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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

um menino sábio

Vendendo poesia nos mercados de gado, poemas gordos,
Anafados, cheirando a suor, mancha penetrando
O clamor da clientela, levantando poeira espessa
No chão que as palavras pisam.
- olha!, que animais estranhos, comentou uma criança curiosa.
- Cala-te!, cala-te! ou levas, não vês que as palavras se assustam!,
Cortou a mãe. São tão sensíveis as palavras!...
- são tão lindas as patinhas que as transportam, aventou o filho.
- Não vês que não são patinhas, são sinais do vento agreste
Roçando as proas dos navios qua as transportam, navios sem rosto
Atravessando o sangue vomitado em segredo pelas mulheres
Que cobrem as chagas escarlates, as escaras que balançam nas fezes dos animais.
Animais sem imagem, peados e prisioneiros das metáforas, caminhando pesadas,
Aspergindo as clientelas voláteis com o seu odor silencioso. Palavras
Náufragas nas peles suadas, náufragas na lama paralisante dos dias,
Nos lábios acorrentados à voz púrpura dos rebanhos.
- mas, continuou a criança já exausta, eu só vejo bichos com tabuletas ao pescoço.
Tabuletas com preços e quilos. Tantas tabuletas, mãe!
- Tabuletas, tábuas, palavras. Conceitos indissociáveis. Tudo o que resta será
Pensado outra e outra vez como o tudo que o Álvaro de Campos queimou com um cigarro,
Que o tempo lhe concedeu, o tudo que não era senão a tabuleta do gerente da Tabacaria.
Olha como as palavras se encostam umas às outras como se o amanhã fosse hoje 
E o mar fosse um só. E o infinito afinal não passasse de um sonho que o pensamento
Não faz existir. Foda-se toda a interpretação das palavras, das tessituras da linguagem
E dos malditos que a escarram nas noites de solidão. E blá e blá e blá. E outra vez, blá.
Um dia, que o futuro arrastará até nós, as minhas palavras serão tuas
O menino, sábio, tinha adormecido com o mugir das vacas.
(…)

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publicado por vítor às 14:48
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um casaco negro

Agora mesmo, no arame laminoso:

Saio de casa com um casaco negro comprado na zara,
Um casaco de escritor barato e com muitas gavetas, e entro pela rua
Assobiando knockin on heaven's door do dylan. Vou a um festival literário.
O casaco negro está-me largo, mas dá-me um ar gingão, e assim vou
Deslizando na calçada gasta da velha rua. Piso merda de cão, e sou só eu
Que avanço na escuridão dos dias sem regresso. Hotel pago e comida
Num restaurante manhoso, abraços e beijos na passarada envolvente, 
Selfies para sempre com camaradas da arte das palavras e, com sorte,
Com alguma estrela do firmamento distante. Sorrio. O casaco assenta-me tão bem!
Sorrio a quem passa e quem passa pensa que é um doido que passa.
- Com um casaco daqueles…
Espero o autocarro 16 no fim da rua. É que eu vou da Venda Nova e o 16
Começa mesmo ali pelas Portas de Benfica. Foda-se! Não me falem de Benfica que até fico embriagado. 
Da bola não percebo nada, mas sofro por esta merda de clube que só
Me dá desgostos e arritmias.
Cá vou eu no 16 feliz como uma pedra atirada ao ar que cai na cabeça
Duma, foda-se que a minha amiga Ladislaia não gosta nada que se escreva duma;
Digo, de uma criança. O meu casaco ocupa dois lugares no autocarro: o meu
E o que devia de ser da senhora que vai agarrada ao varão vertical do corredor. 
O varão é de metal prata incandescente e faz-me lembrar, ai a puta da memória 
a atirar-me sempre para lugares intangíveis e escorregadios, quando fui com mais
três poetas a uma casa de putas com um varão no meio do salão. Estávamos tão bêbedos
que até eu dancei no varão. E olhem, aqui que ninguém nos ouve, que até tinha jeito .
O pior foi quando uma menina, bem engraçada, por sinal, me meteu a mão num lugar
Que me faz corar só de pensar onde. Os três poetas a gozar o pratinho e eu alumiando a casa 
Com as minhas vergonhas. Mas, foda-se, cá vou eu no autocarro 16 com o meu casaco
De escritor que, diga-se em abono da verdade, me fica um bocadito largo...
Miro-me no vidro da viatura e pareço mesmo quem sou: um palerma vestido de escritor
A caminho de uma festa de palermas vestidos de escritores.
Saio numa paragem qualquer. Knock, knock on the heaven`s door. O casaco esvoaça na brisa
E aperto-o. Como é largo deixa entrar na mesma o frio da maresia que se alevanta.

