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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Antropologia e o futuro

 

Jovem recém licenciado em Antropologia atira-se com ganas ao mercado de trabalho. Envia currículos , bate a portas, fala com amigos influentes, chega mesmo a abordar políticos  com provas dadas. Provas na arregimentarão de "colaboradores", claro está. Nada. Incompreensão, estranheza e mesmo desprezo. Desespera, quando, estaria a ver bem?, mesmo à sua frente uma miraculosa oferta de trabalho... Num circo espraiado pela clareira urbana: "Precisa-se empregado".

Não seria, certamente, o que almejava mas... circo, trabalho de campo, trabalho de campo, Antropologia. Ou não fosse a actividade circense um dos terrenos férteis da elaboração teórica dos estudos antropológicos. A ver vamos.

Contratado imediatamente, vê-se no interior da mastodôntica tenda ouvindo as características dos seu novo e primeiro trabalho. Ouve incrédulo. O seu trabalho consiste em se meter na pele de um leão e fazer-se passar por ele durante o espectáculo. Não... não será difícil e a segurança é um dos nossos lemas, o domador depois lhe dará as indicações mais específicas ao seu desempenho. Aceito, respondeu apalermado com o que dizia.

Depois da tal conversa técnica com o domador, lá se apresentou pela noite para a primeira representação. Quando ouve, pela instalação sonora, "e agora, vindo da mais impenetrável das florestas de África, o mais feroz dos ferozes animais do reino animal, o rei dos animais, o indomável leão das selvas por explorar", ainda lhe parece tudo um longínquo sonho difuso. Mas lá entra a caminho da jaula erguida no meio da arena. Debaixo dum aplauso sísmico, executa os números anteriormente combinados e executa rugidos medonhos ( ampliados por uma engenhosa aparelhagem sonora). Os aplausos redobram ribombantes. Confortam e facilitam os números desenvolvidos. Afinal, tudo parecia fácil e já se estava a ver, findo o forrobodó, a tomar notas no seu caderninho de bolso. Saltos por dentro de arcos em fogo, equilíbrios no topo de escadas e bancos de pernas altas, ascensões ao mastro espetado no meio da jaula e tudo caminha nos conformes dos conformes.

Eis senão quando se ouve pela já gabada aparelhagem " e agora um companheiro do nosso amigo das selvas, o feroz e inexcedível leão do deserto". E entra, jaula dentro um fabuloso leão, rugindo poderosamente, com uma juba portentosa e luzidia. Pelo sim pelo não, o primeiro leão trepou rapidamente pelo supra citado mastro central, e por lá ficou apreciando, como nenhum dos restantes espectadores, o desenrolar das acrobacias leoninas no terreno, passe o pleonasmo, térreo. Entraram ainda mais três magníficas feras mas o leão-empoleirado já não estava em estado de controlar o que se passava no rés-do-chão. Porém, com o passar do tempo foi acalmando. Afinal tudo não passara de um valente susto. O domador não iria repetir com nenhum dos felinos a subida ao erecto varão central. Afinal haviam-lhe dito que a segurança era a marca registada do circo. Crença de pouca dura. O descuidado domador incita o leão das areias a trepar até ao desgraçado, e já húmido, rei da selva. Cinicamente, dizia, para o cumprimentar. Quando sentiu o varejar do poste onde, de forma ridícula, se enrolava, começou a encomendar a alma ao criador. O rugido tremendo subia teatralmente, metro a metro. ao seu encontro e, quando já sentia o bafo na sua segunda pele, ouviu da tenebrosa boca do seu companheiro de artes "é pá, não há problema isto é tudo malta de Antropologia".

publicado por vítor às 23:23
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Peito a peito



As suecas são umas mulheres espantosas! Sempre na vanguarda. Agora exigem igualdade de tratamento com os homens no que respeita à exibição de partes do corpo. Se os homens podem frequentar piscinas públicas de tronco nu, então as mulheres também têm o direito de o fazer.

