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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

peixes de metal

 

 

Peixes de metal no meio da rua

 

É assim que os olhos determinam

O sonho arruinado envolto

Em profundas conversas inscritas

No palimpsesto do calendário volátil,

Determinam a divulgação que subsidia

E escancara as asas do desejo amaldiçoado

Avançando na página reescrita, esmagando

 A autonomia das palavras finais.

O olhar estende-se pelo leito da memória,

Atinge os colapsos da energia brutal da arbitrariedade.

Nunca apareças na noite inacabada,

O que sabes resgata o futuro concedido,

O reconhecimento destinado a liquidar

O vazio que apodrece no silêncio.

Na calçada que se estende até às águas

Desfilam peixes de ferro fundido

Que pisas recuando à infância feliz,

Ao rumorejante eco das mãos pronunciando

 O sorriso da noite. Da noite guardiã das falas

Fundacionais, da serenidade nauseabunda

Que te acorrenta os pés. É aí, na genealogia

Do medo, o território que te conduz os passos

Na irrepetível caminhada rompendo os tempos

Que te levam ao fim, à degradação inútil.

Libertas-te do manto moral que te aconchegou

Os dias e atravessas a luz que nunca

Ousaste ultrapassar, a fronteira que abre

As portas da violência falhada e orgulhosa.

E agora?, perguntas à insanidade que exala

Dos excrementos postos a nu pela ousadia

Empreendida. E agora?

Nunca há respostas quando penetras

Na solidez das águas, no ermitério que envolve

A enigmática escultura que desocultas

Da sociedade alienada e castradora,

Da multidão que se barrica, impedindo

A libertação das almas. Enfrentas o ódio

Que se ergue das entranhas públicas

Escarnecendo dos desperdícios libertados

Pelo consenso tribal e avanças como apóstolo

Do absurdo nas mordomias que a ti próprio impões.

O corpo cansado resiste ao sentido que desenhaste

No plano de fundo da tristeza. Resiste e apropria-se

Da vontade que contamina as leituras paradigmáticas.

Os peixes de metal guiam-te no caminho das águas.

 

VRSA   27/4/11

 

 

 

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publicado por vítor às 00:00
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

eu sou a sombra do vento

Eu sou a sombra do vento,

a silhueta das almas que penetram

a caverna onde repousas os dias

sem retorno. Eu renasço

nos teus lábios quando

a  loucura se esconde no reflexo

do espelho acorrentado, renasço

para morrer em seguida no teu olhar.

Olhar que ampara a dor dos momentos

calados, inerte complexidade da rebeldia

projetada na parede turva do esquecimento.

Eu sou a morte que caminha

ao encontro dos sentimentos que se levantam

na planície instável, ao encontro

dos outros que emergem da noite

e espalham o medo na nostalgia dos incautos.

As tuas mãos afagam-me o cabelo sinuoso

e acalmam a podridão que escorre das pedras.

Só assim se compreende a inquietude das bocas

moribundas, escancaradas na exaustão

das fraturas reverberando o sexo encantatório.

Eu cubro a pele que me recebe pulsando

nas calmarias do pesadelo de sangue, espojo-me

no suor erótico das membranas latejantes

atingindo orgasmos irretletidos.

No barco em que navego ao encontro

das janelas da alma diviso o murmúrio

 dos vagabundos que se aventuram

nos campos ébrios da batalha sem fim,

imprimo os passos que lavram os planos

divergentes da memória coletiva.

Eu sou a sombra do vento e ardo

nas tuas coxas voláteis.

 

Cativa 10/4/2011

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música: the answer my friend is blowinng in the wind - bob dylan
publicado por vítor às 15:30
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Segunda-feira, 28 de Março de 2011

rumores antigos

o ardor que penetra os rumores antigos

inverte o sono das insuportáveis

feridas inscritas no périplo das novas recusas.

