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Falas de Civilização...

por vítor, em 01.06.08

 

 

 

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

(Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa)

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publicado às 00:09

2º Aniversário

por vítor, em 08.05.08

 

(Anselm Kiefer)

 

Nos campos infindáveis de restolho à procura do silêncio... inevitável.

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publicado às 22:14

Criador e Criatura

por vítor, em 11.03.08


A vida, não faz sentido sem a morte. Paradoxalmente tudo fazemos para fugir a esta última. Uns escolheram o embuste já há muito traçado: a religião. Enganam a si próprios crendo numa vida eterna e bem melhor do que a sacrificada que levam, para além dela. Virgens e outros petiscos assombrosos os esperam pós-morte . E quantos crimes se cometem procurando uma passagem rápida para este mundo sensacional sem sensações. Sem sensações porque sem o bem não existe o mal. Num mundo paradisíaco não há festa, nem rito, nem mito. sem rupturas persiste a morte. A vida no "céu" é, assim, a confirmação da morte. Outros tentam, desesperadamente, sobreviver através das suas criaturas. se as criaturas têm memórias (são vidas), pode-se prolongar a vida depois da morte. Familiares, amigos, inimigos e simples conhecidos transportam-nos mesmo depois dos bichos terem começado o seu trabalho após o último suspiro. Mas estas criações efémeras depressa nos seguem no caminho sem retorno e com elas morremos outras vezes. Mais uma vez a morte nos é favorável: quantas mais vezes morrermos mais tempo persistimos vivos. Finalmente os desafiadores da morte que através da criação artística pensam livrar-se da velha senhora. Estes crêem que as suas criações serão o garante da sobrevivência histórica. Quanto maior a criação, maior (e melhor, diria eu) será a viagem pelos labirintos da existência. Fecha-se o círculo. A arte imita a religião. O eterno encerra-se no fim. A criação e o criador, o grande criador, frente a frente nos confins da planície eterna. No vazio estéril da unicidade. No retorno (eterno) ao tempo antes da vida. No regresso ao aconchego da não existência. A criatura autonomiza-se e rejeita o criador no momento da "ultima cinzelada". Seguem caminhos diferentes e por vezes antagonizam-se e anulam-se. A sobrevivência da criatura não transporta a imortalidade do criador. Nem mesmo quando a criatura se torna num mundo dentro do mundo e se impõe como parte da história da humanidade. O artefacto artístico, aliás, não existe em si. É apenas um feixe de sensações na psique dos que os apreciam. Uma miríade de complexos que os sentidos peneiram e revolvem até ao destino final, mas não último dos vivos. Quando ouço as sinfonias da Beethoven, não reconheço nelas um velhinho surdo e triste . Quando admiro os "Girassóis" de Gog , nunca me sinto transportado à húmida e sombria juventude do seu criador, nós férteis polders dos Países Baixos, quando me envolvo nas palavras proféticas de Pessoa, não vejo um ser andrógino esgazeado pelos vapores do álcool. Ao contrário de Camões, não entendo a arte e a glória como uma forma de libertação da morte. Penso na vida mais como um "filósofo politicamente incorrecto ": " Cago na imortalidade sem corpo"!

(texto meu que agradavelmente encontrei num blogue brasileiro e que acho interessante repostar)

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publicado às 22:25

Imortalidade

por vítor, em 14.02.08


A imortalidade sem corpo é uma crença de cobardes.

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publicado às 23:28

Um idiota como os outros

por vítor, em 22.11.07


A sua primeira vitória contra a estupidez foi quando descobriu que era um idiota. A constatação foi dolorosa mas, incompreensivelmente, reconfortante.
Mais tarde, muito mais tarde, conseguiu a estocada final contra  a idiotice em si instalada. Compreendeu, entranhou,, apalermado, que todos os homens eram estúpidos.
Uns mais estúpidos do que os outros, como é bem de ver.

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publicado às 22:19

O charme pesado da burguesia

por vítor, em 08.11.07
Ele tem uma casa como esta.



