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Dennis Hopper (1936-2010)

 

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publicado às 21:22

o olhar desinteressado dos cúmplices

por vítor, em 24.05.10

 

Não é permitido o uso de qualquer sistema informático e/ou audiovisual. A placa de contraplacado com estes dizeres longos e claros era imperativa. Colocada à entrada da taberna, selecionava a clientela. Lá dentro, na penumbra difusa atrás do trava-moscas cantante, vultos dispersos ocupam algumas mesas silenciosas, ocultando os gestos no torpor do dia soalheiro. Uma tarjeta pequena  complementava a sua irmã exterior: reservado o direito de admissão.

Quando penetrei a penumbra acolhedora, ninguém voltou a cabeça, o olhar sequer, para a mudança musical operada pelos canudos pendentes da porta. A claridade esgueirava-se, atrevida, pelo salão, desocultando cones de poeira e fumo dançando no ar. Fumava-se no interior, emprestando à casa um odor a fim dos tempos.

Dirigi-me ao balcão e sentei-me num banco de pé alto, fincando os cotovelos no mármore gasto que separava o espaço público do privado: a vida às escâncaras da vida recolhida.

O seu pedido é uma ordem, disse alguém, a quem não vi os olhos, com voz mansa e rouca, por detrás da barreira, quase intransponível, trave estrutural do estabelecimento de bebidas e petiscos.

Lá fora a tarde deslizava, serena e quente, para os braços da noite acolhedora. As aves procuravam as sombras colhendo os últimos insectos antes do sono.

 

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publicado às 17:15

poemas do banco de trás, na rua

por vítor, em 20.05.10

 

Saiu hoje para a rua. Debruce-se para dentro de nós e entre para o banco de trás. Venha respirar o futuro.

 

 

quando inclino o corpo

 

 

Quando inclino o corpo para a lentidão

redonda dos teus seios, vejo atentamente

que ainda não respiro o futuro.Sabes,

o pólen cai na boca dos que abrem

o silêncio. Sobra talvez uma fuligem em

cada pulso, levanta-se um leve vento,

mas os dias animados sequer encolhem

quando enlouqueces com as tuas baças

unhas amarelas...

 

Não é assim a casa desta manhã quando

os pintassilgos folheiam os cardos, e a cama

é devagar ao lado duma fogueira desmaiada.

As cabeças estremecem um pouco no

regresso do sol das dunas, há um navio

que deambula ainda no corpo, na exígua

memória duma guitarra e outras cordas e peixes.

Sim, alguém se debruça para dentro de nós,

quer sacudir a profunda alegria de sermos

uma realidade com sonho aberto...

 

Todavia temos os castelos que inventámos

após o murmúrio dos pinheiros altos, onde

guardámos as amoras, os medronhos

secos. Bebemos agora a água que resta

doutro vinho, proclamamos a prenhe volição,

a visceral palavra, e embora com uma ramela

a descansar em qualquer labirinto disponível

somos um carrossel de emoções descobrindo

aquilo que pressagiámos durante a vária

areia. Inclinamos o corpo e vemos atentamente

que ainda não respiramos o futuro...

 

Rui Dias Simão, Maio de  2010, edições CATIVA.

 

À venda neste modesto estabelecimento pela módica quantia de 7,5 euros (+ envio).

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publicado às 23:07

o albatroz

por vítor, em 16.05.10

 

L'Albatros

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

À peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.


[Baudelaire]

 

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publicado às 20:58

mais uma corrida mais uma...

por vítor, em 13.05.10

 

Dia 15 de Maio no Auditório do Campo Grande, Lisboa, pelas 19h

Apresentação: Rui Almeida

Leitura de poemas: Inês Ramos


Sábado lá subirei à capital para duas cerimónias rituais: almoço de antropólogos e lançamento do novo livro de poesia do meu amigo Fernando.
O almoço será uma bela oportunidade para ver velhos amigos e viajar um pouco a momentos  felizes de outrora.
O desabrochar do livro do Fernando, Área Afectada, será um acontecimento literário dos mais importantes do ano. 13 anos depois do lendário e admiravél (esgotadíssimo) Ensaio Entre Portas (em baixo) é com grande expectativa que espero para ter o novo livro nas mãos.

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publicado às 17:16

Domador de Sonhos

por vítor, em 11.05.10

Recomendar a revista é como uma empresa produtora de escovas de dentes recomendar a utilização de uma escova por dia...

 

Paulo Serra

 

Mas vale a pena pelos que não vendem escovas.

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publicado às 00:01

uma onda de felicidade varre o país

por vítor, em 10.05.10

 

A bolsa sobe vertiginosamente, os juros em queda livre. Era disto que o país precisava.

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publicado às 11:14

a felicidade não é uma utopia

por vítor, em 09.05.10

 

Afinal a felicidade é possível. Obrigado campeões!

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publicado às 22:51

o pó inútil

por vítor, em 04.05.10

 

Ainda os dias não se tinham repetido na retina dos transeuntes e já os nossos caminhos se separavam. Os dias cinzentos, dizem alguns, são propiciadores da reflexão e do ensimesmamento intelectual. Quando o sono não aparece nas noites secretas em que o vazio preenche as abóbadas da podridão exagerada, regresso a casa de quem me quer bem. Nunca os solavancos da inexatidão foram suficientes para me deitar por terra. Nos nevoeiros em que  rocei o abismo; nas trevas insanáveis da loucura, socalcos cruéis em carne viva; colhi as temperanças da retidão das pedras, dos muros sinuosos e das serpentes curtidas no alcatrão em fogo. Cruzas a estrada e o vento não te sussurra o perigo que se alevanta, inútil, no pó que te envolve.

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publicado às 19:37


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