Não é uma semente sisuda a desabrochar da morte

que poderá silenciar o apelo das noites pretéritas,

da inerte sofreguidão das pálpebras sulcando

o chão coberto de lágrimas circunstanciais.

 

da responsabilidade que transpira o incómodo

de interpretar a sabedoria que jaz nos corpos

estranhos jorram palavras desistentes,

riscam a penumbra onde os amigos ocupam

o vazio que desoculta a página revelada

no antes impossível, no erro inesperado

que funde as partículas, no fetiche do fim

que dissolve a neblina pintada no cenário

cru da linguagem abjeta. é uma anunciação

reiniciada (toda a linguagem é abjeta) quando

a iniquidade do esquecimento aponta a dor

ao cerne da nostalgia. Cativa os que não entendem

o verdadeiro fingimento que a decadência arrasta,

o fingimento tenebroso que acarreta o medo

que implode nos subterrâneos do diálogo murmurado.

 

de volta ao lugar de onde saíram os vibrantes

desejos de renunciar ao todo e apascentar

gaivotas na ilusão da parede obstinada.

de volta ao fim que inunda o silêncio

e interrompe o ruído das cicatrizes envoltas

em pó petrificado nos esconsos sótãos do sonho.

 

a fuga é um ardor que deslumbra a impotência

dos convertidos à ilusão ruminante das portas.

 

MG 28/03/2011

sinto-me:
publicado por vítor às 15:33
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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

a escrita lava mais branco

 

 

Depois de ocupares o vazio com palavras, deveria a página dizer menos do que revelava antes.

sinto-me:
publicado por vítor às 16:29
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

última dissolvência

 

 

 

 

ela sorriu transportando a paisagem

que reforça o intervalo entre o fim e o

princípio num lago de nudez abreviada

sorriu e chamou a pertença consagrada

nos limites, parceria indisponível transcrita

no lugar, dúvida importada, preconceito inicial.

 

O escuro manso dissolveu a responsabilidade

em escaramuças militantes, entendimentos da viagem

desvalorizada, última dissolvência impaciente

perdendo o consenso na distância coreográfica.

 

o sorriso da mulher que percorre o olhar

ingrato da única vitória dos abstencionistas

curiosos, maioria significando a aposta

nas flores, diz-nos da crueza do obstáculo,

da dor na noite recuperada da berma do caminho,

legitimidade do pesadelo indocumentado,

metade da dor marginal, sorriso do poder

que se eleva nas faenas do sexo consumidor

dos corpos raivosos e sectários,

discurso ressentido e parcial.

 

A atenção do outro não reflete o estado

de embriaguez vazia que conduz

a relativização da evidência, transformação do novo

interpretando a inocente figura que emana

do sorriso absoluto.

 

gere a desorientação responsável pelo ruído

da alma vestida de palhaço incompleto,

reduz o exemplo da hierofânica verdade dissoluta

no lodo evidente, sonsura dominante nas cicatrizes

do calor, da insânia sedimentada nos ritos

do calendário social que alguém parodiou

no equilíbrio sem paixão dos convertidos, explicação

corrosiva no pó que se eleva nos atalhos

petrificados da memória.

 

ela sabe como podar as ideias

que se desprendem do oculto sabor a derrota,

mutilar o chão onde navegamos à vista

e contendemos com os ossos que se erguem do tempo.

 

ela é um implante na paralisia do medo,

na arte de inventar placebos, paixão

na imensidão do caos.

 

sorri e não colhe. As manadas assentam

os cascos na  viscosa película dos afectos.

