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A viagem é uma terra estranha

por vítor, em 15.12.25
Sempre me irritou que os que vinham da cidade à minha aldeia soubessem falar das suas belezas e idiossincrasias melhor que eu e do que os que nela viviam. Falavam da aldeia como eu nunca a tinha visto nem pensado. Mais tarde, quando já tinha viajado até às cidades longínquas, e voltava à terra que me tinha visto nascer, também eu via e sentia coisas que nunca tinha visto e sentido antes. O inebriante cheiro da flor de laranjeira. O silêncio denso das alfarrobeiras. O corte de cabelo dos homens. O cheiro inimitável das tabernas. Os lenços cobrindo as velhas. As camisas de franela aos quadros dos pescadores. A melancolia dos caminhos. Quando voltei a primeira vez, sentia-me um estranho na minha própria terra. Até, no meu corpo. E esta nova perspetiva ainda mais me doía do que a que sentira em criança perante a opinião dos forasteiros de antanho. Tão infeliz e triste que jurei nunca mais sair das suas fronteiras porosas. E quando a aldeia se afastou dos seus antigos moradores, tornei-me um forasteiro numa terra nova. Já não saio dela quando saio dela.

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publicado às 13:48

na rua

por vítor, em 01.04.25

(... cheguei sem sentir o vento) Na rua,

enquanto esperava a tua voz,

percebi que o colapso era uma confissão

lenta de frenesim anunciado.

Os caminhos, de bermas floridas,

levam à cidade que ocupa o horizonte

pejado de aves sangrando

na placidez dos tempos.

A voz que não ecoa do alto

das montanhas sombrias

constrange a ação dos miseráveis

apelos da rua silenciosa,

da vida suspensa que arde na calçada insuportável.

Os passos desajustados calcam

presas insensíveis ruminando

milenares crenças no mistério

do labiríntico ciúme

transferência dos desejos ocultos da comédia.



(... agora já sinto a brisa) Na rua,

o silêncio impera tolhendo a dor

que asperge os incautos,

rodopiando nos corpos suspensos da cidade

que não cumpre os bizarros ditames da multidão,

a voz que se espera, confessora

da impotência crescente da paixão.



Os dias que se erguem na confusa

espera do som que aclama

a crua rebentação das águas

virão enaltecer o polivalente

rumorejar da ilusão pétrea.



Da penumbra do corpo

solta-se um aroma rosáceo

que me envolve os dedos tontos

sussurrando ventos na pele arrepiada



Quem não entende as cicatrizes do tempo

passará a fronteira do desejo

resvalando nos socalcos palpitantes

da carne em sangue rumorejando

nas inconfidências do silêncio.



As palavras não produzem os efeitos

que projecto nas consciências obliteradas

jazendo em muros

sentadas na planície incompleta

as palavras só rastejam quando a noite

bordeja os caminhos repletos de obstáculos

insaciáveis

onde a chuva de Outono se esvai por entre o sexo

que nunca percorre os meandros

da podridão aconchegante.



Agora o nunca torna-se no sonho

utópico da viagem

acorrentando as pernas dos desconhecidos

que se amam

nas grades frias do paradoxo

animalesco dos genitais.



Não posso sentir a volúpia da tua intranquilidade

prostrada nos dias sem luz

na ausência que afunda o frágil

fluir da viciante entrega

ao outro.

Não posso dizer o que não existe no mundo

das palavras frouxas e malditas

sons sem espelho onde a vida se esconde e reflecte.



do olhar vago

que rejeita a inscrição bélica

aparentemente tocada pela luz,

da incompleta voz que elabora linhas perplexas

na morna superfície dos teus sonhos

escapa-se um inútil desejo de regresso;

de regresso a um lugar estranho

onde a memória prevalece

e a existência sobrevive efémera agarrada

a jangadas de sangue

do olhar vago

sem fracturas no tédio da noite,

da expressão que esconde o sorriso das árvores

o registo das cicatrizes pelágicas

que atravessarão o futuro,

o destino que fará eclodir os desafios tentaculares

das palavras desavindas;

é o lugar de onde avistas a fortaleza que recua,

que recusa acolher-te no interior das possantes penumbras,

a fortificação desejada pelo tórax oprimido

que te torna os dias cruéis

cansados da sinuosa trajectória

em que persistes na manipulação dos pés

quando te aproximas da impossibilidade serena do fim

tempestade à distância dos olhos entre desejos

que contendem no plástico campo de batalha

onde tempo e inquietude se aliam

em brutais teatros sem personagens;

para quê estar à espera do tempo que é pedra?

