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fim da campanha da alfarroba 2025

por vítor, em 15.12.25

Depois de um interregno para as azeitonas, conclui hoje, 26 de novembro, a já longa campanha da alfarroba. Como sempre executei a minha tradicional dança da adiafa, famosa por estes campos do barrocal sotaventino, que, por piedade, e pudor, diga-se em abono da verdade, não vos vou deixar em testemunho. Para o ano, se a paciência e a idade mo permitirem, haverá mais. Não há fim algum. Aquilo que alguns julgam ser o derradeiro, não é senão o princípio de uma outra coisa qualquer. Haja saúde!

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publicado às 14:08

Cão, Calceteiro de Letras 2025

por vítor, em 15.12.25

O nosso amigo Rogério Cão, um algarvio de Vila Nova de Famalicão, é o Prémio Calceteiros de Letras 2025. Este Prémio, uma espécie de óscar algarvio, foi-lhe atribuído pela sua carreira de actor, poeta, diseur, divulgador cultural e, digo eu, pela excelência enquanto ser humano, foi, e é, mais do que merecido. Viva o Rogério Cão!

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publicado às 14:04

três vezes Marraquexe

por vítor, em 15.12.25
Fui a Marraquexe três vezes. A primeira, em 1983, à boleia e de comboio. Desci na cidade com um dos meus maiores amigos, o Pedro Arroio, que já só nos acompanha no coração, depois de uma longa e indescritível viagem desde Meknés em terceira classe com bancos de madeira. Tudo fizémos, rejeitando toda a espécie de guias dedicados, para nos perdermos na medina. E tantas vezes o conseguimos como o desconseguimos, como dizia a outra. Jovens sem preocupações com o futuro, dormíamos na açoteia de um riad desprezível, mas de biliões de estrelas. O regresso foi horrível, o Pedro adoeceu e Marraquexe ficava num outro mundo. A viagem à boleia durou semanas e a febre só baixou quando atravessámos o Guadiana de barco para a nossa margem.

A segunda, em 1985, foi de carro. Um velho Renault 4, de traseira arredondada e generosa para mochilas e dormidas de ocasião. Éramos 2 rapazes e três raparigas. Uma delas já tinha ocupado o meu coração para sempre. O outro miúdo era, e é, o meu mais antigo amigo, desde a aldeia genética até ao mundo, das outras duas meninas, que enloqueciam os autóctones, podemos dizer que eram do Norte, Gaia e Famalicão, e que uma faz anos hoje. A viagem foi, como não poderia ter deixado de ter sido, com cinco jovens e um 4L, aventurosa e mágica e, só para vos dar um cheirinho, vou-vos relatar dois momentos da nossa estadia na cidade vermelha caricatos e cómicos: quando chegámos, instalámo-nos no riad Essaouira, onde eu, já, e único, conhecedor da cidade, dormira por noites na tal açoteia estrelada, num quarto para cinco. Na primeira noite as baratas eram tantas que o chão parecia negro. As meninas aos saltos em cima dos frágeis divãs, os heróicos rapazes de jornais dobrados em riste esmagando e desbaratando, literalmente, os omnipresentes insectos. No último dia quando nos deslocámos para a generosa viatura que, acauteladamente deixáramos perto de uma esquadra de polícia, e por onde passámos uma ou duas vezes durante a semana de estadia na cidade, para ver se estava tudo bem, dirigiu-se-nos um sujeito a informar-nos que tinha estado a guardar o carro durante a sua permanência no local. Exibia, até, um crachat que, supostamente, lhe dava autoridade legal para o referido serviço prestado. Alegámos que não tínhamos requerido o serviço e, atabalhuadamente, perante os protestos veementes do guardador de automóveis e uma chusma de curiosos que se aproximava do local da discórdia, quiçá cúmplices do despeitado, metemos a tralha que trazíamos no carro e acomodámo-nos na viartura. Quando o condutor deu à chave, uma, duas, e mais umas quantas vezes, o dimarré não deu a resposta desejada. O carro não pegava! Tivémos que recorrer à mão-de-obra ali à mão, passe a redundância, para empurrar o carro e o pôr a trabalhar com sucesso, depois de bem os remunerar antecipadamente, brincas!? Deixámos a cidade, com o carro aos solavancos, saudados com aplausos, festa e apoteose. A apoteose dos espertalhões europeus, claro.

A terceira vez, na sexta-feira, cheguei a Marraquexe de avião. Um horita desde a capital do reino dos Algarves. Nada de especial para contar das viagens: uma hora para lá, uma hora para cá. De resto, tudo continua igual: viagem com amigos e uma medina caótica, exótica e fervilhante. Seguramente mais turistas e mais motas e menos burros e carroças. Mais fumo e menos bosta.

Tão rápido como ir de Tavira a Portimão.

Parabéns Henriqueta! Minha Quitinha!

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publicado às 14:01


Entre ... e ... também corre um deserto de pedras.



Uma borboleta pousou numa nespereira morta.

Uma abelha morta no meio do cus-cus.

Nunca digas que os santos não mordem e que as divas em vias de extinção não atiçam fogo no coração dos galãs postiços. Pastor de criaturas sedentas numa terra sem ervas. Segue os rios secos do deserto e desafia para a caminhada as mulheres que se cobrem de raiva e medo e se acocoram nas bermas do destino. Contempla as árvores de argan e rejeita os apelos das torres altas da medina. Recolhe os excrementos das cabras que povoam as árvores, visita a cooperativa das mulheres que fabricam os unguentos e besunta o teu corpo do óleo sagrado de argan. Procura o caminho do mar. Sempre o caminho do mar, e, quando o encontrares, lava-te nele de todos os desejos insanos. Insanos e belos. E antigos como os pomares esquálidos de argan.



