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Noite Inacabada

por vítor, em 02.11.07
Um homem triste
Atravessa a linha do horizonte
Transporta nas mãos
Um saco de sonhos desfeitos.
Uns, tornados reais, dilacerantes
Outros possíveis e intocáveis, refractários
Alguns impossíveis, opacos ao alcance dos cabelos
Entornados.
 
Na enlameada estrada da vida
A existência comprometeu-lhe
Sorrisos desafiantes
Efémeros e vãos
Num cadinho de ilusões borbulhantes.
 
Atravessa o horizonte
Deixando atrás dos seus pés
Um rasto de flores, cemitérios e
Paixões
Um pesadelo, hálito incandescente
Na composição das águas
Em solavancos etéreos e ocos
Montanhas por cumprir sem
Compaixão desinibida.
 
Alguém cria na noite inabitada
De seres semeados em bandos de aves
Brancas
Calafrios gritantes na escuridão da mente entupida.
 
Alguém elabora um critério
Estranho e melancólico
Para avaliar os que tombaram
Nas ladeiras íngremes sem olhar
No soluçar prenhe das conveniências
Saltando degraus no comboio parado
Fora dos ferros paralisantes
Na implosão doentia
Das criaturas ofendidas.
Num caldo morno que arrefece
(O longínquo nascimento das púrpuras mamas entumecidas)
Apontando o sexo da minoria escalavrada
Os servos da orgia viciante e vermelha
 
O rio, a garça, sem graça, cinzenta que persegue
Os peixes voláteis
Sem tempo no tempo interminável.
 
Hoje atravessas a linha flutuante
No futuro perpetuas a árvore de pé
A teus pés
És um homem ensimesmado sem contornos
Reais.
 

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publicado às 17:48

A Respiração dos Pássaros

por vítor, em 03.09.07
Longas filas no
 desespero da
palavra insegura e rara do
combustível hipocêntrico na
equação que implode na
respiração dos pássaros

Longas filas na
noite crua no
substrato silencioso e oco das
substâncias prenhes da
rebentação patética e orgástica das         ondas do
cutelo suspenso separando as carnes

Longas filas de cadáveres mutilados aspergindo
órgãos e membros na
erecta estrada que nos separa.


PS: Poema internacional. Uma parte feita em Ayamonte ( na fila para a gasolina daí: longas filas e o combustível lá se vai a poesia da coisa) e a outra em Monte Gordo no café. Também criado no dia de regresso ao trabalho. Terá alguma coisa a ver?

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publicado às 12:22

Uma Porta Encravada

por vítor, em 24.06.07
Uma porta encravada
na vida residual,
no gene obliterado e
cru,
barra o mandamento final
da solidão.

Uma porta no caminho
irrecusável,
no sulco apoteótico
das substâncias,
no campo lavrado
das minudências repletas
de caos.

Algures, entre nada e confusão, asperge o sémen
da vizinhança
ressabiada e nua das origens
comprimidas.

A porta não revela o caminho
coordena, condena e avalia,
saufraga e implora
a  violação suprema do peixe,
da cruz e dos espinhos.

O Universo prenhe
de raiva imaculada
e ra(o)sa.

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publicado às 15:39

Como Serpente Violeta

por vítor, em 30.04.07

Como uma serpente violeta aos saltos na floresta

cheguei aqui

onde o mar explode em reflexos

de luz de crisântemos.

Como serpente apaixonada pela mulher

na paisagem abandonada

outrora rasgada pelo calor da água.

                                      

 Cacela Velha (7-1-07)

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publicado às 23:19

O Momento da Palavra Descalça

por vítor, em 23.03.07

 

                  Tão pouco tempo...

Foi tão pequeno por ti

O momento da palavra descalça

Na areia impossível de entender.

 Sempre sozinho trará leituras

Para conseguir espreitar

Os barcos.

 

Em vão drogas atiradas ao mar e nunca

Recuperadas por corpos suados do mar

E punhos com latidos de lá.

 

Procura nos teus sonhos

Mulheres de costas voltadas ao Sol.

 

Rebentou um canhão na província.

Os camponeses procuraram não rir.

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publicado às 19:03

Arquitecto Árvores

por vítor, em 09.03.07

Arquitecto árvores

Recito serpentes alienadas

Monstros na superfície do silêncio

Rebento os poros aquáticos

De corsários na dança dos espelhos

O pus nu das tranças enjauladas.

 

Pomba sem ramos

Ecos de um olhar que não entendo

Abraço cru na noite lacrada.

 

Tudo o sinto por ti

E por ti recito serpentes alienadas

Por flautas do pensamento.

 

Vem, passo na noite

Canção embriagada pelo vento

Nas fraldas da tempestade homérica

Em garrotes fascizantes .

 

Adoro-te e por isso arquitecto árvores

Até à eternidade ...

 

 

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publicado às 21:53

Acorda

por vítor, em 15.02.07

Acorda

Acorda aquela mulher.

Tens uma moeda?

É noite

A madrugada pressente-a

Acorda

Vem à cidade

E grita com os cabelos revoltos.

Acorda

Não deixes a noite morrer

Sem me contares a tua história,

A tua interpretação do sonho.

Acorda

Acorda aquela mulher.

Tens uma moeda?

É pedra

Montanha de medo e sombra.

O filho do homem

Esperou sem sono.

Tens uma moeda?

Não, aquela mulher não se vende.

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publicado às 11:26

Larva Semiótica

por vítor, em 15.02.07

 

 

 

 Escreves como um profeta ateu

Sem direcção absoluta.

Linhas tortas que entoam

Sinaléticas mortais.

 

Escreves contra a coragem dos alinhados

Contra os que dizem sim

Não sabendo o que é ser livre.

Contra tudo, sem paz

E atabalhoadamente simples.

 

Escreves como serpente na terra leve.

Não há truques

Sorves a animalidade dos restos

Hipnóticos dos muros envolventes.

 

Escreves palavras, sons malditos

Que verberam as mentes sábias

Palavras uivantes na chuva irradiante

Uma escola sem aprendizagem

Na lenta escuridão dos séculos

Larva semiótica na pele quebradiça,

Nas dunas prenhes

Do sedimento vital e cru.

 

Escreves ao sabor das correntes sem dor

Dos cômoros de pólvora lavrada

Num fim de tarde na esplanada fria.

 

Escreves no sonho, antes do pesadelo

Na cruenta noite do sexo

Encantando sílabas pessoais e impróprias

Revelando saltos no texto infinito.

 

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publicado às 11:18

Gregaridade Primeva

por vítor, em 15.02.07

 

 

 

 Serei imoral?

Mais que isso, vivo sem portas,

Sou o ácido

Que devora a sociedade?

A gregaridade primeva?

 

T(r)oco-a      e sofremos

Rasgo-a         e  a solidão podre aplaude.

 

O poder é uma pena

Que cai lentamente

Ajudada pela pressão

Dos nossos braços

A manter-se

Religiosamente nos montes.

 

 a revolução é um contrabalanço de poder, embora, inconscientemente, todo o revolucionário tenha como adquirido  que ela é a sua destruição total.

 

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publicado às 11:02

Natureza Morta

por vítor, em 30.01.07

A contenção da laranja

irrompe na escuridão global

da gramática improvisada

espelho virtual

em combustão.

 

Terminologia invulgar

na precedência dos ciclos

intemporais e inúteis,

na lâmina escorrendo

confluências sanguíneas

em relações implementadas a

dois.

 

Eu e a minha

natureza morta.

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publicado às 09:54


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