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a minha vida por um cavalo

por vítor, em 29.06.09

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publicado às 19:29

Piolho, um café do Porto

por vítor, em 26.06.09

 

Foi preciso esperar pelo ano de 1980 para ultrapassar pela primeira vez  a linha do Douro. Naqueles distantes anos as viagens não eram tão fáceis e para um algarvio da aldeia o Porto era bem longe. O convite para a viagem foi da minha querida amiga Henriqueta e a estadia em sua casa, na  avenida que risca a cidade de Gaia, ao lado da Câmara Municipal e em frente do , também mítico,Café Símbolo. Quando, descendo a longa avenida da República em Gaia, avistei a "cascata sanjoanina", foi paixão para a vida. Esse dia longínquo foi de emoções fortes e inesquecíveis: feira de Vandoma, Ribeira, travessia a pé da ponte D. Luís (fosga-se),Piolho e Majestic. O primeiro simbalino, a primeira francesinha ( gastronomicamente falando, é claro), o primeiro verde tinto. A minha estadia no Porto e em Gaia foi ainda mais épica porque um grande amigo, que aqui às vezes mete o guedelho, também se associou à viagem. Mas como só verdadeiramente se babava quando passávamos lá para o lado das Auntas, vai ficar de fora da história, que é para aprender.O Porto passou a ser uma das cidades do meu coração. Passei a frequentá-la assiduamente e, vejam lá que, morando quase sempre no meu inseparável  Algarve, os meus filhos são naturais de ... Vila Nova de Famalicão, nas barbas da Invicta.

Vem esta converseta toda a propósito dos cem anos do Café Piolho, aliás Café Âncora D`Ouro. Sempre que  vou ao Porto, procuro lá ir tomar um simbalino. Também o fazia ao Majestic mas está plastificado e para o inglês ver e os preços upa, upa. O Piolho é lindo, tem uma esplanada fantástica, uma envolvência urbana deslumbrante e a fauna que por lá para e passa é do melhor Fellini que se pode apanhar.

Faço votos para que se mantenha assim por muitos e bons anos e que nunca acabe por morrer às mãos duns negociantes de hamburguers ou de créditos e débitos.

 

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publicado às 23:36

paradoxos político-festivos

por vítor, em 25.06.09

 

Em Tavira, as "marchas populares" mataram o S.João. A foleirice-pimba arrasou a festa popular, espontânea e autêntica.

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publicado às 00:15

valter hugo mãe no governo

por vítor, em 22.06.09

valter hugo mãe, escritor, estreia-se com vocalista dos "governo". Ouçam-no, aqui, em "meio bicho e fogo":

 

 Dos governo fazem parte António Rafael e Miguel Pedro (dos Mão Morta), Henrique Monteiro (dos Mécanosphère) e valter hugo mãe, na voz. Este duplo CD custa apenas 4 euros e os lucros revertem a favor da AMI, para combate à info-exclusão.
valter hugo mãe, neste governo, não só escreveu os poemas como os interpreta.

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publicado às 15:56

 

Este país tem técnicos e experts em tudo. Agora temos o problema do TGV. Eu, que tenho medo de andar de avião, sou, desde logo, suspeito ao dar a minha opinião.  Caramba, também tenho o direito, embora pouco perceba do assunto. Aliás como a maior parte dos opinadores da nossa praça. Mas como, neste caso, o disparate é inócuo, cá vai ela e por interposta pessoa.

 

O rapaz é reaça mas escreve bem e, neste caso o que ele debita é o que eu penso sobre o assunto. Com certeza que o escriba "roubado" não se vai chatear...

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publicado às 15:59

Um Macho Sem Dez Tostões

por vítor, em 18.06.09

 

  Seguia estrada acima com uma dor manhosa no duodeno. Martelava as pedras do caminho com as velhas botas da tropa, distante, e talvez pensasse em bebidas estranhas de camone. As ervas da valeta exalavam cores abundantes e silvavam, baixinho, o gozo da carícia do Levante. Naquela altura os caranguejos começavam a espreitar, à passagem das pessoas, estendendo as pinças à esmola dos mais avantajados. A crise instalava-se no seio de todas as sociedades, complexas e não complexas, terrestres e marítimas.

Acotovelou um caranguejo à passagem:

·         Xô monstrego de duas bocas sem açaimo.

·         É só pra matar o bicho, pedinchou.

·         Vai trabalhar prá estiva, incapaz.

·         É a espandilose, desculpou-se.

·         A espandilose o caraças, onde já se viu caranguejo com espandilose.

·         É caso único, por isso te rogo dez tostões.

·         Sou macho, muito macho e além disso não tenho dez tostões.

O caranguejo, visivelmente derrotado, voltou ao buraco; estreito e profundo, na lama negra e pestilenta, lavado em lágrimas.

O vento é um eterno agouro, uma voz angustiada de marinheiros que vivem no fundo do mar, sem barcos para navegar.

Escarrou, alto e bom som, sem no entanto parecer indelicado ou mal intencionado. Pensou que os anos não eram mais do que dentes que apodrecem sem razão alguma e que, por isso, são atirados aos telhados das pocilgas onde costumam viver os homens.