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publicado às 19:06

Bairro da Lata

por vítor, em 16.08.18

 

Na leitura da cidade ensandecida,
Os carros apodreciam na palidez dos subúrbios
Enquanto, aí, as mulheres comandavam o mundo
A partir de tijolos empilhados nos dorsos
Das encostas íngremes, que ninguém quis e agora
Toda a gente quer. As mulheres abandonadas gerem
O invisível dos dias, e parecem felizes. Felizes por carregarem
Os filhos pelas lamas das ruas ensandecidas. Os homens
Dormem sobre cadáveres mornos de ontem e escaldantes
De amanhã, dormem sem sequer sonhar, até no sono,
Leve e inquieto, são escravos da tristeza. As mulheres riem
Mesmo quando choram, mesmo quando os mortos lhes vêm bater à porta
E pousar nos braços robustos. Os homens dormem. Adormeceram
Depois dos tiros que ecoaram no ricochete das paredes escalavradas
E incompletas. Adormeceram depois da incontinência verbal das armas.
Dormem no medo eterno exibindo a ignorância que os cobre
E separa do real onde habitam de costas para a luz. As mulheres
Tecem a luz, manipulam o fora e o dentro, fazem café na escura 
Podridão para servir os amantes, buracos dentro de buracos,
Pais dos filhos dos pais, mães do vazio que as enforma, máscaras saindo de túmulos prenhes de entes poliformes e frios.
Criaturas doentes escorrendo sangue dos corpos purulentos,
Desaparecendo nas valetas cegas da cidade.
(…) E as mulheres saem de casa caminhando sob a chuva,
Desejando ser putas e morrer numa página de um livro de fadas.
Na assombração dos limites do desejo.
Nas casas em construção, o sofrimento foi a primeira pedra.

Cativa
6/10/2017

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publicado às 16:50

a inutilidade do retorno

por vítor, em 20.03.10

Quando atravessei a linha que separava a aldeia do resto do mundo, entrei num sonho estranho que me espantava e ao mesmo tempo  esmagava. O medo pesava como a escuridão dos tempos em que  as virgens sem consciência pariam profetas. Olhei atrás e vi desaparecer os dias que me abraçaram para sempre. Agora o roteiro seria traçado por mim, as agruras deixariam de ter o amparo da vizinhança.

 

Lançado na aventura de percorrer os caminhos dos outros, comecei por enveredar na direção que me pareceu mais fácil de entender. O breve  cheiro da brisa refrescante. Instinto de animal ameaçado: o vento traria fragmentos do perigo que o futuro transportava e os suores da alma abandonada atingiriam o antro da minha vida, na aldeia difusa no longe que crescia. Enchendo os pulmões com o ar novo que vinha das terras do sonho por cumprir, avancei destemido nas planuras que completavam a traição que urgia desocultar. Voltar atrás era um sussurro incontornável nas paredes opacas da imaginação. A vegetação rasteira rareava nas bermas do trilho esotérico que ladeava o corpo, as árvores deixavam de projectar as suas sombras no espaço que corria sob os meus pés, os pássaros voavam ao sabor da correnteza dos ares sem olhar para os novos amigos da viagem. A própria poeira dos lugares sem esperança começava a assentar com o lastro do vagabundo inexperiente.

O burburinho que se aproximava, transportado pelo vento risonho do além, acrescentava à paisagem um travo acre a solidão. Quando o ruído tomou conta de tudo e, no horizonte, apareceram as primeiras construções brutalizando o olhar, senti o cabelo assustado e espesso.

