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Vila Real o marquês

por vítor, em 23.05.07

Hoje andei a passear pela magnífica zona pombalina de Vila Real de Santo António. Verifiquei que o edifício da Câmara está a ser demolido (pareceu-me que parte da fachada vai ser poupada)  lamento, no entanto, não estar à vista nenhuma informação sobre o novo edifício a construir. Espero que esteja à altura da grandeza da praça. O anterior, obra que substituiu o fecho original da praça a levante, levado por um incêndio, não era manifestamente digno do magnífico conjunto.

 

Mais uma vez não pude deixar de apreciar o precioso obelisco central.

 

Já agora, e porque se trata de um documento histórico único e valioso, deixo-vos com o que está registado no belo obelisco que se ergue na Praça Marquês de Pombal e que constitui um auto elogio eloquente do promotor da obra.

 

A el Rei, D. José

Augusto, Invicto, Pio

Restaurador

das Armas, das Letras,

do Commercio , da Agricultura,

Reparador

da Glória, e felicidade publica,

Clementissimo pai dos seus Vassalos,

Protector da innocencia ,

vingador supremo da Opressão,

Conservador da Paz Publica

e Inimigo da Discordia ,

O commercio das pescarias

d`esta Villa Real de Santo António,

Levantada em cinco mezes pelas

suas Reaes providencias e Decretos,

que com todo o zelo executou

O Marquês de Pombal,

da inundação do Oceano, em que

Seculos antes estava submergida,

Erigiu este obelisco

para perpetuo padrão do seu

Humilde e Immortal Reconhecimento

Anno de 1755.

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publicado às 22:42


3 comentários

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De jcb a 24.05.2007 às 00:02

Vítor: há aí alguma confusão sua com as datas: repare: a construção da cidade, ab initio, começa em 1774, quase 20 anos depois do terramoto. No obelisco, para maior glória real, diz-se que a cidade foi concluída em cinco meses: na realidade, o essencial do plano original (e não a totalidade) foi cumprido em dois anos. A festa de «inauguração» de VRSA teve lugar a 13 de Maio (dia de aniversário do Marquês) de 1776, mais de 20 anos depois do terramoto. De resto, VRSA é uma pérola do urbanismo - também porque os autores do Plano pertenciam a uma belíssima escola e tinham, desde logo, a experiência da reconstrução da baixa de Lisboa, uma experiência que não poderia deixar de ficar expressa nesta obra maior do Iluminismo.
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De vítor a 24.05.2007 às 00:28

Ufa! O meu velho tormento com as dúvidas foi-se. Sei, tão bem, como sei o ano em que nasci, quando aconteceu o terrível terramoto: 1 de Novembro de 1755. No entanto por qualquer mecanismo psicológico que não controlava, tinha esta obsessão. Vila Real tinha sido edificada durante o ano do terramoto. É realmente incrível! Ainda por cima sendo eu da área de História!
Agradeço-lhe, com força, a denúncia de tal nabice e espero ainda que me perdoe o desenrascanço que usei na reedição do post
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De jcb a 24.05.2007 às 12:52

Tudo bem...

Quanto à Casa da Câmara: só há duas construções na Praça que não respeitam o Plano original: exactamente este edifício dos Paços do Concelho, que foi vítima de um incêndio em 1908 e que, já na República, foi reconstruído com um novo projecto que não respeitou a métrica nem a volumetria do Plano do séc. XVIII; e a moradia contígua à igreja, para Nascente. As obras agora em curso na Casa da Câmara visam, exactamente (além, como é óbvio, da melhoria de condições de funcionamento de um edifício que há muito as tinha perdido por completo), repor essa métrica e essa volumetria, repondo assim muito do valor patrimonial que a Praça tinha perdido. É que há uma expressão matemática subjacente a todo o Plano da cidade que é a base, digamos, de toda a sua importância do ponto de vista urbanístico e arquitectónico: «um mais raiz quadrada de 2». E a Casa da Câmara, após as actuais obras em curso, voltará a participar dessa geometria e dessa matemática que fazem de Vila Real de Santo António uma das mais fascinantes cidades do mundo (desculpe-se-me o exagero, mas é verdade...).

Um abraço.

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