É sempre cedo para descontar os impostos dos peixes às mulheres que se vendem por garrafas de champanhe amaricado.

Começou a desafiar as gaivotas sem poder de elevação e enleadas nas nuvens:

·         Então bicos brancos esfarrapados sem tesão, não gritam aos machos que passam? Com que coragem me fixam os olhos de patolas neutros?

Ninguém lhe respondeu e continuou ao acaso em direcção ao ocaso imperturbável. Não há recepção possível por parte dos loucos comuns aos loucos do poder.

Uma vez, quando a mulher das tempestades bonanceiras apareceu ao povo, perguntou-lhe quem era o responsável pelo fluir das bebedeiras dos passarinhos metamorfoseados em passarões com pele de lobo e sentimentos de cordeiro. A resposta foi vaga mas responsável:

·         Um homem foi às traseiras da sua casa numa noite de bonança e se a cidade fosse no seu quintal teria visto toda a confusão da noite na palma das suas mãos.

·         Está bem, disse um amigo de ocasião, e se os anjos fossem realmente bons? A resposta amputaria assim as memórias vazias?

A mulher das tempestades bonanceiras começou a mudar de cores e, quando se tornou amarelada, desapareceu deixando um imenso oceano de respostas nas mentes dos cobardes presentes.

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publicado às 23:39

um domingo como outro dia qualquer

por vítor, em 14.06.09

 

De Santa Luzia a Cabanas em canoa. Toda a manhã percorrendo canais e aportando em ilhas e praias espantosas para dar uns mergulhos. Final da viagem no restaurante da Noélia em Cabanas. Um dos melhores restaurantes de Portugal (excepto em Julho e Agosto).

 

Final da tarde: um dramático jogo de Padel. 2-1, eu e o meu amigo Guapo só por  incontornável falta se sorte carregámos para casa a amarga derrota.

 

Com mais uns Domingos assim, perco a barriguita e vou a Londres em 2012.

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publicado às 23:21

torpor erótico

por vítor, em 11.06.09

Anselm Kiefer

 

Trago os braços caídos. Dizem-me que é a mais triste das decisões.O peito não acompanha a marcha que empreendo. Mas a decisão está tomada. A partir de agora o caminho em que projecto as sombras do meu corpo será o mesmo em que imprimirei os pensamentos que elaboro. Poucos, que o tempo devora as ideias e, até, as ideologias.Os que me chamam das peneplanícies adjacentes, dos abismos perpendiculares, vão ter uma surpresa que os atormentará: levo os braços caídos e a mente não responde às interpelações gritantes que me tentam amparar.

Agora, o destino que aceito  é uma estrada que rasgo na direcção que nunca intersecta vidas tracejantes. Num sentido que é único e não admite desvios ou regressos. Não me venham acenar afectos. Não sorriam ao passar dum sujeito que se centrifugou, condensou toda a sua matéria gregária e se transformou numa negritude de chumbo de onde nada se escapa e onde nada se reflecte ou penetra. "Transforma-te naquilo que tu és" dizia, e dirá para sempre, Nietzsche.

O drama desta decisão é que ela, assentando no mais profundo dos sedimentos da irracionalidade, me é consoladora. E, racionalmente, aceite sem convulsões idiossincráticas. Um torpor erótico sem necessidade do outro. Um tempo que não resiste ao tempo e que perpétua a dormência matricial da memória que se apaga.

Transporto os braços cansados e o que os olhos me transmitem não fixo no pano oblíquo da memória. As longas jornadas que me restam riscarão o chão de forma imperceptível. Ninguém me poderá seguir, nem sequer detectar. Na imensidão das vidas dos outros, espectro e matéria, na incompreensível correnteza dos dias, irei conquistando a solidão. Quanto mais se amplia, mais e mais confuso será o caminho a percorrer. A solidão que emprenha dilata os campos a peregrinar. Peregrinação sem objecto. Viagem ao encontro do nada. Ilusão que confunde os que observam tão estranha caminhada.

Em alguns momentos reparo nas sombras que se deslocam acompanhando as trasladações do corpo. Do meu, que os outros vão longe e a horizontalidade das suas sombras confundem-se com a penumbra do chão difuso. As sombras que que abandono nos calhaus do caminho não contêm a posição dos braços. Caídos. Nelas, os braços apresentam o movimento pendular inverso normal dos braços dos caminhantes. Um avança, enquanto o outro recua. Os meus braços balouçam, levemente, como ramos de árvore na brisa. Vão e voltam com o capricho do acaso. Gémeos no movimento e no desespero. Sinais que rumorejam abandono e desistência. Um mundo neutro onde não há gozo nem dor.

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publicado às 21:58

cebolas e pão

por vítor, em 09.06.09

 

Pintura a óleo sobre cartão prensado             
65x55
Colecção particular

 

Adão Contreiras - anos 80

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publicado às 22:54

asneiras atrás de asneiras

por vítor, em 09.06.09

NO Glorioso tudo funciona na perfeição dos últimos anos. A direcção demite-se, marca eleições e... prepara-se para contratar um novo treinador. O "timing" é perfeito.

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publicado às 00:08

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