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peixes de metal

por vítor, em 29.04.11

 

 

Peixes de metal no meio da rua

 

É assim que os olhos determinam

O sonho arruinado envolto

Em profundas conversas inscritas

No palimpsesto do calendário volátil,

Determinam a divulgação que subsidia

E escancara as asas do desejo amaldiçoado

Avançando na página reescrita, esmagando

 A autonomia das palavras finais.

O olhar estende-se pelo leito da memória,

Atinge os colapsos da energia brutal da arbitrariedade.

Nunca apareças na noite inacabada,

O que sabes resgata o futuro concedido,

O reconhecimento destinado a liquidar

O vazio que apodrece no silêncio.

Na calçada que se estende até às águas

Desfilam peixes de ferro fundido

Que pisas recuando à infância feliz,

Ao rumorejante eco das mãos pronunciando

 O sorriso da noite. Da noite guardiã das falas

Fundacionais, da serenidade nauseabunda

Que te acorrenta os pés. É aí, na genealogia

Do medo, o território que te conduz os passos

Na irrepetível caminhada rompendo os tempos

Que te levam ao fim, à degradação inútil.

Libertas-te do manto moral que te aconchegou

Os dias e atravessas a luz que nunca

Ousaste ultrapassar, a fronteira que abre

As portas da violência falhada e orgulhosa.

E agora?, perguntas à insanidade que exala

Dos excrementos postos a nu pela ousadia

Empreendida. E agora?

Nunca há respostas quando penetras

Na solidez das águas, no ermitério que envolve

A enigmática escultura que desocultas

Da sociedade alienada e castradora,

Da multidão que se barrica, impedindo

A libertação das almas. Enfrentas o ódio

Que se ergue das entranhas públicas

Escarnecendo dos desperdícios libertados

Pelo consenso tribal e avanças como apóstolo

Do absurdo nas mordomias que a ti próprio impões.

O corpo cansado resiste ao sentido que desenhaste

No plano de fundo da tristeza. Resiste e apropria-se

Da vontade que contamina as leituras paradigmáticas.

Os peixes de metal guiam-te no caminho das águas.

 

VRSA   27/4/11

 

 

 

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publicado às 00:00

No dia 23 de Abril de 1974, o meu irmão entrou para a tropa no Quartel da Atalaia em Tavira. Tinha o destino traçado: a Guerra Colonial. A família destroçada. Dia 25 de Abril tornou-se um soldado de Abril. A festa foi total.

 

Dia 25 de Abril, o meu pai escrevia no pontão que atravessa o ribeiro da aldeia "Viva Spínola". Passados alguns dias  caiava o nome que tinha grafitado antes e discursava na Casa do Povo da aldeia que lhe corriam nas veias glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e glóbulos socialistas...

No 1º de Maio de 1974, eu e outros rapazotes como eu pintámos uma enorme faixa onde se lia Viva a Liberdade e fomos a pé, gritando "o povo unido jamais será vencido, até Tavira para a grande manifestação que aí se realizou.

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publicado às 18:24

eu sou a sombra do vento

por vítor, em 18.04.11

Eu sou a sombra do vento,

a silhueta das almas que penetram

a caverna onde repousas os dias

sem retorno. Eu renasço

nos teus lábios quando

a  loucura se esconde no reflexo

do espelho acorrentado, renasço

para morrer em seguida no teu olhar.

Olhar que ampara a dor dos momentos

calados, inerte complexidade da rebeldia

projetada na parede turva do esquecimento.

Eu sou a morte que caminha

ao encontro dos sentimentos que se levantam

na planície instável, ao encontro

dos outros que emergem da noite

e espalham o medo na nostalgia dos incautos.

As tuas mãos afagam-me o cabelo sinuoso

e acalmam a podridão que escorre das pedras.

Só assim se compreende a inquietude das bocas

moribundas, escancaradas na exaustão

das fraturas reverberando o sexo encantatório.

Eu cubro a pele que me recebe pulsando

nas calmarias do pesadelo de sangue, espojo-me

no suor erótico das membranas latejantes

atingindo orgasmos irretletidos.

No barco em que navego ao encontro

das janelas da alma diviso o murmúrio

 dos vagabundos que se aventuram

nos campos ébrios da batalha sem fim,

imprimo os passos que lavram os planos

divergentes da memória coletiva.

Eu sou a sombra do vento e ardo

nas tuas coxas voláteis.

 

Cativa 10/4/2011

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publicado às 15:30

BRUTAL!!!

por vítor, em 10.04.11

 

 

Brutal é um romance onde se representam todos os traumas da infância, da adolescência e da idade adulta resultantes da decadência humana: violência doméstica, abuso sexual e disfunção emocional. Brutal tem como base narrativa dois personagens que são um só – um jovem e um velho, duas idades da mesma pessoa, ambos fascinados pelo teatro – que, no cenário das suas próprias vidas, dramatizam impiedosamente os momentos que fundamentam e marcam as suas existências. Nesse palco do romance são postos em causa e analisados, até à humilhação de se sentirem culpados um do outro, na relação perversa que ambos sentem pela natureza humana. É um duelo entre a maldade e o remorso, onde o amor e a escrita são meros figurantes.

 

O novo livro de Fernando Esteves Pinto na Babel. O meu amigo, e sócio na editora 4águas, Fernando em grande. Merece-o. É um escritor fabuloso e um trabalhador incansável.

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publicado às 14:52

palavra ibérica

por vítor, em 08.04.11

 

Há sempre um escritor desconhecido entre o almoço e o jantar...

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publicado às 22:23

transeuntes 2 edições CATIVA

por vítor, em 01.04.11

 

À venda, quase só, aqui no tasco.

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publicado às 14:00


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