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Segunda-feira, 25 de Março de 2013

num sotão do fim do mundo

 

O passado é uma terra estranha, lá as coisas funcionam doutra maneira...

sinto-me:
publicado por vítor às 23:55
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012

a leste de tavira

 

Agora, pelos caminhos pedregosos da Antropologia. O Algarve como nunca o viu, como um romance... Descarregamento gratuito. Capa ainda sujeita a retoques...

 

Dormiu 22 anos numa gaveta. Batida numa velha máquina de escrever. Resolvi-me, finalmente. a passá-la para o computador. Noites à lareira a reviver o passado. Duplo passado: o destas terras do fim do mundo e o meu. Cá está o resultado em mais uma edição Cativa.

sinto-me:
publicado por vítor às 15:28
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010

comunidades efémeras

 

Velho antropólogo atravessando o Atlântico para estudar comunidades efémeras numa ilha exótica.

 

Enquanto o tempo se escoa lentamente ...

 

 

Entranhando-se no espírito do "campo" ( até a barriguinha é fruto de preparação prévia para a observação participante...).

 

 

O trabalho de campo é, por vezes, duro e solitário. No entanto...

 

 

... sem uma boa equipa de trabalho, coesa e competente, todo o esforço seria em vão...

 

 

" Eu venho de muito longe, eu venho de muito longe. Sempre à beirinha do mar, sempre à beirinha do mar...". Versos de uma conhecida música para entreter comunidades efémeras.

sinto-me:
música: Bailinho da Madeira
publicado por vítor às 17:29
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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

mais uma corrida mais uma...

 

Dia 15 de Maio no Auditório do Campo Grande, Lisboa, pelas 19h

Apresentação: Rui Almeida

Leitura de poemas: Inês Ramos


Sábado lá subirei à capital para duas cerimónias rituais: almoço de antropólogos e lançamento do novo livro de poesia do meu amigo Fernando.
O almoço será uma bela oportunidade para ver velhos amigos e viajar um pouco a momentos  felizes de outrora.
O desabrochar do livro do Fernando, Área Afectada, será um acontecimento literário dos mais importantes do ano. 13 anos depois do lendário e admiravél (esgotadíssimo) Ensaio Entre Portas (em baixo) é com grande expectativa que espero para ter o novo livro nas mãos.
sinto-me:
música: roadhouse blues - the doors
publicado por vítor às 17:16
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Claude Levi-Srauss

 

Fui estudar Antropologia por causa de Claude Levi-Strauss. Ou melhor, por causa desse belo livro, Tristes Trópicos. Uma das obras maiores da literatura de todos os tempos. Um jovem que lê a descrição de um pôr-do Sol como a que escorre das palavras de Levi-Strauss, ainda no navio que o transporta ao Brasil, nunca mais será o mesmo. Se não tivesse lido Os Tristes Trópicos, teria continuado à procura dos meus caminhos, sobressaltado e espantado, mas... não seria a mesma coisa.

 

Num serão/tertúlia, já aqui descrito no Quinta, tive oportunidade de conhecer um poeta brasileiro de Londrina, o amigo Valdir -  saravá Curitiba - , e voltar a percorrer as terras dos tristes trópicos. Mais tristes agora do que aquando da viagem de Strauss. Agora, na terra vermelha, germinam, qual feijão mágico,  CBDs (Central Business District) da mata.

 

Ainda há pouco tempo Jean-Claude Carriére, para comemorar os cem anos do antropólogo-filósofo, propôs-se entrevistá-lo. Strauss recusou polidamente dizendo:"Não quero redizer o que disse melhor anteriormente". Lucidez absoluta num século de vida.

 

Obrigado Claude

 

 

sinto-me:
publicado por vítor às 19:01
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Domingo, 1 de Novembro de 2009

pescadinha de rabo na boca

 

1 - Um homem qualquer, num café qualquer, duma cidade qualquer, insurgia-se contra a falta de educação e a violência nas escolas. Portou mal, rua. Rua da aula. Continua a ser insolente, rua da escola. A  Escola é para aprender e não para aturar quem não se sabe comportar. Não sabe aproveitar o que lhe é dado, fora.

