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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

Memórias Escritas de Fernando Gil Cardeira

Como não será difícil de perceber este homem é o meu pai. Como também será fácil de perceber, este foi o homem que mais amei na minha vida (os meus filhos, que eu amo tanto quanto o amo a ele, são ainda crianças). Quando ele nos "deixou" eu passei a transportar a sua alma e passámos a ser um só no mesmo corpo. É bom estar sempre com ele e as parecenças físicas entre ambos ( a acentuar-se com a idade) fazem-me sentir que sou ele nunca deixando de ser eu.

 

Como a inspiração  tem andado arredia vou começar a partilhar convosco algumas das extraordinárias histórias que o meu pai deixou para todos e que estão recolhidas no livro "Memórias Escritas"  que relatam cruzamentos de vidas que se foram enredando, fundindo e chocando, por meados do século XX  nas velhas  terras de Cacela, Conceição, Cabanas, Tavira e outras.

 

Hoje deixo-vos uma pequena biografia com os defeitos que têm testemunhos intensamente apaixonados. Retirem o excesso de ...

 

 

Nasceu na povoação de Cabanas de Tavira em 1926, à beira da ria. Ainda criança mudou-se  para o barrocal da freguesia de Conceição de Tavira onde se fez homem. Terceiro filho de uma família de agricultores/rendeiros não segue a vida dura dos trabalhos do campo devido a uma poliomielite contraída nos primeiros anos de vida, que lhe afectará significativamente uma perna até ao fim da vida.

Concluída brilhantemente a instrução primária, e não tendo a família condições económicas para lhe proporcionar a continuação dos estudos, inicia-se, nos primórdios dos anos 40, como aprendiz de alfaiate em Tavira. Mais tarde estabelece-se por conta própria na Venda Nova, em Vila Nova de Cacela, mudando-se depois para Lisboa  para trabalhar no mesmo ofício.

Na grande cidade toma contacto com as lutas operárias contra o regime fascista e conhece a brutalidade da máquina repressiva do Estado Novo. Jovem idealista, imbuído do espírito de liberdade e justiça, abraça as causas da oposição ao regime e os valores do socialismo democrático.

Volta ao Algarve e instala-se como comerciante na povoação de Conceição de Tavira, na sua rua principal, a própria estrada nacional 125. Primeiro como vendedor de rádios e depois como comerciante de fazendas e miudezas associadas. Percorre ainda uma vez por semana, num carro de mula (por acaso puxado por um macho), algumas povoações vizinhas vendendo os seus artigos. Casa com Maria Rita da Conceição Baptista e tem dois filhos varões.

 Em Conceição, local privilegiado, encruzilhada de caminhos e vidas, observa, participa, interessa-se, e discute as mudanças na sua região, no país e no mundo. Continua a sua luta contra o regime fascista organizando a participação da oposição local nas eleições, ajudando gente perseguida a passar para Espanha, distribuindo livros clandestinos, intervindo em comícios, ajudando camaradas presos, etc , etc . Será por isso muitas vezes incomodado e intimidado pela polícia política PIDE/DGS. Não desiste porém da sua luta pela democracia.

É durante décadas correspondente do jornal Diário Popular onde escreve regularmente artigos sobre o Sotavento Algarvio. A par disto vai escrevendo e anotando por tudo o que sejam papéis apontamentos sobre a vida e a história das gentes locais.

A Revolução de  25 de Abril de 1974 enche-o de alegria e empenha-se entusiasmado na implementação do regime democrático. Nesses tempos conturbados é presidente da Junta de Freguesia de Conceição de Tavira e durante anos deputado na Assembleia Municipal de Tavira.

O bichinho da escrita e da investigação etno-histórica vai-se tornado cada vez mais forte em detrimento da actividade política e é nesta área que investe os últimos anos da sua vida. Participa em congressos, em palestras, em programas de rádio, escreve compulsivamente para jornais, participa em livros colectivos, etc , etc . Chega mesmo, depois de reformado, a montar um escritório aberto para a rua onde recebe os amigos e outras pessoas para conversar durante o dia. À noite dedica-se à escrita.

Morre no dia 29 de Janeiro de 1999 de complicações cardio-respiratórias com tanto ainda por fazer…

Postumamente é editado pela família o livro “Memórias Escritas” que retrata vidas simples e extraordinárias, que nos transportam a um mundo antigo que se esvai mas que nos falam  de esperança e lançam sementes no futuro complexo que nos espera. São uma pequena amostra do seu labor. Muito mais há para publicar. Como o poeta, assim se foi da morte libertando…

 

publicado por vítor às 16:42
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