 

MG 25/1/11

publicado por vítor às 10:41
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

atravessando a calmaria

 

 

 

às vezes aparecem na cidade

figuras recortadas na paisagem brusca

retirando da luz a sombra que cresce

na calçada pardacenta

 

um homem senta-se numa cadeira

azul e o vento fustiga-lhe o rosto

(quantas vezes já o dissera) imaterial

são três horas na tarde e o crepúsculo

assoma-se por detrás da noite

 

uma mulher, que o sopro da ventania

não incomoda, observa o que as horas

aspergem no desassossego dos sentimentos

criptados, na voragem das palavras cruéis

atravessando a calmaria que a envolve

aproxima-se da cadeira azul enquanto

o relógio da torre açoita o ar diverso

debruça-se, suavemente, sobre a cadeira

e beija o cabelo revolto do homem sentado

 

o relógio repete a linguagem do tempo

três vezes na cidade engolida pela sombra

as árvores despem-se para enfrentar o frio

 

 

o beijo atira o homem até aos confins de si mesmo,

até onde a solidão desaparece e o mar morno

contorna o emergir das palavras

 

a mulher reergue-se do beijo

e desloca-se imparável para o fim da rua

onde a espera a eternidade

 

a noite cobriu de trevas a cidade

e o homem renasce na esplanada

de cadeiras azuis, bebendo cerveja

com figuras que convergem no

esquecimento da dor

 

o caminho divergente acontece

quando as rédeas do afecto

não resistem ao que materializa a solidão

 

contra a tempestade ergues a dor.

 

MG 20/12/2010

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música: a dita
publicado por vítor às 19:35
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

filigrana da tecedeira

Anselm Kiefer

 

no primeiro despertar da sombra/ instalou-se um pesado silêncio/ nos socalcos da memória/ uma clara escritura invadindo/ os sedimentos frios do esquecimento.

todos os insetos da floresta/ sublinharam os nomes que fermentam/ no vazio do plural abstrato,/ a inveja necessária e vã apenas/ excetua os escaravelhos dormentes,/ companheiros dos aldeãos lilases,/ répteis no papel de ourives/ desenhando a filigrana da pele/ nas luzes copiadas e biformes./ é nesse momento que entram as máscaras/ retiradas da gaveta em flexões/ para assistir à partida das frases/ assassinas do covil dos ananases.

um homem comprou um jornal/ por um dólar e o capitão foi almoçar/ com o general. todos os nomes/ verdes e esquisitos almoçaram à parte/ na esteira que confundia a parcialidade/ do chão plural.

o capitão, órfão dos lilases incompletos,/ virou a folha do livro e o barril/ de pólvora iniciou a invenção que a mulher-aranha/ apresentou na noite confusa.

o general barrava o pão com chocolate/ todos os nomes e cada um deles/ desapareceram da frase registada/ na pele da tecedeira,/ tatuagem de bigode ornamentando a boca de vidro.

um moço e uma mulher saltaram o muro/ na ruela vazia para uma/

ilha fantástica na periferia do carnaval enquanto/ embrulham presentes em papel de fogo.

quando a personalidade do assassino/ foi desvendada todos, insetos, homens,/ mulheres e vegetais comungaram do/ ressentimento paradigmático...

não há perguntas difíceis, só convites/ exclusivos par dançar/ o silêncio da sombra.

sinto-me:
música: qq uma do Zappa
publicado por vítor às 22:48
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

chegámos tarde e a noite avançou

 

Chegámos tarde e a noite avançou, o estatuto da noite não morava ali.

Quantas vezes tinhas empenhado as jóias que reverberam da cerveja bebida na tasca

depois da cerimónia da morte?

O objectivo era unificar a arte, a cultura e a terapia que sublinha

o rumorejar da ausência inerte.

A desesperança encontrava, na associação com os projetos de renovação,

direitos inapeláveis onde os gritos executam

a panóplia inacabada das competências esquecidas.

O morno escriturar da mitológica raiz na plenitude imprime a tatuagem larvar

do caminho interrompido , nudez do rosto avançando,  que aquece

a ordem na arquitetura do sonho.

Quando chegámos, os rostos que sobressaem da espessa penumbra,

rejubilaram de alarvidade.

Dás-me  contas da incompletude nas pegadas impressas de vida,

daqueles  que perdem a utopia viável dos cataclismos confortáveis e nus.