Cativa 23/11/2017

publicado por vítor às 14:45
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uma camisola ensanguentada

ceci n'est pas un poème

Da janela escorria uma camisola ensanguentada.
Pingava na terra encharcando o vazio
Que se assomava por detrás das casas.
Três facadas na carne rasgando
Os tecidos nauseabundos, expulsando
O sangue em golfadas efervescentes.
A minha mãe já não mora aqui e o sangue,
Que também é o dela, cai no pântano
Morno cobrindo o chão da cozinha.
A camisola envenenando as ervas daninhas,
Alimentando os vermes que me consomem o corpo.
Agarrem-no!, ecoou como lâmina zurzindo
O ar brutal do bairro sórdido, não há crime
Sem castigo!, berrou o homem sem significado
Que assistia a tudo.
Nunca um crime foi sentido por mim
Nas fronteiras da solidão, respondi eu
Cobrindo a retaguarda.
Ratazanas sem compromissos escapuliram-se
Nas sarjetas iluminadas pelo odor dos enjeitados.
O vizinho do 2º dtº deu a primeira facada.
As outras que me rasgaram a pele e trincharam os ossos
Foram, no calor da refrega, atribuídas a incertos.
Conhecidos mas não identificados nas complexas
Poeiras que ensandeciam a tarde. A camisola
Aspergindo o espetro rastejante da pobreza,
Nunca ninguém fugiu de si próprio deixando
Um rasto de informação apelando
Aos caçadores de infinitos
O odor que os levará ao covil da presa,
Ao definhar do ritual do fogo e do sangue
Que rege o ordálio crepitando nas mentes
Experimentadas no silêncio, na viagem
Interrompida por deus.
A multidão rumina dissolvendo as persianas
Ululantes das personalidades elementares.
O crime percorre as ruas por entre
Conceitos duvidosos e ideias lancinantes
Abandonadas pelos que temem os estrangeiros
Nascidos entre os nossos. A matéria
Que compõe os heróis regurgita no princípio
Da noite, cadinho onde se fundem as ilusões
E o crime assume a vertigem da virtude
Incontestável e una.
O sangue que brotoeja das feridas escancaradas
Sacraliza as ruas por onde prossigo procurando
A caverna dos prodígios labirínticos, a degeneração
Do corpo que reproduz o regresso ao fim.

Duma janela apontando a noite pinga
Uma camisola ensanguentada.

Vrsa 13/11/12

publicado por vítor às 14:43
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Palermices à beira duma pneumonia...

 

Poema "Ossos", nunca publicado em livro, lido, barbaramente, pelo autor, Vítor Gil Cardeira (aproveitando a voz de gripe).

publicado por vítor às 23:42
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Terça-feira, 22 de Março de 2016

anos sessenta...

Porque ontem foi o dia da poesia:

vítor poesia pela paz.jpg

 

Estilhaços

Depois dos românticos, a melancolia é a alma da poesia...
No princípio, era o desejo. Só o desejo.
Na terra dos antepassados que nos pré-existem e que nos sucederão, onde o princípio e o fim, o nascimento e a morte, fecham o ciclo da cultura, apresentaremos o brutal teatro que nos envolve a vida.
A peregrinação é um processo de envolvimento no vazio.
Não acreditem. Foi só uma mudança de pele. Agora, a nossa própria pele.
Quanto mais te aproximas de ti maior é a revolução que se estende para lá de ti.
Antes do recolhimento, o fogo...

A amizade engrandece...
Strange days: já se comem nêsperas em Fevereiro e as gaivotas pairam há um mês nos ares da quinta.
Trabalhar para nada, a mais bela das ocupações...
cada um sofreu à sua maneira, da mesma maneira.
A felicidade é o que temos antes de termos,
Ainda agora os pássaros me seguiam atrás do trator, debicando minhocas e outros entes que habitam nas entranhas da terra...
Quando algo acontece mesmo no fim, então a felicidade dura mais tempo...

publicado por vítor às 00:22
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Domingo, 22 de Novembro de 2015

última dissolvência

 

ela sorriu transportando a paisagem
que reforça o intervalo entre o fim e o
princípio num lago de nudez abreviada,
sorriu e chamou a pertença consagrada
nos limites, parceria indisponível transcrita
no lugar, dúvida importada, preconceito inicial.