De olhar  turvo e mãos crispadas, entrei na cidade deixando a alma na periferia orbital. A penetração traumática no antro do devir inibe o desejo. A cidade é o fim do sonho e a certeza da inutilidade do retorno.

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publicado às 23:25

Portugal é um país pequeno. Pequeno em área física. Hoje, e cada vez mais, Portugal confina-se à cidade de Lisboa. O resto do país só aparece pelo sórdido: uma ponte que cai em Entre-os-Rios, uma criança que desaparece no Algarve, um apito dourado no Porto, uma casa de regabofe pedófilo em Elvas.

Lisboa é uma cidade pequena. Todos se conhecem. Na cidade existem duas castas bem distintas. As elites, vivendo nos mesmos espaços e movendo-se nas mesmas "instalações" e os, digamos, "deserdados da sorte", vivendo nos arrabaldes da "não inscrição" e entorpecidos pelas novelas e concursos de televisão. Cada vez mais separados no espaço e no ser. Os condomínios fechados, para as elites culturais e políticas e os bairros difíceis (na verdade também fechados) para  o lúmpen indiviso da multidão anónima.

 

Como ia dizendo, Lisboa é uma cidade pequena onde todos se conhecem. Todos os conhecidos como é óbvio porque os que não aparecem na tv não só não existem como ninguém os conhece. Sendo claro que hoje a existência não é, ela só, pressuposto de conhecimento. Ou seja, pode-se ser conhecido, e bem conhecido, sem nunca ter tido uma existência real. Basta pensar no Harry Potter ou no Sr(?) Klark Kent.

Como uma escola americana de Antropologia de meados do século XX, estudando pequenas comunidades rurais da Andaluzia, mostrou, onde os vizinhos todos pertencem a um “nós” coeso e próximo em interesses e objectivos, existe um patamar de realização para o “eu” que estes cientistas sociais entenderam apelidar de “limited good”. Se ultrapassas este tecto usaste certamente ferramentas ilícitas, do ponto de vista moral e real. Exemplifiquemos: se tens muito sucesso com mulheres, usaste filtros, pós, magias, chantagens misteriosas não correctos e inaceitáveis  contrariando o livre arbítrio das conquistadas; se tens sucesso com o dinheiro, é porque traficas drogas e outros produtos afins; se falas muito e bem, só nada podes dizer. Os bens ao dispor da comunidade são finitos e o seu acesso nivelado por baixo. Se o nivelamento fosse por cima corria-se o risco da sua escassez.

Ora em Lisboa o “limited good” é imposto de forma implacável. Os ódios são mortais entre  os portentosos contendores na escalada social. Utilizam-se as mais inimagináveis, criativas e mortíferas armas. Nos estreitos palcos da contenda os truques sujos são aplicados sem remorsos e de forma maquiavélica. Quando ouvimos, o que é frequente nos nossos dias, falar de cabalas, conjuras e ajustes de conta, não estamos a usar da metáfora como meio de expressão. Estamos a ouvir os relatos de uma luta intestina incessante e, muitas vezes, com um fim irreversível e dramático. A lama. A mais baixa das mais baixas castas. A lama moral de onde mais não se pode sair até ao fim dos tempos.

 

E, para não me alongar mais do que já estiquei neste modesto post, assim vai este lindo Portugal. Perdão esta “bem cheirosa” cidade de Lisboa.


(post repetido)

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publicado às 14:49

A Confusão da Noite

por vítor, em 04.02.08


Um homem foi às traseiras da sua casa numa noite de bonança e se a cidade fosse no seu quintal teria visto toda a confusão da noite na palma das suas mãos.

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publicado às 00:13

Tavira-a-Bela

por vítor, em 03.09.07


A minha pátria é a luz da minha cidade...

