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umbigo ímpio

por vítor, em 14.12.13

Lutando contra os elementos. Andrajoso mas sempre em pé....

 

Como estás mudada, disse-me o vizinho enquanto se regalava com a visão ímpia do meu umbigo.
Rastejei na planície do fogo, atropelando as respostas que a denúncia do peixe anunciavam, interpelando de chofre o cão sem pulgas internado há séculos no manicómio dos gritos impossíveis.
Onde estavas quando precisei de ti, quando o vento soprou do quadrante das sensações inúteis?
O vizinho voltou à carga:
- Como te sentes antes de entrar no corredor sombrio que leva ao coração?
Fiz-me desentendida e tricotei, compulsivamente, uma camisola de lã de minotauro. Senti-me lâmina rasgando a noite, poeta partilhando o sangue corrompido, fábrica de invernos indisponíveis.
Não encontrei ninguém que gritasse a tristeza das palavras cruxificadas em páginas amarelecidas, ninguém que se mostrasse triste com a ausência honesta e fria das catacumbas. Deixo-me ficar no porto à espera de um navio fantasma. Era o dia das oito espadas cindirem o que restava do país lamacento, das cobras, o dia da emergência do mal, dos desejos iniciais.
Quando o primeiro navio se aproximou do cais onde adormeci exausta, um peixe, vindo do fundo das trevas do abismo, de cabeleira ensanguentada, escorrendo pus viral, assomou à tona das águas e disse-me olá.
Acordei estremunhada e sorri. Quando regressou às profundezas do mar azul, pareceu-me ver nele o meu vizinho acenando à castidade efémera do desejo.
M. Gordo 10/11/13

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publicado às 22:14

um eremita desassossegado

por vítor, em 02.06.10

 

Para quem se prepara para amarar suavemente na velhice no generoso eremitério da Cativa, é um desaforo prestar-se a figuras como estas...

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publicado às 15:14

um ermitério à prova de artistas

por vítor, em 09.03.09

 

Hoje apetece-me sair de meia branca, camisa aberta mostrando os pelos do peito e lamber a faca ao jantar. Depois de uma semana de imersão cultural, quatro dias seguidos de noitadas artísticas, fiquei cansado. Cansado de artistas.

 

A censura está em toda a parte.  As estratégias de captura do ascensor social, subtis e indeléveis, impregnam toda a esponja tribal.É uma tortura silenciosa  que arrasa os mais frágeis, os que não têm resposta a esta violência opressora que consome a energia do outro enquanto outro.

 

Os ritos desconstrutivos são tanto mais eficazes quanto mais forem apontados à hipocrisia dominante. A liberdade é um espaço sem escala cultural. O veículo  que nos transporta ondula nas descontinuidades mentais dos que a amam e respeitam. Os que leva sempre traz.

 

Regressado ao ermitério da Cativa, descansarei até não mais...

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publicado às 17:02

os animais da cabeça II

por vítor, em 06.12.08

 

 

(Percebendo quase tudo adjacente
a Mário de Sá-Carneiro)

 


O animal doméstico engorda
a cada passo de esfregona
assexuado como um carrossel
na cabeça
um pequeníssimo sol
mal respira
por muito que aponte
não há céu provável
no horizonte
O animal doméstico
é um pequeno homem
O animal doméstico
sou eu
E eu sou eu e sou o outro...
(imaginai o que não teria para aguar
o benfazejo Bivar no dia seguinte
à demorada proliferação de poetas)
Durante a genética moralidade
por vezes
a portugalidade dói

 

Rui Dias Simão

 

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publicado às 22:26

os animais da cabeça

por vítor, em 25.11.08

 

Já digitalizado, com prefácio de José Carlos Barros, o novo livro de Rui Dias Simão está a caminho da gráfica, onde será materializado.

 

A capa, a contracapa e a lombada e um cheirinho do conteúdo.

 

Como disse um dia Ferlingueti na apresentação de um livro de Ginsberg, "minhas senhoras, arregaçai as fímbrias das vossas saias que vamos atravessar o inferno!"

 

Saia à luz do dia em 2008 ou em 2009, será certamente o acontecimento literário do ano.

 

Aqui para nós que ninguém nos lê, a edição é - será sempre -obra das edições cativa e, parece-me, desta vez, contar com a parceria da editora - muito em voga aliás- 4 águas.

 

"...arregaçai as fímbrias..."

 

A mulher não esmorece perante
a literária lua.
Não levanta um medo para os flancos
da pouca noite.
A claridade, a claridade existe para além
dos escombros do filho que não está.
O corpo é uma praça iluminada
quando caminha com existência
visível.
A lua deita-se com esta mulher diária.
A mulher não adoece perante
a memória lúcida e cega.
Onde a areia branca?

 

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publicado às 22:16

2º Aniversário

por vítor, em 08.05.08

 

(Anselm Kiefer)

 

Nos campos infindáveis de restolho à procura do silêncio... inevitável.

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publicado às 22:14

To be or not to be

por vítor, em 09.02.08


Algures,  entre a serra e o mar, um blogue materializado...

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publicado às 22:02


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