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[degraus, patamar & queda]

por vítor, em 14.11.10

«degraus, patamar & queda». 50x50 cm, técnica mista sobre tela. Set 2010.

 

Título, desenho e ideia gentilmente surripiados (sem a devida autorização, claro) ao meu amigo (e também fabuloso - nos dois sentidos - escritor e poeta) José Carlos Barros.

 

Diria, ainda, não acrescentando nada à supra furtada obra, que desde que o homem passou a poder fabricar lâminas que duram toda a sua vida, por mais longa que venha a ser e por mais "rasages" que leve a cabo, o capitalismo ficou condenado ao afundanço cruel e sem agravo. UFA!!!

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publicado às 16:23

Crime contra a humanidade?

por vítor, em 18.10.08

 

"O que está a passar-se é, em todos os aspectos, um crime contra a humanidade, e é desta perspectiva que deveria ser  ser objecto de análise em todos os foros públicos e em todas as consciências. Não estou a exagerar. Crimes contra a humanidade não são somente os genocídios, os etnocídios, os campos de morte, os assassínios selectivos, as fomes deliberadamente provocadas, as poluições maciças, as humilhações como método repressivo da identidade das vítimas. Crime contra a humanidade é o que os poderes financeiros e económicos dos Estados Unidos, com a cumplicidade efectiva ou tácita do seu governo, friamente perpetraram contra milhões de pessoas em todo o mundo, ameaçadas de perder o dinheiro que ainda lhes resta, depois de, em muitíssimos casos (não duvido que sejam milhões), haverem perdido a sua única e quantas vezes escassa fonte de rendimento, o trabalho.

Os criminosos são conhecidos, têm nomes e apelidos, deslocam-se em limusinas quando vão jogar golfe, e tão seguros de si mesmos que nem sequer pensaram em esconder-se. São fáceis de apanhar. Quem se atreve a levar este "gang" aos tribunais?

 

José Saramago, hoje, no "Expresso".

 

 

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publicado às 23:25

 

O mundo capitalista está em convulsões. O mundo inteiro. O capitalismo é o modelo económico/ideológico global do planeta e apenas os interstícios da tecelagem escapam à sua voraz heterofagia. Até depressões marginais se ressentem do estertor global: as migalhas do bodo deixam de se precipitar das toalhas bordadas quando os comensais sentem a fartura a esvair-se. A indigência alastra. as poeiras das implosões raramente assentam na base das estruturas. No main stream recorre-se às reservas e os ácidos estomacais não trabalham no vazio.

 

Quando o capitalismo se reergue da grande depressão dos anos 30, o planeta acordou dual. A oriente o comunismo, a ocidente o velho e recauchutado  capitalismo. A rápida entrada na 1º Guerra Global (1939/1945) baralha e volta a dar (e por isso essa crise não poderá funcionar como modelo para a saída da actual) e emerge-se do vazio ideológico da Guerra mais dual e maniqueísta que nunca. Anjos e demónios acantonam-se nos dois lados estanquicizados mudando conforme o ponto desde onde se os observa. A "cortina de ferro" dinamiza, fortalece e cristaliza dois paradigmas que se contendem e alastram pelos campos planetários da não ideologia. A luta é fria no centro mas escalda nas periferias.

 

O capitalismo prospera mas tem medo. Medo da força e medo da ideologia operária. É este último medo que regula os excessos do capitalismo liberal. A ganância, o dinheiro antes do homem e a auto-regulação.

Em meados do séc. XX já só, paradoxalmente, o capitalismo acredita no comunismo. Na sua força moral e filosófica. Os cidadãos do mundo socialista já rejeitaram a modelação do "homem novo". Sobrevivem adaptando-se às arbitrariedades dum paradigma de igualdade medíocre e totalitária. As nomenclaturas já só reproduzem... as nomenclaturas, num bailado escabroso e mortal (curiosamente numa lógica churchiliana de este mundo é uma merda, mas é o menos merda de todos).

Os capitalistas, ainda crentes no comunismo actuam com carapins de lã. Os "direitos dos trabalhadores" irrompem como nunca, em lado nenhum da História. Subsídios de férias, décimos terceiros meses, subsídios de desemprego, baixas por doença pagas, licenças de maternidade, direitos sindicais "avançados", reduções de horário laboral, etc, etc, etc; não são "conquistas dos trabalhadores" (ou não são só) e avanços civilizacionais. São cedências impostas pelo bluff que se instalou a Leste. Cedências ante o medo do modelo moral que poderia levar os "explorados" do ocidente a revoltar-se e a abraçar o paraíso da "sociedade sem classes".

 

Não é por acaso que o modelo económico capitalista solar (ainda só! há 30 anos) era o do Japão. A empresa era uma família, o trabalhador vestia a camisola da sua unidade produtiva e trabalhava nela até à velhice. Patrões, quadros superiores e trabalhadores em geral eram iguais e só se distinguiam pela complementaridade orgânica da produção. O capitalista de chapéu alto (o tio Sam) estava sem glamour. O próprio capitalismo estava sem sex-appeal e não era o capitalista japonês que o tinha (filmes como o 9 semanas e meia só foram possíveis muito depois).

