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executar o silêncio

por vítor, em 25.10.11

Há sempre palavras que não expressam

Os dias finais, rompendo o tempo, errando

No lajedo das memórias, palavras

Imóveis na narrativa infinita do devir.

 

Abarcar as cicatrizes, escaldando

a carne, nomear as dúvidas

 e abandonar os afetos, nomear

os objetos que cumprem e preenchem

o vazio da multidão, reduz a rede seminal

a um labirinto oculto na consciência dos elementos.

 

Há palavras nunca ditas, criadas para

Executar o silêncio na nudez na pedra,

Espetro da linguagem nunca lavrada pelo fogo,

Consumindo as margens do sulco de Abel

Fecundado pelo sangue que o corpo liberta,

Inocentando Caim. Só palavras consumindo

A morte, absolvendo o assassino que emerge

Da natureza apologética, reescrevendo os

Pergaminhos do medo. Se a conversa aproximar

Os contadores de lendas, só restarão fragmentos

De palavras, ninguém recitará os tabus enquanto

Os procedimentos fatais da loucura se erguerem

No pano de fundo do teatro da vida.

 

Os assassinos vagueiam nos bastidores envolventes,

 Sussurram onomatopeias complexas, confirmando tudo

O que foi dito nas planícies intemporais. A ausência

Reflete-se na sinuosidade do texto esotérico,

Saudando a imortalidade do desejo. A eternidade

Não extingue as palavras que devoram a carne e

Recriam o espírito. O tempo não esconde a

Insolvência que perturba o futuro, o futuro

Mediador implacável entre sobreviventes

E assassinos, na contenda final.

 

MG  18/10/2011

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publicado às 23:28



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