2 - Noutro dia qualquer, aquele homem, naquele café, naquela cidade,  insurgia-se contra a falta de segurança que varria o país. Roubos, tráfico de drogas e de carne humana. Assassinatos, violência doméstica, vandalismo suburbano.

3 - Este nosso homem, neste nosso café, nesta nossa cidade é cúmplice em 1 e conivente em 2.

4 - As escolas não  podem reproduzir mecanicamente o social. Premiar quem vem já premiado. Punir quem já chega estigmatizado. De nada serve agir de forma violenta (mesmo que escudado na lei e na regra) sobre quem só conhece a violência. A Escola tem de encarar a agressividade natural de certas crianças e jovens (a brutal reprodução social é mais feroz entre os indigentes e os marginais) como um desafio. Um trabalho intensivo e desgastante, mas um desafio, diria eu, aliciante. Como um engenheiro prefere um projecto de ponte sobre um largo e caudaloso rio, a uma ponte sobre uma ribeira insignificante. Como um actor se sente realizado com Shakespeare , e se cansa de teatrinhos com bêbedos, paneleiros e cornudos ( a trilogia que tanto faz rir os portugueses e que faz o sucesso televisivo de Malucos do Riso e Prédios do Vasco). Como ler um bom livro é mais aliciante (embora exija mais empenho e trabalho) do que seguir uma telenovela do "horário nobre". Gerir tempestades é muito mais  compensador que navegar em águas mansas.

5 - Excluir, o mais fácil, é desistir de alguém. É abandonar quem só tem a Escola como meio de se integrar. Quem só no seu seio pode aceder a "um mundo novo," um mundo de igualdade, liberdade e segurança. Parece mentira, face à transpiração  da "sábia "opinião pública, mas é aqui, na Escola, que grande parte dos jovens estão protegidos da violência e das arbitrariedades do seu dia a dia. Atirá-los borda fora, para além de abandoná-los cobardemente, é condená-los à pobreza e à violência sem fim.

6 - Sem possibilidades de se integrar, uns limparão retretes ( continuarão a ser pobres e ignorantes) outros entrarão nas vidas das noites eternas. Vingar-se-ão dos integrados assustando-os e maltratando-os por gozo e, sem dinheiro e sem poder, entrarão no mundo do crime para aceder a carros de luxo, plasmas, telemóveis, poder na ponta da baioneta, mulheres, roupas fashion , e outros luxos dos ricos e remediados. O seu fim será sombrio: nos escuros calabouços ou na precoce morada eterna.

7 - Quando um aluno diz, sorrindo maliciosamente, ao seu professor "da Terra à Lua são 380 000 Klms , não são sr . professor?" O professor devia responder-lhe:"Não sei nem me interessa saber!.
Quando um aluno diz, sorrindo com desprezo, pra qué queu quero saber co Marquês de Pombal fez a cama ós Távoras?" O professor deve responder que o senhor era "mais mau" cos homens em cuecas do Wrestling e assim instigar o aluno a investigar tão interessante personalidade.

 

PS: post repetido mas muito a propósito...

sinto-me:
publicado por vítor às 21:47
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Sexo Privado

O Adão regista tudo o que mexe na contra-cultura do sotavento e arredores. Lá esteve ele a filmar a apresentação do livro do meu sócio na 4 águas Fernando Esteves Pinto. Filmou, montou e divulgou.

No final da apresentação gerou-se uma conversa cruzada sobre o livro e o seu tema matricial: o sexo!  Como não podia deixar de ser, a Antropologia também quis acrescentar alguma coisita sobre o assunto. Como sabem, os antropólogos são especialistas nestas obscuras áreas do comportamento humano. O de serviço àquela hora é que parecia estar ressacado. Ou será impressão minha?

 

Filmagem e montagem de Adão Contreiras:

sinto-me:
publicado por vítor às 17:36
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Sábado, 22 de Novembro de 2008

Lisboa e a Paisagem Envolvente (Revisitada)

Portugal é um país pequeno. Pequeno em área física. Hoje, e cada vez mais, Portugal confina-se à cidade de Lisboa. O resto do país só aparece pelo sórdido: uma ponte que cai em Entre-os-Rios, uma criança que desaparece no Algarve, um apito dourado no Porto, uma casa de regabofe pedófilo em Elvas.