(foto "roubada" no Ilha- Barreira)

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publicado às 12:50

As melhores praias do mundo

por vítor, em 08.08.07


A minha casa fica a 2 quilómetros das melhores praias do mundo. Mesmo em Agosto, tenho um imenso areal quase só para mim. O futuro é que não me parece radioso, quando olho para Norte vejo-os devorando a paisagem, animais insaciáveis às ordens de predadores sedentos. Gigantes em terras liliputianas, os guindastes assinalam os PIN da nossa vergonha. Vivam os resorts, os SPAs , o golfe sem fim, as marinas amigas do ambiente, os hotéis de 7 estrelas, as ilhas artificiais, que o futuro é já ali e o presente não existe.

A minha casa fica à beira das ilhas da minha infância. Prometem o paraíso mas eu sei que ele desapareceu quando destruíram a minha aldeia cobrindo-a com um sujo cogumelo de betão. Esse paraíso resiste e habita nas mentes dos que sobreviveram à destruição das suas aldeias, vilas e cidades. Poucos, mas eternos. Tristes, mas inteiros e livres.

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publicado às 22:16

Alfama ou um Vieira da Silva?

por vítor, em 10.07.07


A ruína do espaço urbano na Alfama dos nossos dias. Visto assim é lindo. Quando chegamos perto é que nos apercebemos dos dramas humanos que se vivem nos velhos bairros de Lisboa.
( foto roubada ao Arrastão)

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publicado às 21:39

A Vida na Cidade

por vítor, em 16.04.07
Esclareçam-me! Nas últimas vezes ( poucas, muito poucas mesmo ) que me tenho deslocado à grande cidade, tenho-me deparado com um cenário deveras preocupante. Amigos meus sentados no sofá,  frente à televisão e com uma mesinha (tipo para refeição de bebé ) onde, num computador portátil, navegam pela rede. Ecrã a três metros + ecrã a meio metro! Alienação total!

A amostra não é pertinente, mas é preocupante. Sobretudo a seguir ao jantar, filhos na cama   ( ou ligados a outros ecrãs ), são longas horas de zapping,  pixeliando pelas ondas hertzianas.    ( Poças! isto é que é falari! ).

Gostaria de pensar que estas situações são excepcionais e que a regra não se assemelha, nem por sombras, a esta pequena, pequeníssima amostra. Mas tenho cá um dedinho adivinho que me diz que não é assim tão rara esta nova "forma de vida".

Eu, que vivo no campo e que quando visito os meus amigos da zona os encontro a podar as gravílias, a rachar lenha para a lareira, a apanhar favas, a  jogar futeboladas com os filhos, a dormir, quando o tempo permite, nas suas camas-de-rede ou mesmo a  apanhar caracóis; os encontro, pela noite, a ler junto à lareira ( no Inverno ) e a conviver com os amigos nos alpendres nas cálidas noites de Verão algarvias, espanto-me e entristeço-me com estas tendências urbanas emergentes. Já não bastava a alienação* da maior parte dos trabalhos (empregos?) que para não se beliscar a auto-estima, se propagandeiam interessantíssimos,  mas que vendo bem, são inúteis e dolorosos?

Anos de vida ligados a ecrâs no trabalho e na alegre casinha. Anos e anos de vida passados nos esconsos interiores de automóveis e transportes públicos aspergindo fumarolas mortais na atmosfera cinzenta e envenenada.

"Estranha forma de vida" num espaço onde há de tudo. Onde a a oferta é tão variada que bloqueia a capacidade de escolha da maioria dos mortais. Excesso de informação difícil de  manipular e processar que se revela letal para a vida.

Continuando a aspar partes de letras de canções, posso apenas aconselhar a que se vê enredado nesta teia de constrangimentos e  incertezas: " muda de vida"!

* Alienação. Repitam devagar soletrando: a-li-e-na-ção! Velha palavra vilipendiada pela história recente e ausente da pena dos escribas modernos, mas que sulca o corpo deixando-o em carne viva. Voltaremos a vê-la a adornar os textos e não será tão serôdia a sua ressurreição. Obscurum per obscurius!

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publicado às 21:32


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