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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

antologia do esquecimento

UMA VIDA NORMAL

Toda a vida sonhei com uma vida normal. Diria mesmo que foi o único sonho que alguma vez ousei alimentar. Eu acordava de manhã e levava-te o pequeno-almoço à cama, ou acordavas tu e trazias-me o café sem açúcar e as tostas com manteiga que nunca tenho tempo de torrar. Normalmente saio de casa em jejum, a isso me obrigam os atrasos incorrigíveis. É assim com quem não se disciplina. Horas para me deitar não tenho, horas para acordar são-me impostas. Sempre sonhei com o oposto, uma vida normal. Poder fumar descansadamente o primeiro cigarro do dia. E folhear o jornal e passar-te os dedos pelo cabelo, olhar o teu rosto sorridente e não pensar sequer no que vestir porque o teu sorriso é o sol de que necessito para me manter quente no Inverno e confiante no Verão. Eu sempre sonhei com uma vida normal, uma casa pequena com quintal, um cão, um trabalho simples. Fins-de-semana sentados no alpendre a ler romances russos, uma cerveja ou duas para salgar o desejo e trabalhos de bricolage para enganar a incompetência. Desajeito-me com a vida, não distingo o estuque do salitre, um martelo de uma bigorna, um alambique de uma fornalha. Toda a vida sonhei com piqueniques ao domingo, a toalha axadrezada estendida sobre as ervas, um sumo de laranja natural, fruta fresca da época, uma sesta ao som do vento que amaina os pinheiros. Eu sempre quis nadar de costas, não sei onde fui buscar esta tendência para o prego. Ainda me safo a imitar os cães, pouco mais que isso. Quando era criança pensava que iria crescer como as plantas que crescem dentro das vidas normais, regadas por semanas de trabalho prazenteiro e fins-de-semana temperados por comédias românticas, caminhadas na serra, passeios junto ao mar. Eu queria coleccionar qualquer coisa que me ocupasse o espírito e distraísse dos desastres, calendários, porta-chaves, esferográficas, moedas, selos, borrachas, amostras de perfume ou sabonetes, pacotes de açúcar, chávenas de café. Queria uma colecção normal para dias normais numa vida normal. Tudo isso me escapou por entre os dedos como um polvo escapulindo-se do arpão. Vê no que deram os sonhos: acordamos ao som dos peidos um do outro, queixamo-nos do caril, das natas, do jantar da noite passada. Lavamos os dentes enquanto olhamos mais um cabelo branco, uma ruga, um ponto negro nascido da velhice anunciada. Fugimos de casa com o estômago vazio e as retinas coladas aos ponteiros do relógio, sempre mais ligeiros, astutos, ágeis do que a nossa incontrolável flacidez. O tempo antecipasse-nos, chegamos sempre atrasados ao tempo porque insistimos em adiar tanto a partida como a chegada. Para nós, o que importa é iludir a inevitabilidade dos horários, dos calendários, das planificações, dos mapas e das grelhas, não daquelas onde libertamos a carne da gordura, mas das outras, as terríveis grelhas onde assamos os nossos próprios ossos, onde vamos deixando a pele como quem desgasta uma borracha ou queima uma vela. E depois passam-se os dias, regressamos a casa estafados, sentamo-nos à mesa a fingir que ainda existimos, oferecemos ao estômago a alegria de uma alheira que nos justificará os peidos da manhã seguinte. Calamos as mágoas com dois ou três ou quatro copos de vinho e mais um cigarro em silêncio, ligamos a televisão num canal que nos distraia de nós próprios e adormecemos com os olhos postos no vazio. Logo nós, que sempre sonhámos com uma vida normal. Eu, pelo menos, sonhava. Julgo que tu também.
(gentilmente surripiado ao Henrique Fialho do blogue "antologia do esquecimento"
sinto-me:
publicado por vítor às 11:30
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011

vida tão estranha

 

 

Era certamente eu que ali ia. Não podia haver dúvida alguma, pois o homem que atravessava a tarde gelada tinha, exatamente, a mesma forma estranha de caminhar. Ao longe, ainda hesitei. Mas quando nos cruzámos, na calçada luzidia, perdi toda a esperança de ser outro. De sermos outro. Quando os nossos olhares tristes se fixaram no nosso olhar, a resposta para muitos anos de procura surgiu do nada e emprenhou a nossa consciência apatetada: o eu que procurávamos era um nós estranho que nunca entenderamos. Separámo-nos como se a vida fosse um longo corredor que nos conduz ao vazio intangível. Qualquer que seja o sentido da vida, é para lá que caminhamos.

