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Depois de um interregno para as azeitonas, conclui hoje, 26 de novembro, a já longa campanha da alfarroba. Como sempre executei a minha tradicional dança da adiafa, famosa por estes campos do barrocal sotaventino, que, por piedade, e pudor, diga-se em abono da verdade, não vos vou deixar em testemunho. Para o ano, se a paciência e a idade mo permitirem, haverá mais. Não há fim algum. Aquilo que alguns julgam ser o derradeiro, não é senão o princípio de uma outra coisa qualquer. Haja saúde!

O nosso amigo Rogério Cão, um algarvio de Vila Nova de Famalicão, é o Prémio Calceteiros de Letras 2025. Este Prémio, uma espécie de óscar algarvio, foi-lhe atribuído pela sua carreira de actor, poeta, diseur, divulgador cultural e, digo eu, pela excelência enquanto ser humano, foi, e é, mais do que merecido. Viva o Rogério Cão!
Os lagares abriram! Campanha da alfarroba, quase no fim, suspensa e há que apanhar rapidamente, dentro dos possíveis, as azeitonas. A alfarroba pode esperar nas árvores e no armazém. As azeitonas têm que ser levadas atempadamente para o lagar, senão... o azeite fica no chão do armazém. O balde pêndulo é uma invenção deste vosso influencer: balde à altura do apanhador, gancho comprido para puxar os ramos mais altos. O trabalhador opera em pé. As costas deste vosso velho, literalmente, servo agradecem. Esta semana vão ser difícil. Vêm aí muitas atividades literárias...
As tradições são para manter! Manhã a britar azeitonas. À tarde, bem à tarde, continua a longa campanha da alfarroba. Depois vêm as azeitonas. E ainda nem apanhei os figos, tem que ser antes da chuva, do chão para a aguardente. E ainda tenho umas telhas partidas pelos homens da fibra ótica para mudar. E anda por aí uma criatura literária a nascer... A vida no campo é de uma monotonia que até arrepia.

Depois de nos ter acompanhado por essa Europa fora, ter atravessado o deserto no sul de Marrocos e corrido Portugal de lés a lés, o "Balila", o nosso primeiro carro, encaminha-se para um cemitério de automóveis. Já há muito imobilizado (não conseguimos desfazer-nos dele quando, exausto, parou para sempre), depois de ser casota de cão e de constituir uma elegante escultura que marcava a quinta, o seu estado de degradação não permitia mais a sua presença junto de nós. Mesmo assim, foi com os olhos húmidos que nos despedimos dele até sempre. Só agora, que lavro este post, me esqueci de verificar se o Aniceto Soares-Pinto Rua (reminiscências políticas de antanho), o pato de borracha pendurado no retrovisor, e já meio fundido pelo Sol, o acompanhou. Amigos para sempre...
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