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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

A CURA DE SANTA RITA

Tinha, há alguns tempos atrás, prometido ir publicando a estórias escritas pelo meu pai, Fernando Gil Cardeira, e recolhidas no livro "Memórias Escritas". Comecei com a "História Breve do Cinema de Cacela" e, se não me engano, "Um Casaco de Peles que não Chegou a Sê-lo" Como não encontrei a diskete onde tinha reunido estas estórias, escrevi-as a partir do livro. No entanto, por falta de tempo e porque não queria estragar o livro a scaneá-lo, nunca mais tinha postado nada. Hoje encontrei a dita diskete e recomeço a postar as estórias que considero muito importantes para compreender um tempo que já lá vai mas que é essencial para interpretar  o hoje, das zonas do sotavento algarvio compreendidas entre Tavira e Vila Real de Santo António e a sua evolução nos últimos 50 anos.

O livro "Memórias Escritas" esgotou rapidamente após a sua publicação e, portanto, só pode ser lido, em exclusivo aqui no "quinta".

 

  

Santa Rita é uma pequena povoação situada na parte Oeste da freguesia de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António.

   Desde data imemorável que ali se realiza a cura de Santa Rita. No seu início devia ser feita por uma só mulher que a idealizou e pôs em prática, com o decorrer dos anos essa mulher deve ter transmitido o seu saber a uma ou mais das suas filhas, pois as curas eram sempre feitas por mulheres e sempre da mesma família, que transmitiam de geração em geração o segredo das suas praxes. Contudo só algumas descendentes femininas faziam curas.

   Em Santa Rita nunca houve mais de três curandeiras ao mesmo tempo, mesmo havendo mais do que três descendentes mulheres.

   As curandeiras guardavam religiosamente o segredo da sua arte, mas sabia-se que para preparar o remédio elas utilizavam sal moído e outras substâncias sólidas, também moídas, e um líquido feito com a infusão de erva de Santa Maria. Esta erva é expontânea e abundante nesta região.

   O preparado era exposto durante algumas noites ao luar de um determinado mês.

   Faziam-se duas curas por ano, a primeira era feita na primeira Lua cheia de Maio e a segunda na primeira Lua de Junho. Porque as fases da Lua não coincidem com o início ou o fim de mês, por vezes só era considerada pelas curandeiras, como a primeira Lua cheia de Maio a primeira Lua cheia de Junho e então só nessa altura se fazia a primeira cura, sendo a Segunda em Julho.

   Em cada cura eram aplicadas três doses do remédio, uma dose um dia antes de ser Lua cheia, outra no dia de Lua cheia e outra no dia seguinte.

   Para fazer a cura a curandeira esperava sentada pelos pacientes, estes também se sentavam e deitavam a cabeça com o lado direito para cima, numa almofada que aquela tinha sobre os joelhos. A curandeira então com uma espátula, aplicava-lhe dentro do ouvido uma porção do remédio em pó. Em seguida com uma almotolia especial, deitava também dentro do ouvido algumas gotas da infusão herbanácea, colocando em seguida um pequeno tampão de algodão no ouvido. Depois a operação era repetida no ouvido esquerdo. Os pacientes então amarravam um lenço ou um bocado de pano a tapar os ouvidos, para que o remédio fizesse melhor efeito.

   O pagamento era feito após as três aplicações e não havia um preço estipulado para o efeito. As curandeiras recebiam o que as pessoas queriam dar e estas já sabiam por tradição ou conversas o que era costume pagar, pelo que não havia conflitos.

   Durante os dias de cura afluíam a Santa Rita muitas pessoas para esse fim vindas dos diversos pontos do Algarve, que utilizavam na sua deslocação comboio, autocarros, automóveis, bicicletas, carroças e bestas. Os que moravam longe aguardavam no local até completar a cura e dormiam nas carroças que os transportavam, ao relento ou alugavam quartos para dormir aos residentes locais.

   Era tão grande a afluência de pacientes, que as curandeiras tinham de arranjar uma ou duas colaboradoras para ajudar e mesmo assim, chegavam a fazer curas até próximo da meia-noite.

   Muitas pessoas acreditavam que as curas lhes faziam bem a diversas doenças que tinham. Entre as doenças tidas como mais susceptíveis de cura com aquele tratamento destacava-se a escrofulose ( uma espécie de tuberculose infantil). Contudo as pessoas residentes em Santa Rita e num raio de uns cinco quilómetros raramente se curavam.

   Uma descendente da família das detentoras do segredo foi residir para Faro e também aí fazia a cura, mas não teve êxito porque o povo só tinha como genuína a cura de Santa Rita.

   Nos dias da cura vivia-se em Santa Rita num ambiente misto de feira e festa. Havia bailes de tarde e à noite e também se instalavam barracas de quinquilharias, utilidades domésticas, doces, etc. Também havia sempre três ou quatro botequins onde mulheres, com uma pequena mesa e quatro cadeiras, vendiam suspiros, biscoitos e copos de aguardente de figo a troco de pouco dinheiro. Tudo isto atraía ali muita gente, dos mais diversos lugares, que não ia às curas.

   Nos últimos anos só uma senhora, de avançada idade, pratica a cura, e a pouco mais de uma dúzia de clientes fiéis, que acredita que só aquele tratamento contribui para aliviar os seu males.

 

em, Memórias Escritas, de Fernando Gil Cardeira

 
 

(artigo enviado para o Jornal do Algarve a 16 de Janeiro de 1997)

 

sinto-me:
publicado por vítor às 16:47
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1 comentário:
De Miguel Godinho a 23 de Outubro de 2008 às 23:07
Olá Vitor. Só agora noto que também és "Gil Cardeira". Só te conhecia por Vitor Cardeira. Pelos vistos, li esse livro muito antes de te conhecer. É uma pérola no que toca ao nosso património local. Temos esse livro no local onde trabalho (Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela, localizado na Antiga Escola Primária de Santa Rita) e já me foi muitas vezes útil, uma vez que descreve de uma forma muito interessante as gentes, a história e as estórias locais, os modos de vida, o tecido social, as crenças, a vida de Cacela. Um grande bem-haja e uma abraço.

Miguel Godinho

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