Uma esposa como esta.



Um carro...



Passa férias em sítios como este.



Ele é o burguês. Coitado...

Vive  na caverna de Platão...

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publicado às 19:08

E o homem criou os deuses

por vítor, em 23.10.07

 

 

 

O homem criou deus ao longo de milénios. A obra é o que é. O homem o fez o homem o fará desaparecer. Perecerão juntos... e parece-me que, como sempre, a desconstrução  será mais rápida do que a construção. Muito mais rápida...

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publicado às 16:46

 

 

 

A vida, esta vida, não faz sentido sem a morte. Paradoxalmente tudo fazemos para fugir a esta última. Uns escolheram o embuste já há muito traçado: a religião. Enganam a si próprios crendo numa vida eterna e bem melhor do que a sacrificada que levam, para além dela. Virgens e outros petiscos assombrosos os esperam post mortem . E quantos crimes se cometem procurando uma passagem rápida para este mundo sensacional sem sensações. Sem sensações porque sem o bem não existe o mal. Num mundo paradisíaco não há festa, nem rito, nem mito. sem rupturas persiste a morte. A vida no "céu" é, assim, a confirmação da morte.

 

Outros tentam, desesperadamente , sobreviver através das suas criaturas. se as criaturas têm memórias (são vidas), pode-se prolongar a vida depois da morte. Familiares, amigos, inimigos e simples conhecidos transportam-nos mesmo depois dos bichos terem começado o seu trabalho após o último suspiro. Mas estas criações efémeras depressa nos seguem no caminho sem retorno e com elas morremos outras vezes. Mais uma vez a morte nos é favorável: quantas mais vezes morrermos mais tempo persistimos vivos.

 

Finalmente os desafiadores da morte que através da criação artística pensam livrar-se da velha senhora. Estes crêem que as suas criações serão o garante da sobrevivência histórica. Quanto maior a criação, maior (e melhor, diria eu) será a viagem pelos labirintos da existência. Fecha-se o círculo. A arte imita a religião. O eterno encerra-se no fim. A criação e o criador, o grande criador, frente a frente nos confins da planície eterna. No vazio estéril da unicidade. No retorno (eterno) ao tempo antes da vida. No regresso ao aconchego da não existência.

A criatura autonomiza-se e rejeita o criador no momento da "ultima cinzelada". Seguem caminhos diferentes e por vezes antagonizam-se e anulam-se. A sobrevivência da criatura não transporta a imortalidade do criador. Nem mesmo quando a criatura se torna num mundo dentro do mundo e se impõe como parte da história da humanidade. O artefacto artístico, aliás, não existe em si. É apenas um feixe de sensações na psique dos que os apreciam. Uma miríade de complexos que os sentidos peneiram e revolvem até ao destino final mas não último dos vivos. Quando ouço as sinfonias da Beethoven, não reconheço nelas um velhinho surdo e triste . Quando admiro os "Girassóis" de Gog , nunca me sinto transportado à húmida e sombria juventude do seu criador, nós férteis polders dos Países Baixos, quando me envolvo nas palavras proféticas de Pessoa, não vejo um ser andrógino esgazeado pelos vapores do álcool.

 

Ao contrário de Camões, não entendo a arte e a glória como uma forma de libertação da morte. Penso a vida mais como um "filósofo politicamente incorrecto": " Cago na imortalidade sem corpo"! 

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publicado às 15:11

Praga de Monte Gordo

por vítor, em 03.10.07


Havia-te dar uma dor tam grande tam grande,  que quanto mais corresses mai  te doesse e quando parasses arrebentasses!

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publicado às 23:08

O que escolheria se fosse verdadeiramente livre?
Selection  
Votes
A carreira?  7% 4
A vida?  57% 34
As duas?  37% 22
60 votes total


Os mais descarados ainda são os 37% que escolheram "As duas". Como se tal fosse possível.

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publicado às 18:37


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