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excrementos involuntários

por vítor, em 17.12.10

 

canalsonora

 

O meu amigo, e poeta enorme, Rui Dias Simão foi professor dois anos lectivos. Um em Rabo de Peixe, enquanto passeou, diletante,  os ossos pela Universidade dos Açores e pelos bares de Ponta Delgada, outro em Vila Real de Santo António. Este último ano lectivo foi bruscamente interrompido quando numa tarde, a seguir às aulas, foi beber umas cervejas e jogar snooker com os seus alunos. Enquanto ajeitava o taco para bater a bola branca, um aluno carambolou a frase que interrompeu uma rica, se bem que curta, carreira de docente. "Qualquer dia até o meu cão dá aulas", atirou, batendo com estilo a referida bola. Nunca mais entrou numa Escola... o poeta, bem entendido.

Vem isto a propósito de um certo livro de poesia que certo "poeta" lançou num determinado mês de dezembro, que por acaso é o que corre na graça de deus. Qualquer dia, até o meu cão, o possante Matrix, edita um livro de poesia.

Portugal é um país de poetas. É uma certeza que os portugueses, sobretudo os poetas, gostam de alardear aos múltiplos ventos. É um país de poetas como o são o Canadá, a Venezuela, a Indonésia, o Burkina Faso, a Nova Zelândia ou o longínquo Botão. Tirando o maior dos maiores, o Fernando, o excepcional Luís e o perturbante Aleixo, o resto não sobressai da floresta de poetas que polui e, na maior parte dos casos, corrompe o plasma que nos esmaga.

"Também tu brutus", digo eu a mim próprio associando-me à poluição vigente. São excrementos (da alma?) senhor, não leveis a sério. Necessidades que não pretendem ser mais do que um escape libertador da alma. Reação exigida pela ação. Sendo a primeira pior que a segunda que já não é famosa. O que me consola, que nos consola, é que o produto expelido não incomoda nem se acomoda  nos transeuntes. Não contamina nem dói a quem se exponha. Inocuidade sem mal. O que mais me preocupa são os amigos que, inconscientemente, me afagam o ego acreditando nas palavras incontinentes que se escapam da centrípeta vontade do emissor. Quem me dera nunca ter escrito uma palavra. Só posso prometer contenção, a osmose involuntária só parará com a morte. É uma doença cruel e crónica. O que me consola é a floresta que tudo abafa.

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publicado às 22:56


1 comentário

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De Pedro a 18.12.2010 às 10:37

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