O escuro manso dissolveu a responsabilidade
em escaramuças militantes, entendimentos da viagem
desvalorizada, última dissolvência impaciente
perdendo o consenso na distância coreográfica

do sorriso da mulher que percorre o olhar
ingrato da única vitória dos abstencionistas
curiosos, maioria significando a aposta
nas flores, diz-nos da crueza do obstáculo,
da dor na noite recuperada da berma do caminho,
legitimidade do pesadelo indocumentado,
metade da dor marginal, sorriso do poder
que se eleva nas faenas do sexo consumidor
dos corpos raivosos e sectários,
discurso ressentido e parcial

da atenção do outro que não reflete o estado
de embriaguez vazia que conduz
a relativização da evidência, transformação do novo
interpretando a inocente figura que emana
do sorriso absoluto

e gere a desorientação responsável pelo ruído
da alma vestida de palhaço incompleto,
reduz o exemplo da hierofânica verdade dissoluta
no lodo evidente, sonsura dominante nas cicatrizes
do calor, da insânia sedimentada nos ritos
do calendário social que alguém parodiou
no equilíbrio sem paixão dos convertidos, explicação
corrosiva no pó que se eleva nos atalhos
petrificados da memória.

ela sabe como podar as ideias
que se desprendem do oculto sabor a derrota,
mutilar o chão onde navegamos à vista
e contendemos com os ossos que se erguem do tempo.

ela é um implante na paralisia do medo,
na arte de inventar placebos, paixão
na imensidão do caos.

sorri e não colhe. As manadas assentam
os cascos na viscosa película dos afectos.

20140826_195658.jpg

 

publicado por vítor às 23:10
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

o canto suave das aves negras

Fotografia1623.jpg

 

queria acompanhar os melros ao cair da tarde,
sentar-me nos torrões vermelhos do poente e respirar
o canto suave das aves negras. seguir os passos de veludo
da minha gata aproximando-se por entre as hastes de funcho
penduradas nos caminhos que levam às penugens negras da noite. os grilos preparam-se para invadir o ar húmido e quente
das laranjeiras acabadas de regar. não há melhor hora nos dias
que teimam em não passar do que as do lusco-fusco das tardes
que tombam nas noites mornas de verão, arrastando na sombra espessa os figos lampos inchando o sexo que ressuscita no céu
ardente na serra a noroeste. Os últimos suspiros da luz surpreendem a longa jornada convidando à reflexão os amantes inquietos. Os amantes que se movimentam nas levadas frescas bordejando os caminhos onde as pedras soltas conduzem os passos dos corpos ao silêncio que soçobra em galopes de cavalos inúteis celebrando o solstício.
Regresso aos melros de antanho e converto-me ao silêncio que reverbera no fim da tarde calmosa que nos abandona.


Cativa 22/6/15

publicado por vítor às 21:45
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Domingo, 14 de Dezembro de 2014

tatuagem proibida

sizízia anel.jpg

(foto de Jorge Jubilot)

(Lido ontem na apresentação da "Revista" Sizígia, na Galeria Sul, Sol e Sal, em Olhão)

 

A minha mão como uma pata de elefante
sobre o teu peito, pegada profunda
escarnecendo da memória antiga
à sombra das amendoeiras esbranquiçadas,
a neve clareando o alcatrão, estabelecendo
um contínuo pesar nos lábios, na cortina
que separa a noite das inefáveis
similitudes do amor. O vento
empurrando as águas mornas
para os braços do promontório sagrado,
empurrando as águas revoltas na direção
do oceano sem fim. O teu sorriso atira
mísseis cara-a-cara na efervescência
dos rituais baratos de domingo,
nos corações que a estrada consome.
És presença sem rosto atravessando
a bruma cautelosa na clausura dos armários,
coágulo que range na reverberação
dócil dos condenados. Nas praias deste Sul intenso,
navega um subtil grão de areia rebolando
nos interstícios do verão, na melodia plagiada
infetando o sonho, num odor de alfarroba
interrompendo a dor. Agora que as malditas grilhetas
da paixão afrouxam no seio da nave
perdida nos silêncios, agarremos as mãos pesadas,
erguidas em preces fraudulentas, e arremessemos
o que resta de nós no tatuado fruto proibido.