Lisboa é uma cidade pequena. Todos se conhecem. Na cidade existem duas castas bem distintas. As elites, vivendo nos mesmos espaços e movendo-se nas mesmas "instalações" e os, digamos, "deserdados da sorte", vivendo nos arrabaldes da "não inscrição" e entorpecidos pelas novelas e concursos de televisão. Cada vez mais separados no espaço e no ser. Os condomínios fechados, para as elites culturais e políticas e os bairros difíceis (na verdade também fechados) para  o lúmpen indiviso da multidão anónima.

 

Como ia dizendo, Lisboa é uma cidade pequena onde todos se conhecem. Todos os conhecidos como é óbvio porque os que não aparecem na tv não só não existem como ninguém os conhece. Sendo claro que hoje a existência não é, ela só, pressuposto de conhecimento. Ou seja, pode-se ser conhecido, e bem conhecido, sem nunca ter tido uma existência real. Basta pensar no Harry Potter ou no Sr(?) Klark Kent.

Como uma escola americana de Antropologia de meados do século XX, estudando pequenas comunidades rurais da Andaluzia, mostrou, onde os vizinhos todos pertencem a um “nós” coeso e próximo em interesses e objectivos, existe um patamar de realização para o “eu” que estes cientistas sociais entenderam apelidar de “limited good”. Se ultrapassas este tecto usaste certamente ferramentas ilícitas, do ponto de vista moral e real. Exemplifiquemos: se tens muito sucesso com mulheres, usaste filtros, pós, magias, chantagens misteriosas não correctos e inaceitáveis  contrariando o livre arbítrio das conquistadas; se tens sucesso com o dinheiro, é porque traficas drogas e outros produtos afins; se falas muito e bem, só nada podes dizer. Os bens ao dispor da comunidade são finitos e o seu acesso nivelado por baixo. Se o nivelamento fosse por cima corria-se o risco da sua escassez.

Ora em Lisboa o “limited good” é imposto de forma implacável. Os ódios são mortais entre  os portentosos contendores na escalada social. Utilizam-se as mais inimagináveis, criativas e mortíferas armas. Nos estreitos palcos da contenda os truques sujos são aplicados sem remorsos e de forma maquiavélica. Quando ouvimos, o que é frequente nos nossos dias, falar de cabalas, conjuras e ajustes de conta, não estamos a usar da metáfora como meio de expressão. Estamos a ouvir os relatos de uma luta intestina incessante e, muitas vezes, com um fim irreversível e dramático. A lama. A mais baixa das mais baixas castas. A lama moral de onde mais não se pode sair até ao fim dos tempos.

 

E, para não me alongar mais do que já estiquei neste modesto post, assim vai este lindo Portugal. Perdão esta “bem cheirosa” cidade de Lisboa.


(post repetido)

publicado por vítor às 14:49
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Sábado, 1 de Novembro de 2008

Etnocentrismo ingénuo e caridoso

Que me desculpe o Sr. que não sei quem seja.

 

Moçambique, ano de 2030. Um candidto à presidência da república filho de um europeu branco e de uma moçambicana negra vence as eleições

 

Europa, África e o mundo em geral entusiasmados com a eleição de um  branco, pela primeira vez na África sub-saariana...

publicado por vítor às 22:48
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

O comunismo como regulador do capitalismo

 

O mundo capitalista está em convulsões. O mundo inteiro. O capitalismo é o modelo económico/ideológico global do planeta e apenas os interstícios da tecelagem escapam à sua voraz heterofagia. Até depressões marginais se ressentem do estertor global: as migalhas do bodo deixam de se precipitar das toalhas bordadas quando os comensais sentem a fartura a esvair-se. A indigência alastra. as poeiras das implosões raramente assentam na base das estruturas. No main stream recorre-se às reservas e os ácidos estomacais não trabalham no vazio.

