumo, por volta da última semana de Agosto primeira de Setembro, ao Carvalhal, na costa alentejana. Viajo ao encontro de um velho amigo que aí passa, religiosamente, 15 dias de férias com os 3 filhos. Costumo viajar com os meus dois filhos ( que a minha mulher não está muito virada para viagens ao passado e, sobretudo, para os copos que a nostalgia impõe) e passar um ou dois dias de intenso convívio com passeios pela praia, grandes jantaradas e, com os miúdos já deitados, longas noites de copos e conversas profundas sobre amigos, o passado, o presente, o futuro, a Antropologia, mulheres e outras palermices que, sinuosamente, emergem do conforto anestesiante do álcool  e da generosa hidra da nostalgia.

Este ano os filhos, possuídos pela estupidificante espuma da adolescência, alegaram valores mais altos para não poder acompanhar esta romaria. Ainda lhes acenei com as magníficas bifanas do Cercal, degustadas o ano passado, mas foram implacáveis: tinham assuntos mais importantes a resolver na santa terrinha. Como tal vi-me impelido a caminhar sozinho rumo às areias da bacia sedimentar do Sado.

Subitamente um bichinho que em mim habita e que às vezes me canta e encanta com velhas canções de estrada e viagem, sussurrou-me  ao ouvido algo que me agradou de sobre maneira: a viagem solitária é a verdadeira forma de encontrar a alma. A aventura liberta e catapulta a criatura que sedimentou nos doces e pegajosos braços da classe média. A aventura é a vida. O caminho faz-se...

E assim peguei na minha velha Honda 400 e com um saco cama e uma pequena mochila com uma mudas de roupa, atirei-me à estrada. A velha máquina nipónica, desde o nascimento do meu primeiro filho (17 anos) mais habituada a longas estadias em garagens e armazéns do que ao ronronar no asfalto, não me merecia grande confiança. Se me avariasse no caminho estava decidido. Mandava-a por uma ribanceira abaixo e seguiria de táxi. Afinal, ao contrário que tinha acontecido em longas viagens no passado, a alternativa paga para continuar sem sobressaltos estava à distância da carteira ou do cartão magnético nos bolsos.

E como aventura é aventura, resolvi percorrer alguns lugares onde tinha vivido alguns dos melhores anos da minha vida de jovem inconsequente: Via do Infante, de Tavira a Lagos, subida pela costa vicentina com paragens em Aljezur, Odeceixe, Vila Nova de Mil Fontes, Malhão, Porto Côvo , Sines, Santo André (onde ainda vivi um ano) e Carvalhal. Para baixo optei por apanhar a estrada nº2   e reviver o passado nas curvas da serra do Caldeirão, que durante tanto tempo separou o Algarve do resto do país, e que conheci bem de inúmeras viagens à Cruz de Pau (Seixal) para onde tinha ido viver o meu irmão.

Nesta dorsal alentejana fiquei bem impressionado com o que vi. Aljustrel, Castro Verde e Almodôvar pareceram-me terras dinâmicas e com espaços públicos muito bem tratados. É claro que o tempo para um café ou uma mini com torresmos não é suficiente para tirar conclusões bem fundamentadas mas não me pareceu ver aqui um Alentejo  a agonizar. Também na Serra do Caldeirão vi terras lavradas sem pastos e sobreiros bem tratados. Talvez por isso o fogo não tenha andado por ali este Verão.

Escusado será dizer que cheguei a casa remoçado e cantando ao vento. Ainda por cima fui recebido como Ulisses vindo da mais aventurosa das Odisseias.

(deixo-vos alguma fotografias da odisseia)


O vento da costa alentejana é uma riqueza.

Amigos para sempre!

Palitos marroquinos nas bermas da estrada.

Minas de Aljustrel.

Nas longas estradas do Alentejo.


Capela Real em Castro Verde.

Cheirinho a Algarve ainda no Alentejo profundo...

O descanso da velha senhora...

Curvas da Serra do Caldeirão, as mesmas de sempre. Pura adrenalina sobre duas rodas. Não aconselhável...

Pra cá do Vascão mandam os que cá estão!

A melhor cortiça do mundo.

Guerra das estrelas no pico da Serra do Caldeirão.


O regresso de El Solitário.

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publicado às 00:41


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