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Domingo, 13 de Junho de 2010

as benignas ocorrências

 

 

 

Quando as benignas ocorrências se arrastaram  no oculto leito das lavas frias, o eterno convite para uma noite glamorosa e terna tornou-se realidade. Uma pausa? Uma irritante pausa? Não, acrescentaram as senhoras que passavam na rua enfeitada por fímbrias de lágrimas cadentes  nas soleiras das portas. À primeira vista tudo era simples e confuso como as fiambreiras de alumínio incandescente, marmitas de esmalte com cavalas fritas para o almoço. Frias, degustadas no cimo do muro que envolve o reservatório da água aprisionada. Ali mesmo saltei para a caixa de areia e dei saltos mortais na sombra indelével do impossível. Mais uma pausa! Não quero nem saber do interdito que quer ser exprimido aos sete ventos. Romper a aurora que vence a noite e embrulha os sonhos numa película de infinito rebuscado e fosco. Numa hiper- realidade surreal. Conforme os astros que se acotovelam no lusco-fusco da fronteira final da tarde. Quero sentir os calafrios suores da corrida que embaraça as criaturas insanas rebolando nos meandros da loucura inabitável. Dirias que a sanidade mental é um pergaminho afixado na parede para ser lido por quem não sabe interpretar as palavras lavradas na pele antiga. Que as mentalidades do homem que criou a grafia agitam as comunidades rutilantes da cidade, revolvendo os que acompanham as medianas confusões da civilidade. O poeta, que nunca escreveu uma palavra, confidencia-me que quase nunca lhe acode um pensamento e que, quando as ideias se encadeiam gerando novas perplexidades, se masturba até o pensamento se esvair na libido anestesiante.

As benignas ocorrências. Tínhamos começado com elas. O onanismo, envolto na decrepitude do corpo e na loquaz felicidade dos tempos que passámos juntos, consome todos os que  se negam a  viajar nos caminhos onde as papoilas emergem das pedras. É um mundo renascido do poder dos que nunca revelaram conhecer a divindade que se movimenta irascível e prenha de solidariedade. Nas confrarias da arte, nos parlamentos políticos, até nas comunidades de pastores de tudo e de nada ardem as sibilas que do futuro predizem o passado. Como gritos que rompem a solidão, tatuam de morte a noite silenciosa. São as mesma palavras que ressoam nas paredes da tua casa. Um envolvimento que paira nos confins do abismo. Na periferia da cornucópia sanguinolenta. São os que se alimentam aliviando os que não têm fome. Que devoram a perene tradição de triunfar sobre os que não têm rosto. Os que encontram na negação da luminosidade a vontade de partir através dos corpos escalavrados dos  ressuscitados do pó que repousa no antro das benignas ocorrências. Numa pausa que nega o sexo impotente.

publicado por vítor às 23:24
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Sábado, 20 de Março de 2010

a inutilidade do retorno

Quando atravessei a linha que separava a aldeia do resto do mundo, entrei num sonho estranho que me espantava e ao mesmo tempo  esmagava. O medo pesava como a escuridão dos tempos em que  as virgens sem consciência pariam profetas. Olhei atrás e vi desaparecer os dias que me abraçaram para sempre. Agora o roteiro seria traçado por mim, as agruras deixariam de ter o amparo da vizinhança.

 

Lançado na aventura de percorrer os caminhos dos outros, comecei por enveredar na direção que me pareceu mais fácil de entender. O breve  cheiro da brisa refrescante. Instinto de animal ameaçado: o vento traria fragmentos do perigo que o futuro transportava e os suores da alma abandonada atingiriam o antro da minha vida, na aldeia difusa no longe que crescia. Enchendo os pulmões com o ar novo que vinha das terras do sonho por cumprir, avancei destemido nas planuras que completavam a traição que urgia desocultar. Voltar atrás era um sussurro incontornável nas paredes opacas da imaginação. A vegetação rasteira rareava nas bermas do trilho esotérico que ladeava o corpo, as árvores deixavam de projectar as suas sombras no espaço que corria sob os meus pés, os pássaros voavam ao sabor da correnteza dos ares sem olhar para os novos amigos da viagem. A própria poeira dos lugares sem esperança começava a assentar com o lastro do vagabundo inexperiente.

O burburinho que se aproximava, transportado pelo vento risonho do além, acrescentava à paisagem um travo acre a solidão. Quando o ruído tomou conta de tudo e, no horizonte, apareceram as primeiras construções brutalizando o olhar, senti o cabelo assustado e espesso.

De olhar  turvo e mãos crispadas, entrei na cidade deixando a alma na periferia orbital. A penetração traumática no antro do devir inibe o desejo. A cidade é o fim do sonho e a certeza da inutilidade do retorno.

sinto-me:
música: Fiona Apple - Across The Universe [The Beatles Cover]
publicado por vítor às 23:25
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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

queres ajudar-me a carregar a pedra?

Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you, standing in the aisles
With itchy feet and fading smiles
Can you feel me?
Hey you, dont help them to bury the light
Dont give in without a fight.

Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you, with you ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you, would you help me to carry the stone?
Open your heart, Im coming home.

But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.