 

publicado por vítor às 00:26
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Domingo, 9 de Agosto de 2009

o tempo é relativo como a vida dos que nunca se benzeram nas pias prenhes de água benta

sinto-me:
música: Time - Pink Floyd
publicado por vítor às 00:16
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Domingo, 22 de Junho de 2008

A Confusão dos Dias

 

 

Para onde quer que olhe, a distância perde-se numa claridade infinita. Eu sou o centro do meu mundo como tu és,  como vós sois, o centro do teu (vossos). Na  intersecção das nossas vidas, na confusão das mentes enraizadas, nas realidades etéreas e voluptuosas, encontramos os dias impossíveis de acontecer. Os dias efémeros da levitação final.

 

Seremos sempre como a poeira que resta no fim das tempestades. 

música: Apocalypse Now King Crimson Epitaph Tribute
publicado por vítor às 17:19
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

2º Aniversário

 

(Anselm Kiefer)

 

Nos campos infindáveis de restolho à procura do silêncio... inevitável.

sinto-me:
música: Is not time to make a change...(Cat Stevens)
publicado por vítor às 22:14
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Um Antropólogo Competente

  Um homem, que pelo que a senhora do café disse, cigano, mijou na casa –de- banho. E onde está o mal pergunta-se?

   Malditos ciganos, não sabia o vento levá-los, guinchou a mulher do café  ( presumo que a dona do estabelecimento, entendendo o café como edifício que alberga efemeramente transeuntes carentes), armada de balde e esfregona farfalhuda.

   Mijou à parede, mesmo ao lado da sanita, nojento! vociferou impiedosamente, colocando uma cara-de-boca-de-cu.

   O homem, provavelmente levado pela ventania, não se encontrava nas redondezas, enquanto a relinchante esfregadora procurava o unânime assentimento dos carentes, efémeros clientes da globalização. Eu, que tudo sei, poderia adiantar que o vi agora mesmo entrar no barbeiro do quarteirão seguinte. Mas que interesse tem isso para agora...

   Depois do árduo trabalho de limpeza da retrete, a senhora empresária sentiu-se aliviada. A sua alteridade reforçara-se. O “nós” consolidara em ritual suspenso e ávido de movimentos de nucas.

   O dia começava a raiar quando o antropólogo entrou no café. Trazia, como sempre que trabalhava no ofício, a pele de outro. Confundia-se com o objecto de estudo. Mimetizava-se de “homo falsus”, para ser levado a sério.

   Sentou-se com a barba de cem dias. Pediu café. E, para agradar aos fregueses, uma aguardente velha. Seguramente mais velha que a sua barba e mais nova que a sua vida. A aguardente é claro. O que nada nos adianta sobre a sua idade. A dos dois é claro. A não ser que ambos tinham mais do que cem dias. O que já antes era óbvio: ninguém, com menos de cem dias, pede uma aguardente e nenhuma aguardente velha que se preze tem menos de cem dias. Que confusão. Quem disse que o caminhante fazia o caminho?! Voltemos ao caminho.

   Tragou primeiro o café com cheirinho e depois, devagar, em pequenos goles a bebida ardente. Socializando-se com gozo. O tempo parou por breves instantes. Só o vento se ouvia inquieto.

   O antropólogo sentia a nova pele aconchegar-se ao "velho" corpo enquanto um prazer intelectual profundo o colocava nos interstícios do tecido social e lhe corrompia a identidade. O tempo, como atrás víramos, parara e era preciso dar-lhe vida. A festa não pode ser eterna. A sociedade é um fluir incessante que não pode parar. Parar, como tão bem Lapalisse frisou, é morrer. Ficar encantado à espera do sapo. Ou do príncipe?

   Esticou o gozo até onde pôde e subitamente levantou-se e pagou. Antes de sair foi ainda à casa-de-banho. Depois, despedindo-se com um claro “até-logo”, entrou no vento e desapareceu rapidamente na direcção do quarteirão seguinte. Alguns fregueses pensaram a medo: que cigano simpático...

  O café entrou no remanso turbilhão (rodando para a direita como sempre acontece no hemisfério norte) da normalidade. As conversas de catação voltaram a escorrer sem fio afrouxando as tensões. Só o vento se ouvia inquieto.

   Mas o tempo, que não é previsível, logo voltou a entrar em turbilhão        ( agora rodopiando para esquerda como sempre acontece, com os turbilhões catastróficos, no hemisfério pobre) gerando uma confusão momentânea na ignorância dos clientes.

    A dona do café, que não era ingénua, tinha ido espreitar à casa-de-banho.

    Malditos ciganos, uivou. Não sabia o vento levá-los, guinchou.

