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Em Rabo de Peixe, tudo nos conduz ao Mar.
Quem expulsa famílias de casas humildes, feitas com as próprias mãos dos moradores, com materiais pobres e achados no lixo dos ricos, e que não tem outro telhado onde se abrigar, só pode ser cruel e mau. Uma sociedade assim mete nojo!
O pranto que por aí vai com o passamento do Jornal de Letras. Meus amigues! Foi só o desligar da máquina: o ruim defunto já estava em estado comatoso há muitos lustros. Acreditem que, talvez assim, possa surgir uma criatura neófita das suas cinzas. Do caldo literário que repousa frio e quedo, neste país acomodado, vai ser difícil nascer algo. Mas acreditemos! Pior, asseguro-vos, não ficamos. E, é sempre bom recordar: é da podridão que emergem as melhores árvores. DEP.
A minha deformação de antropólogo faz-me, muitas vezes, deixar o conforto do sofá para, curioso, assistir a eventos estranhos e singulares. Hoje, para mergulhar no maior espetáculo jamais havido em Tavira, lá fui ao tão publicitado concerto dos Calema. Não conhecia nenhuma canção, mas lá me meti a caminho. Como conheço a cidade há muitas décadas, não me foi difícil arranjar um lugarzinho fácil e relativamente perto do evento. Constatei que, realmente, se tratou do maior concerto já realizado na cidade, e manifestamente muito profissional e eficaz. Ouvi os dois primeiros temas e fui-me dali beber uma cerveja ao centro da cidade, estranhamente calmo. No caminho, a análise antropológica foi-me remoendo as sinapses. Paradoxos da vida: milhares de pessoas, sendo no Algarve, e tendencialmente jovens, mais de metade, seguramente, votantes no chega, celebrando dois rapazes negros, imigrantes, de S. Tomé e Príncipe cantando canções com sonoridades africanas! Como quase sempre, a abordagem do antropólogo traz mais, e mais difusas, dúvidas e questões do que interpretações aceitáveis. Já a cerveja só apresenta uma simples questão: sagres ou super bock?
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