 

Mas entretanto a "terceira vaga" de Tofller varreu o ocidente e alastrou, sem convite, a oriente. As tecnologias da informação e da comunicação (sic)  penetraram por entre as grades da "cortina de ferro" e mostraram aos aparvalhados "cidadãos de leste" um "maravilhoso mundo novo". Parte dele, objectivamente, transportando uma carga considerável de ilusão, engano, propaganda  e pseudo-realidade. Foi este mundo novo, e não o patético Reagan, que estilhaçou cortinas e muros e homogeneizou as partes.

 

Sem o regularizador a Leste o capitalismo iniciou uma cavalgada selvática pelas planícies- sôfregas-de-homens-velhos-à-espera, distribuindo magia e recolhendo dividendos sem fim  para gozo e baba de accionistas e gestores. A desenfreada cavalgada correu maravilhosamente até ao final do século das ideologias, ajudada pelo sustento imponente das novas tecnologias e pelo acordar de mundos distantes e há muito ensimesmados. Este beijo mortal do capitalismo constituiu o seu apogeu e a sua queda. Trouxe para a compita económica global outros contendores onde o capitalismo, aproveitando um húmus cultural favorável e irrepetível, floresceu como cogumelos em estrume de cavalo e provocou o acordar trovejante desse mundo paralelo, o Islão, esse "outro lado" tão distante e tão perto...

 

Estamos numa encruzilhada civilizacional complexa e de difícil desembaraço. Os próximos anos serão excitantes mas, terrivelmente, inseguros e perigosos.

Como irá reagir o ocidente à apropriação oriental do capitalismo? Como irá reagir às inúmeras expressões do renascimento do Islão? Será a guerra (quente) a funcionar como desbloqueador?

 

Quem irá regular quem?

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publicado às 18:58

O 25 de Abril e a Coca-Cola

por vítor, em 08.02.08



A confusão e a perplexidade que reina em Portugal nos últimos anos tem a ver com a chegada em força, pela primeira vez, do capitalismo. Puro e duro, instalou-se de forma violenta sem divisar, offshore, terras de Espanha e areias de Portugal. Paradoxalmente, quem lhe escancarou as portas foi o Partido Socialista.

É claro que o tsunami económico que avança do Oriente ajuda a varrer o "estado social" e desespera ainda mais a fragilidade da pessoas. A "globalização" torna os "vasos" comunicantes e as águas assentam sempre nas depressões. Nivela por cima baixando o nível.

Por agora é ainda o ocidente o grande beneficiário da abertura dos mercados a oriente. A coca-cola vende mais na Índia e na China que no resto do mundo, as  tecnologias de ponta continuam ainda a fluir para o sudeste asiático. Os têxteis, brinquedos e componentes electrónicos de pouco valor acrescentado continuam a ser o grosso da exportações dos colossos demográficos que despertam. Mas um dia as coisas vão mudar, já estão a mudar e a uma velocidade vertiginosa. Quando os fluxos monetários se inverterem e o capital começar a reforçar o supra citado tsunami, estejamos certos, o império americano vai entrar em campo: acusando a China de ser uma sangrenta ditadura comunista e de não respeitar os direitos humanos. Utilizando as divisões étnicas como fonte de instabilidade política, social e económica. Surgirão muçulmanos a desestabilizar o formigueiro populacional do sub-continente indiano, entrarão em cena  os cínicos amigos dos tibetanos e outras estratégias que há muito estão estudadas para fazer face ao galopante avanço de tigres e dragões  do Oriente. Amizades e inimizades alterando-se ao sabor das conjunturas. Nada de novo que não tenha já sido visto com Hassans , Ossamas , Noriegas e outros.

Mas voltando a Portugal e ao capitalismo triunfante que por cá irrompe . Acabei agora mesmo de ver e ouvir na televisão um anúncio da coca-cola com a banda sonora de "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, uma das música ícone do 25 de Abril de 74, da revolução dos cravos. No novo Portugal tudo tem um preço. Até a dignidade...

A próxima será o "Grândola  Vila Morena" a acompanhar um video publicitário da Mac Donald`s ?

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publicado às 23:42

Alguns ainda são...

por vítor, em 01.07.07
No escrito anterior desanquei nos jornalistas (eu que já o revelei aqui, queria ser jornalista quando fosse grande). Aqui estou de novo, com a a corda ao pescoço, a revelar e a parabenizar alguém que  ainda não come na mão que depois a afaga e  convida a ser livre.

Mika Brzezinski recusou abrir o noticiário com a libertação dessa ave rara da estupidez mundial Paris Hilton .

Afinal ainda há coisas que não têm preço.

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publicado às 16:12

Classe Média e Capitalismo

por vítor, em 20.06.07


"A classe média é um luxo que o capitalismo actual já não consegue suportar"

no "Sobre Humanos e Outros Animais" de Jonh Gray , da Lua de papel. Livro que recomendo vivamente!

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publicado às 22:55


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