 

 

 


Hey you, standing in the road
Always doing what youre told,
Can you help me?
Hey you, out there beyond the wall,
Breaking bottles in the hall,
Can you help me?
Hey you, dont tell me theres no hope at all
Together we stand, divided we fall.

Well, only got an hour of daylight left. better get started
Isnt it unsafe to travel at night?
Itll be a lot less safe to stay here. youre fathers gunna pick up our trail before long
Can loca ride?
Yeah, I can ride... magaret, time to go! maigret, thank you for everything
Goodbye chenga
Goodbye miss ...
Ill be back

sinto-me:
música: Pink Floyd - Hey You
publicado por vítor às 00:50
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009

O soluçar de deus

Se tivessem tido um bateria como deve ser,  teriam ascendido ao mais alto patamar do Olimpo. Se não fossem eles teria sido o incompleto rapaz das aldeias insensatas. O que não diz quando sente a certeza das oblíquas afectividades avulsas. A sua presença foi alimento para almas esfomeadas na periferia do rebanho.

A revolução doi quando preenche os espaços vazios da solidão. Doi e corrompe a podridão do determinismo social.Do abjecto soluçar de deus.

 

sinto-me:
música: revolution - the BEATLES
publicado por vítor às 22:55
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Compreensão versus destruição

 

Anselm Kiefer

 

Para compreender, destruí-me. Compreender é esquecer de amar. Nada conheço mais ao mesmo tempo falso e significativo que aquele dito de Leonardo da Vinci de que se não pode amar ou odiar uma coisa senão depois de compreendê-la.
A solidão desola-me; a companhia oprime-me. A presença de outra pessoa descaminha-me os pensamentos; sonho a sua presença com uma distracção especial, que toda a minha atenção analítica não consegue definir.

 

Bernardo Soares - Livro do Desassossego

publicado por vítor às 23:08
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

São cinco horas da manhã na cidade

 


 

 

 São cinco horas da manhã na cidade. O vento parou um pouco. Entre as sombras gigantes das árvores, passeio confusamente anos acumulados de solidão.

  É triste a impossibilidade de regressar. Regressar a um lugar onde as coisas se ligavam logicamente, formando um corpo coeso e inteligível.

  As ruas arrefecem do longo dia de Verão, é , no entanto, discutível se eu o sinto, porque não há pássaros acordados na noite.

 A cidade define-se por ter bares abertos às cinco da manhã. Não os encontro e talvez não esteja nela. Ou então, maldosamente, fecharam para me impossibilitar o contacto com os outros.

 Sinto-me observado quando dobro as esquinas sujas da minha mente. É uma sensação agradável, mas  portadora de angústia. Angústia porque sei que nada me pode observar como sou e, muito menos, às cinco da manhã de uma madrugada sem Lua. Há um universo de coisas desconexas entre mim e o que pretendo dizer. Um não acabar de estímulos irreversíveis que nunca vou voltar a lembrar: aliás a memória é um instrumento ao serviço do passado e eu sou um deserto sem vegetação primitiva.

  No cais alguns barcos descansam, sentem arrepios  só de pensar nos anos que o mar lhes vai dar de novo.

 Algumas carcaças, como eu,  sonham com a morte, enquanto se tentam roçar nos ventos húmidos da maresia. Descrever a beleza  é uma tarefa vã. Só os loucos a tentam. É voltar atrás para desnudar o futuro. A transgressão dos tabus é um enorme fascínio, a que sempre se resiste enquanto somos homens livres. Os tabus algemam a vontade à sua violação.

  Começa a levantar-se a luz da madrugada - as cinco horas já vão - e as coisas começam a tornar-se feias. Até talvez os pássaros não gostem da madrugada, e o seu cantar seja o repudio pelo renascer de uma morte , que é o sono.

  A angústia apodera-se das minhas forças já frágeis de ousar desafiar a natureza. Os barcos desapareceram para o mar imenso esperando naufragar, a qualquer vaga, nas escuras profundezas do oceano.

   Olho em volta e as sombras transformam-se em luzes coloridas, horríveis a meus olhos. Até as mulheres, anjos da noite, se tornam reprováveis formas fluorescentes.

  Começa a nascer o dia - de parto normal - e tenho a certeza que não vou encontrar ninguém: a esta hora já os autocarros deviam vaguear pela cidade arrancando as pessoas ao sono. Belisco-me. Não sinto dor e por isso estou seguro que estou acordado. A dor é própria  dos eternos sonhadores, convertidos em pus, nas suas camas de luxo.

 Viro a mais uma esquina virtual, de onde posso espreitar o despontar dos comedores de ilusões. Ali, onde o tempo age de improviso e confessa ter um filho que não conhece , onde embarcam os marinheiros aflitos, não vi ninguém. Então, qual ribombar de trovões, vindos de não sei de onde, surgem toneladas de carrascos enlatados, atirados do alto da pirâmide.

  Respondi-lhes com a coragem possível nos dias de hoje:

-         Desculpem mas não podem entrar na minha casa. Na minha casa só entra gente de bem.

Eu sei que às vezes penso que os outros estão a topar as minhas fraquezas, mas isso, sei-o bem, é uma fraqueza da minha parte.

 

 

publicado por vítor às 15:17
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