 

Quando o capitalismo se reergue da grande depressão dos anos 30, o planeta acordou dual. A oriente o comunismo, a ocidente o velho e recauchutado  capitalismo. A rápida entrada na 1º Guerra Global (1939/1945) baralha e volta a dar (e por isso essa crise não poderá funcionar como modelo para a saída da actual) e emerge-se do vazio ideológico da Guerra mais dual e maniqueísta que nunca. Anjos e demónios acantonam-se nos dois lados estanquicizados mudando conforme o ponto desde onde se os observa. A "cortina de ferro" dinamiza, fortalece e cristaliza dois paradigmas que se contendem e alastram pelos campos planetários da não ideologia. A luta é fria no centro mas escalda nas periferias.

 

O capitalismo prospera mas tem medo. Medo da força e medo da ideologia operária. É este último medo que regula os excessos do capitalismo liberal. A ganância, o dinheiro antes do homem e a auto-regulação.

Em meados do séc. XX já só, paradoxalmente, o capitalismo acredita no comunismo. Na sua força moral e filosófica. Os cidadãos do mundo socialista já rejeitaram a modelação do "homem novo". Sobrevivem adaptando-se às arbitrariedades dum paradigma de igualdade medíocre e totalitária. As nomenclaturas já só reproduzem... as nomenclaturas, num bailado escabroso e mortal (curiosamente numa lógica churchiliana de este mundo é uma merda, mas é o menos merda de todos).

Os capitalistas, ainda crentes no comunismo actuam com carapins de lã. Os "direitos dos trabalhadores" irrompem como nunca, em lado nenhum da História. Subsídios de férias, décimos terceiros meses, subsídios de desemprego, baixas por doença pagas, licenças de maternidade, direitos sindicais "avançados", reduções de horário laboral, etc, etc, etc; não são "conquistas dos trabalhadores" (ou não são só) e avanços civilizacionais. São cedências impostas pelo bluff que se instalou a Leste. Cedências ante o medo do modelo moral que poderia levar os "explorados" do ocidente a revoltar-se e a abraçar o paraíso da "sociedade sem classes".

 

Não é por acaso que o modelo económico capitalista solar (ainda só! há 30 anos) era o do Japão. A empresa era uma família, o trabalhador vestia a camisola da sua unidade produtiva e trabalhava nela até à velhice. Patrões, quadros superiores e trabalhadores em geral eram iguais e só se distinguiam pela complementaridade orgânica da produção. O capitalista de chapéu alto (o tio Sam) estava sem glamour. O próprio capitalismo estava sem sex-appeal e não era o capitalista japonês que o tinha (filmes como o 9 semanas e meia só foram possíveis muito depois).

 

Mas entretanto a "terceira vaga" de Tofller varreu o ocidente e alastrou, sem convite, a oriente. As tecnologias da informação e da comunicação (sic)  penetraram por entre as grades da "cortina de ferro" e mostraram aos aparvalhados "cidadãos de leste" um "maravilhoso mundo novo". Parte dele, objectivamente, transportando uma carga considerável de ilusão, engano, propaganda  e pseudo-realidade. Foi este mundo novo, e não o patético Reagan, que estilhaçou cortinas e muros e homogeneizou as partes.

 

Sem o regularizador a Leste o capitalismo iniciou uma cavalgada selvática pelas planícies- sôfregas-de-homens-velhos-à-espera, distribuindo magia e recolhendo dividendos sem fim  para gozo e baba de accionistas e gestores. A desenfreada cavalgada correu maravilhosamente até ao final do século das ideologias, ajudada pelo sustento imponente das novas tecnologias e pelo acordar de mundos distantes e há muito ensimesmados. Este beijo mortal do capitalismo constituiu o seu apogeu e a sua queda. Trouxe para a compita económica global outros contendores onde o capitalismo, aproveitando um húmus cultural favorável e irrepetível, floresceu como cogumelos em estrume de cavalo e provocou o acordar trovejante desse mundo paralelo, o Islão, esse "outro lado" tão distante e tão perto...

 

Estamos numa encruzilhada civilizacional complexa e de difícil desembaraço. Os próximos anos serão excitantes mas, terrivelmente, inseguros e perigosos.

Como irá reagir o ocidente à apropriação oriental do capitalismo? Como irá reagir às inúmeras expressões do renascimento do Islão? Será a guerra (quente) a funcionar como desbloqueador?

 

Quem irá regular quem?

música: Back in the URSS - the Beatles
publicado por vítor às 18:58
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