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Os lagares abriram! Campanha da alfarroba, quase no fim, suspensa e há que apanhar rapidamente, dentro dos possíveis, as azeitonas. A alfarroba pode esperar nas árvores e no armazém. As azeitonas têm que ser levadas atempadamente para o lagar, senão... o azeite fica no chão do armazém. O balde pêndulo é uma invenção deste vosso influencer: balde à altura do apanhador, gancho comprido para puxar os ramos mais altos. O trabalhador opera em pé. As costas deste vosso velho, literalmente, servo agradecem. Esta semana vão ser difícil. Vêm aí muitas atividades literárias...
As tradições são para manter! Manhã a britar azeitonas. À tarde, bem à tarde, continua a longa campanha da alfarroba. Depois vêm as azeitonas. E ainda nem apanhei os figos, tem que ser antes da chuva, do chão para a aguardente. E ainda tenho umas telhas partidas pelos homens da fibra ótica para mudar. E anda por aí uma criatura literária a nascer... A vida no campo é de uma monotonia que até arrepia.
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Depois da alfarroba, vem o figo seco. Para torrar, para os doces de todos-os-santos (figos cheios e estrelas com amêndoa), para encerar e para levar à destilaria fazer aguardente de figo. Passei. Depois vêm os marmelos. A marmelada, o doce de marmelo e a geleia já se servem ao pequeno-almoço, ao lanche e à sobremesa. Depois vem o vinho.Passei. Depois vem azeitona. Noutros tempos já tive azeite todo o ano e ainda para dar aos amigos. Varejar azeitonas é um suplício. Apanhá-las, super complicado. Desisti. Já as ofereci aos vizinhos mas nenhum, até agora, pareceu aceitar tão generosa dádiva. Hoje decidi-me apanhar algumas para conserva. Petisco admirável mas nada aconselhável para a saúde. Sobretudo para a próstata... Meti a pick-up debaixo de uma oliveira de frutos gordos e saudáveis, subi para as traseiras e apanhei as melhores azeitonas da árvore.
Sei fazê-las britadas, retalhadas e de sal. As britadas são as primeiras. Ainda pouco maduras dá-se-lhes uma martelada e põem-se em água e sal. Muda-se a água de dois em dois dias e quando já estão comestíveis junta-se-lhes os temperos. Alho, poejo, orégãos e outras ervas aromáticas. As retalhadas, já maduras, levam cortes em quatro semi-meridianos e seguem-se os procedimentos das britadas. As de sal fazem-se a partir das azeitonas mais maduras, já arroxeadas, às vezes apanhadas do chão, e entremeiam-se durante um mês com sal. Depois são escaldadas com água quente e servidas com azeite e cenoura cozida. Hoje dediquei-me a retalhar azeitonas pela tarde. É uma tarefa perigosa. Roda-se a azeitona (movimento de rotação) e vai-se dando cortes (3 ou 4) longitudinalmente. Para além de salpicar sumo de azeitona por todos os lados, o que exige o uso de um bom avental, é um milagre não cortar os dedos. Tudo correu na perfeição e as azeitonas já estão em água e sal à espera que o tempo, e a mão do artesão, as tornem deliciosas.
Depois vêm as laranjas ...
Não há nada como viver num apartamento...
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