   Alguns fregueses pensaram sem medo: os ciganos são sempre falsos.

   Eu, utilizando as mesmas premissas, cheguei a outras conclusões: nunca se pode confiar num antropólogo enquanto trabalha. E, manuseando outras premissas, diria mesmo: muito menos quando não trabalha.

 

   Seriam umas onze horas, duas horas passadas sobre os dramáticos acontecimentos ocorridos, quando o antropólogo voltou a entrar no dito estabelecimento comercial. Alguns fregueses, especialmente freguesas, seguiram o seu deambular ondulante, pelo café, até à mesa escolhida para pousar. Roupas primaveris e uma cara escanhoada pareciam fazê-lo mais novo. 

Mais novo que certas aguardentes velhas.

   Sentou-se e pediu um café e um queque com passas. Mordiscou o queque enquanto ia bebendo o líquido quente, devagar. Adorava a mistura dos dois. Molhou mesmo o bolo no café.

   O ambiente não se alterou significativamente com a entrada do estranho. Um caixeiro-viajante, pensou uma mulher mais nova, mergulhando em viagens para longe. O vento amainara lá fora.

  O cheiro a mijo ainda não se tinha dissipado completamente apesar da esfregadela profissional. A dona do café estava feliz. A vida corria sem sobressaltos e os momentos eram dentes em roldanas de velho relógio com corda para uma semana.

   Passado um bom bocado, e depois de umas miradas com interesse à telenovela da hora do almoço que corria na televisão, o antropólogo levantou-se, dirigiu-se ao balcão, pagou, foi à casa-de-banho e saiu despedindo-se:” até sempre”. Os fregueses responderam-lhe cordialmente e retomaram a postura de efémeros carentes sem lugar nem futuro.

      O cheiro a mijo tinha aumentado consideravelmente.

   Malditos ciganos.

   A dona do café atribuiu-o ao vento que amainara lá fora.

    

 

 

publicado por vítor às 21:43
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Cinquenta voltas ao Sol, uma aventura sem rede.



Completo hoje cinquenta voltas ao Sol. Uma viagem extraordinária pelos meandros infinitos do Universo.

Como todas as partículas que me acompanham, o meu complexo sistema atravessa campos favoráveis e adversos, felizes e  infelizes, eufóricos e deprimentes. Porém a viagem prossegue na esteira do autoconhecimento e da aventura sem rede: sem Deus. O amparo na longa deriva espacial será sempre o dos que quero e que me querem! As almas que transporto nesta confusa caminhada...
sinto-me:
música: Forever young
publicado por vítor às 13:54
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Terça-feira, 11 de Março de 2008

Criador e Criatura



A vida, não faz sentido sem a morte. Paradoxalmente tudo fazemos para fugir a esta última. Uns escolheram o embuste já há muito traçado: a religião. Enganam a si próprios crendo numa vida eterna e bem melhor do que a sacrificada que levam, para além dela. Virgens e outros petiscos assombrosos os esperam pós-morte . E quantos crimes se cometem procurando uma passagem rápida para este mundo sensacional sem sensações. Sem sensações porque sem o bem não existe o mal. Num mundo paradisíaco não há festa, nem rito, nem mito. sem rupturas persiste a morte. A vida no "céu" é, assim, a confirmação da morte. Outros tentam, desesperadamente, sobreviver através das suas criaturas. se as criaturas têm memórias (são vidas), pode-se prolongar a vida depois da morte. Familiares, amigos, inimigos e simples conhecidos transportam-nos mesmo depois dos bichos terem começado o seu trabalho após o último suspiro. Mas estas criações efémeras depressa nos seguem no caminho sem retorno e com elas morremos outras vezes. Mais uma vez a morte nos é favorável: quantas mais vezes morrermos mais tempo persistimos vivos. Finalmente os desafiadores da morte que através da criação artística pensam livrar-se da velha senhora. Estes crêem que as suas criações serão o garante da sobrevivência histórica. Quanto maior a criação, maior (e melhor, diria eu) será a viagem pelos labirintos da existência. Fecha-se o círculo. A arte imita a religião. O eterno encerra-se no fim. A criação e o criador, o grande criador, frente a frente nos confins da planície eterna. No vazio estéril da unicidade. No retorno (eterno) ao tempo antes da vida. No regresso ao aconchego da não existência. A criatura autonomiza-se e rejeita o criador no momento da "ultima cinzelada". Seguem caminhos diferentes e por vezes antagonizam-se e anulam-se. A sobrevivência da criatura não transporta a imortalidade do criador. Nem mesmo quando a criatura se torna num mundo dentro do mundo e se impõe como parte da história da humanidade. O artefacto artístico, aliás, não existe em si. É apenas um feixe de sensações na psique dos que os apreciam. Uma miríade de complexos que os sentidos peneiram e revolvem até ao destino final, mas não último dos vivos. Quando ouço as sinfonias da Beethoven, não reconheço nelas um velhinho surdo e triste . Quando admiro os "Girassóis" de Gog , nunca me sinto transportado à húmida e sombria juventude do seu criador, nós férteis polders dos Países Baixos, quando me envolvo nas palavras proféticas de Pessoa, não vejo um ser andrógino esgazeado pelos vapores do álcool. Ao contrário de Camões, não entendo a arte e a glória como uma forma de libertação da morte. Penso na vida mais como um "filósofo politicamente incorrecto ": " Cago na imortalidade sem corpo"!