Agarramo-nos à insuficiência dos presentes e arrancamos palavras soltas,

inimputáveis e corruptas. O sabor do ritual irrepetível é uma onda

de desejo  que cumpre os critérios obtusos da multidão.

Os documentos são irreversíveis e envolvem vontades instaladas, revoluções

impraticáveis que renegam os pensamentos estultos e ressabiados,

emergentes da máscara desoculta na balbúrdia reflexa.

Os dias arrastam-se na envolvência das emoções inadiáveis, receita

da casa que não esquece os jogos arquitetados na distância da semente,

os dias são o que não entendes nos outros, as vidas que se cruzam

em múltiplas imagens no espelho paradoxal.

A maresia eleva-se dos espíritos que vagueiam no labirinto

catártico da poesia primordial. O elenco da putridão oblíqua

manifesta-se quando a lâmina penetra a frieza do olhar. É um desenvolvimento

esperado sem a aprovação dos que não dormem enquanto sonham

o desfilar das figuras fragmentadas pela  luz.

Retiras a sensatez aos que desprezam o inútil esculpir da realidade

suspensa no pesadelo das sombras.

 

Chegámos e o jardim contemplou-nos sorrindo na placidez da tempestade.

 

(Tavira, 27/11/2010)

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publicado por vítor às 11:01
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

o sorriso da chuva

 

Dizes sempre alguma coisa antes de contemplarmos o sorriso

da chuva a lamber a vidraça. O cabelo envolve

as palavras frias das pessoas sem ritmo musical

continuando a viajar na lucidez das ausências nunca anunciadas.

 

Dizes o que não traz nome, chave postiça que viola a explicação

simples na revelação da leitura impune, quando

interiorizas o eterno guião da mudança.

 

A tua responsabilidade no crescer do esquecimento

assume-se como rejeição do tempo intransponível. Somos

aquilo que o olhar procura, aquilo que desaparece na mecânica

do desejo acomodado.

 

Rejeitas o que dizes antes de o dizer, exiges a rara leitura

da distância, o sopro do discurso que éramos na

ocasional confusão dos corpos enlutados.

 

Nenhuma agressividade se liberta do que dizes

na acomodação do desejo, na rigidez dos significados

das palavras murmuradas que nos explicam a legitimidade

da  insensível brusquidão da loucura.

 

Podemos dizer, sem exprimir a acomodação dos sentidos,

a irrecusável notícia do mensageiro apocalíptico que nos

surpreende  enquanto paradoxo reunido à mesa

dos  esqueletos brumosos da comunidade.

 

O sorriso da chuva é uma ameaça à necessidade

exasperante dos sinais exteriores de melancolia.

Dizes e não ouves.

 

(Monte Gordo – 23/11/10)

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publicado por vítor às 19:12
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

carne inimputável

À carne inimputável acrescento o pavor

que a poeira confunde nas respostas

assexuadas da dor.

Não respondo pela loucura  que se liberta

do desejo intruso  rastejando na pele inflamada e cruel

nas imagens que projeto no vento irascível

deriva que alberga e peia as máscaras reclusas.

O ruído ondula na praia, no mar que se recusa a controlar

a memória convulsa, reverberação  carnal que inverte o desejo

e esmaga o conforto do regresso aos ditames

primordiais,  inertes angustiados gemendo nos lábios cerrados

rompendo a humidade do sexo, garantindo a imputabilidade

do homem que acordou do sonho antigo

provocação da vida intermitente.

Partilho o projeto de segredo onde a nudez

da narrativa resgata a aura paralela do vazio

eterno da criação

frase de ontem ao encontro da noite, procura da pedra

emersa na pradaria apocalíptica

futuro próximo da visão armadilhada.

A carnificina a que me proponho assistir

arrastará as almas até ao êxodo final, descobertas,  restarão

pasto dos abutres do espírito ensanguentado.

 

(Monte Gordo () 2/11/2010)

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publicado por vítor às 19:34
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