Cativa,  22- 7 - 2014

 

publicado por vítor às 14:55
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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

As aprendizagens castradoras dos peregrinos

 

O cadáver bordeja as águas
mornas sussurrando aos amigos
desconhecidos (…), as sombras alongam-se
como serpentes à babuja dos
barcos em decomposição. Navega cadáver
sem rumo que não a podridão indiferenciada
do silêncio das câmaras nupciais, enfunando
as velas latinas do desejo febril,
das peripécias da noite.
Só a ingratidão redige e soletra
o obituário do rebelde que se solta
entre os colapsos da assistência
multitudinária dos que cumprem
os deveres sombrios, os desejos de arenque
fumado contradizendo
os magmáticos murmúrios da ignorância,
os boatos aspergindo as cabeças coroadas,
inalcançáveis, golpeando os peixes
que se levantam na direção do cadáver
desavindo,
à deriva na solidão dos cosmos.
Há mortos incómodos no sótão
da vizinha, esqueletos dançando
na caudalosa poeira das impolutas
lamas incandescentes. Dançando
como crianças sem consciência dos riscos
que da consciência se libertam, se soltam
amarelecendo nos campos de sangue
onde a paisagem fede a nobreza
e lealdade. Féretro que o povo
venera lambendo o cu dos celebrados
heróis de antanho, tecendo a pele que o amortalha
e prende às correntes ígneas das palavras. Só um
cadáver compreende as solicitudes
dos poderosos, as calmarias rangendo nas
cabeleiras sorridentes da apostasia.
A sua caminhada sem destino rasga
as atómicas partículas do corpo, rejeitando
um lastro de perfume acre
no condomínio espectral dos mestres
que conduzem as aprendizagens castradoras
dos peregrinos, o conhecimento inútil da verdadeira
Sabedoria.
O cru transcende a cozedura e as confusões
serão lavradas no epitáfio do cadáver.
A fogo e água.

Cativa, 7/7/2014

As aprendizagens castradoras dos peregrinosO cadáver bordeja as águasmornas sussurrando aos amigosdesconhecidos (…), as sombras alongam-secomo serpentes à babuja dosbarcos em decomposição. Navega cadáversem rumo que não a podridão indiferenciadado silêncio das câmaras nupciais, enfunandoas velas latinas do desejo febril, das peripécias da noite.Só a ingratidão redige e soletrao obituário do rebelde que se soltaentre os colapsos da assistênciamultitudinária dos que cumpremos deveres sombrios, os desejos de arenquefumado contradizendoos magmáticos murmúrios da ignorância,os boatos aspergindo as cabeças coroadas,inalcançáveis, golpeando os peixesque se levantam na direção do cadáverdesavindo,à deriva na solidão dos cosmos.Há mortos incómodos no sótão da vizinha, esqueletos dançandona caudalosa poeira das impolutaslamas incandescentes. Dançandocomo crianças sem consciência dos riscosque da consciência se libertam, se soltam amarelecendo nos campos de sangueonde a paisagem fede a nobrezae lealdade. Féretro que o povovenera lambendo o cu dos celebradosheróis de antanho, tecendo a pele que o amortalhae prende às correntes ígneas das palavras. Só umcadáver compreende as solicitudesdos poderosos, as calmarias rangendo nascabeleiras sorridentes da apostasia.A sua caminhada sem destino rasgaas atómicas partículas do corpo, rejeitandoum lastro de perfume acreno condomínio espectral dos mestresque conduzem as aprendizagens castradorasdos peregrinos, o conhecimento inútil da verdadeiraSabedoria.O cru transcende a cozedura e as confusõesserão lavradas no epitáfio do cadáver.A  fogo e água.Cativa, 7/7/2014
publicado por vítor às 21:50
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

poema falido II

  •  
    sábado
    às 21:45
     
  •  
    Casa Álvaro de Campos - Tavira
     
apresentação - Pedro Jubilot
leitura - Luís Luz
 

poema falido II.jpg

 

publicado por vítor às 18:45
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