(texto meu que agradavelmente encontrei num blogue brasileiro e que acho interessante repostar)
sinto-me:
publicado por vítor às 22:25
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Às cinco da tarde de um dia qualquer

00001se9

 

            Não me digas que as galinhas gostam de queijo?, perguntei incrédulo, mergulhado na areia da praia postiça.

            Sim, respondeste, com cara de poucos amigos. E têm preferência por queijo da serra.

            Seriam quatro horas da tarde de um dia qualquer e o vento soprava de penente, sem dó. A areia fazia-me cócegas na parte inferior dos tornozelos. Na praia deserta começava a fazer sentir-se um odor a precipício e prossegui o questionário inquisidor: e a que sabem as galinhas comedoras de queijo?

            A galinha, naturalmente, respondeu a minha amiga, do outro lado da maré mortiça.

            Tinha lógica. Galinha alimentada a milho não sabia a milho, pois não? Mas queijo??!!

            Bom. Esqueçamos as galinhas que outros problemas amoro-filosóficos mais prementes se alevantam. Mas queijo?...

            Ah, e aquela dos ouriços que não gostam de cães?, perguntei maldosamente.

            E com toda a razão, opinou espontaneamente a minha bela e colaborante arqueóloga de sonhos escalavrados. Se os cães gostam de ouriços – gastronomicamente falando, claro – é de todo natural que estes não os apreciem e …

            Interrompi a sua rápida e incisiva (diria mesmo canina) argumentação, com não menos veloz e flamejante raciocínio. Mas eu gosto de ti e, até às cinco da tarde como prometido, tu gostas de mim.

            Não confundas gastronomia e sobrevivência, com amor e ódio. Replicou sem pestanejar. Eu sobrevivo sem ti, sem amor e sem ódio, até ao fim das marés. Sem religião não existem escravos. O amor e o ódio cativam as consciências obtusas da servidão.

             Meu Deus!

            A abrasão arenosa envolvia-me a pele peluda dos milénios. Nos joanetes assexuados convergiam exaustos os fantasmas da perplexidade funesta. Da atmosfera cálida. Reacção dos poros epidérmicos à invasão sedimentar. Na imaginação imensa da maresia, atropelavam-se cães, galinhas, ouriços e sexos. Sexos brandos e apocalípticos, soçobrando de espanto.

            O ódio aproximava-se devagar, como era conveniente. Conveniente e imperioso. Na vastidão absoluta dos sentimentos inertes uma gaivota de papelão guinchou na tarde. Da anti-praia sons da aproximação do Levante invernoso. As areias da vida movediça envolviam-me calorosamente e sem mágoa visível. Dizível, pelo menos. O fim da tarde fazia o seu caminho, inexorável.

            A minha tia alimentou os felizes galináceos a queijo e nunca se queixou da cor da canja. Mesmo a crosta, que envolvia o caldo milagroso, lhe era meio indiferente. Aproveitava-a para barrar o pão.

            O atrito da caneta do tempo soava sulcando o papel da vida. Arrepiava no silencioso tombar do dia. A solidão, brutal e sanguínea,  assomou às cinco da tarde de um dia qualquer. Até ao fim das marés.

 

 

Texto para o Luíz Pacheco. Um escritor como outro qualquer.

 

 

 

publicado por vítor às 19:51
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

A Fenda Fatal


Para quem asperge o sexo da mulher como a maravilha das maravilhas, lembro que a perfeição nesta magnífica e incompreensível obra de deus, o receptáculo da vida, podemos encontrar nós na galinha. A cloaca: sexo, concepção, micção e defecação na mesma fenda fatal. Desculpem-me mas o criador falhou na mulher por 3 centímetros... o que até dá jeito: dois buracos dão mais gozo do que um.
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publicado por vítor às 23:56
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