Quando abandonares as areias de sangue da praia de Mogador, e as ilhas de púrpura, onde colherás o molusco roxo que trouxe as barcas, serás outro. Outro mais antigo do que o que aqui restará.

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publicado às 13:59

eleições nO GLORIOSO

por vítor, em 15.12.25
Desde que um benfiquista racista, há os em todos os clubes, e, infelizmente, por todo o lado, fundou um partido e usou o clube, sem nenhuma demarcação do presidente da altura, de seu nome Luís, que deixei de ser sócio do clube do meu coração e pelo qual sofro, e exulto, desmesuradamente, com sérios riscos para a saúde. Soube agora dos resultados das eleições de ontem e, se houvesse democracia a sério, ou seja, um homem um voto, teria ganho o candidato que apoio: Rui Costa! Espero que ganhe à segunda volta! Está mais maduro, melhor acompanhado e espero que isso ainda se vá sentir nesta época desportiva.
PS. Por acaso tenho cá em "casa" dois jovens que, sofrendo nas derrotas e endoidecendo de alegria nas vitórias, não votaram, porque votaram, como eu teria votado.😪

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publicado às 13:57

Escritos e Escritores - Aviz 2025

por vítor, em 15.12.25
Crónica de um fim-de-semana mágico. Não foi só porque aqui dei à luz a minha mais nova criatura, e isso seria suficiente para transportar Avis na minha alma para sempre, que nestas terras do Mestre passei uns dias espantosos e enternecedores. Foi, sobretudo, a forma como fomos recebidos e acarinhados por todos os que, com coragem e determinação, e uma, há que dizê-lo, boa dose de loucura, conduzem este encontro de "Escritos e Escritores", em Avis, por mares revoltos há 14 hierofanias. E a importância que têm estas iniciativas nestes territórios deprimidos e abandonados pelos vários poderes politico-administrativos. Um encontro entre gente boa! Escritores independentes, editores apaixonados, fotógrafos e poetas das comunidades deste imenso Alentejo, leitores desconcertantes e gentes simpáticas e acolhedoras vagabundeando nestas lindas terras de águias.

Longa vida ao encontro Escritos e Escritores! Longa vida aos Amigos do Concelho de Avis!

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publicado às 13:53

agroliteratura

por vítor, em 15.12.25

Os lagares abriram! Campanha da alfarroba, quase no fim, suspensa e há que apanhar rapidamente, dentro dos possíveis, as azeitonas. A alfarroba pode esperar nas árvores e no armazém. As azeitonas têm que ser levadas atempadamente para o lagar, senão... o azeite fica no chão do armazém. O balde pêndulo é uma invenção deste vosso influencer: balde à altura do apanhador, gancho comprido para puxar os ramos mais altos. O trabalhador opera em pé. As costas deste vosso velho, literalmente, servo agradecem. Esta semana vão ser difícil. Vêm aí muitas atividades literárias...

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publicado às 13:52

As tradições são para manter!

por vítor, em 15.12.25

As tradições são para manter! Manhã a britar azeitonas. À tarde, bem à tarde, continua a longa campanha da alfarroba. Depois vêm as azeitonas. E ainda nem apanhei os figos, tem que ser antes da chuva, do chão para a aguardente. E ainda tenho umas telhas partidas pelos homens da fibra ótica para mudar. E anda por aí uma criatura literária a nascer... A vida no campo é de uma monotonia que até arrepia.

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publicado às 13:50

A viagem é uma terra estranha

por vítor, em 15.12.25
Sempre me irritou que os que vinham da cidade à minha aldeia soubessem falar das suas belezas e idiossincrasias melhor que eu e do que os que nela viviam. Falavam da aldeia como eu nunca a tinha visto nem pensado. Mais tarde, quando já tinha viajado até às cidades longínquas, e voltava à terra que me tinha visto nascer, também eu via e sentia coisas que nunca tinha visto e sentido antes. O inebriante cheiro da flor de laranjeira. O silêncio denso das alfarrobeiras. O corte de cabelo dos homens. O cheiro inimitável das tabernas. Os lenços cobrindo as velhas. As camisas de franela aos quadros dos pescadores. A melancolia dos caminhos. Quando voltei a primeira vez, sentia-me um estranho na minha própria terra. Até, no meu corpo. E esta nova perspetiva ainda mais me doía do que a que sentira em criança perante a opinião dos forasteiros de antanho. Tão infeliz e triste que jurei nunca mais sair das suas fronteiras porosas. E quando a aldeia se afastou dos seus antigos moradores, tornei-me um forasteiro numa terra nova. Já não saio dela quando saio dela.

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publicado às 13:48

Balila para sempre

por vítor, em 15.12.25

Nenhuma descrição de foto disponível.

Depois de nos ter acompanhado por essa Europa fora, ter atravessado o deserto no sul de Marrocos e corrido Portugal de lés a lés, o "Balila", o nosso primeiro carro, encaminha-se para um cemitério de automóveis. Já há muito imobilizado (não conseguimos desfazer-nos dele quando, exausto, parou para sempre), depois de ser casota de cão e de constituir uma elegante escultura que marcava a quinta, o seu estado de degradação não permitia mais a sua presença junto de nós. Mesmo assim, foi com os olhos húmidos que nos despedimos dele até sempre. Só agora, que lavro este post, me esqueci de verificar se o Aniceto Soares-Pinto Rua (reminiscências políticas de antanho), o pato de borracha pendurado no retrovisor, e já meio fundido pelo Sol, o acompanhou. Amigos para sempre...

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publicado às 13:46

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