O meu apoio e a minha solidariedade é total! Gostaria ainda de sensibilizar as minhas compatriotas, e já agora, porque não, as mulheres de todo o mundo (ou há globalidade ou comem todas) para colocarem os olhos na luta das mulheres suecas e se juntarem a elas em tão relevante ( palavra muito utilizada por totós ) batalha.
publicado por vítor às 22:37
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Um idiota como os outros



A sua primeira vitória contra a estupidez foi quando descobriu que era um idiota. A constatação foi dolorosa mas, incompreensivelmente, reconfortante.
Mais tarde, muito mais tarde, conseguiu a estocada final contra  a idiotice em si instalada. Compreendeu, entranhou,, apalermado, que todos os homens eram estúpidos.
Uns mais estúpidos do que os outros, como é bem de ver.
publicado por vítor às 22:19
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Eu hoje adormeci assim...

Como dizem a maior parte dos portugueses (e provavelmente os outros "eses" por esse mundo fora) inquiridos por um canal televisivo qualquer: não tenho palavras! Melhor que isto só a minha primeira participação num torneio federado de veteranos escalão 45/55 anos. Como outsider coube-me em sortes um cabeça de série. O resultado, de um jogo brilhante, foi de 6-0, 6-0. Adivinhem quem levou a taça...
publicado por vítor às 00:06
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

A miopia de Pacheco

O artigo de Domingo no Público de Pacheco Pereira é fantástico. Muito bem escrito! A conclusão, como diriam os Gato Fedorento, fraquinha. Mudando o nome do pasquim e extrapolando para qualquer país da Europa Ocidental, o artigo encaixava como uma luva e poderíamos retirar a mesma conclusão: o barco  encalhou no lodo viscoso do pântano.

Aliás só em países como o do Chavez poderíamos encontrar uma múltipla dinâmica fluvial, onde os diversos "barcos" percorrem velozmente canais de águas ora límpidas ora pantanosas, ora saltitantes e espumosas ora estagnadas e onde a realidade acontece a uma velocidade vertiginosa. Tão estonteante que resvala para o abismo numinoso, que revela a inquietude de um manicómio glamoroso. Os jornalistas que o digam. Correm para ele como moscas para a carne putrefacta . Nunca correriam assim atrás de Cavaco ou do ilustre desconhecido presidente da... Eslovénia.

Foi contra este barco parado nas densas águas do pântano que o Maio de 68 saiu à rua. Uma sociedade em estado comatoso mas onde foram atingidos os mais altos níveis de bem estar alguma vez experimentados por uma sociedade humana. Quem nos dera nos dias de hoje...
publicado por vítor às 23:25
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Barcelona, um país adiado




Barcelona, a cidade modelo, a cosmopolita do sul, a luz do Mediterrâneo, está de pantanas: apagões eléctricos, quedas de edifícios devido a construções no metro, aluimentos de terras e outras confusões no comboio de alta velocidade (AVE), painéis do moderno aeroporto de El Prat ensandecidos, trânsito caótico, crise política e identitária (nacionalistas contra centralistas, republicanos contra monárquicos, separatismo crescente, queimas de símbolos reais, ausência de maiorias fortes no governo, coligações contra natura com os governos de Madrid) e até, vejam só, crise no grande embaixador da cidade e da Catalunha, o grande "Barcelona".

Parece , e é, um mega problema capaz de levar uma pequena nação à depressão mais profunda e irreversível.

Que caminhos trilha a nossa irmã Catalunha?

Por muito menos afunda-se  Portugal no divã há mais de uma década.
música: Barcelona
publicado por vítor às 23:53
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Tripalium



Não gosto lá muito de trabalhar, mas gosto ainda menos de fingir que trabalho.
publicado por vítor às 23:31
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Há noites assim

Quando o desalento se apoderava de 6 000 000 de portugueses, a crença se esvaziava e se esperava mais do mesmo já vivido nos últimos anos, eis que surge uma noite quase perfeita: a lagartagem varrida pelos ventos do Norte, os tripeiros em sofrido empate na moirama amadorense e O Glorioso na Luz a cegar a Boavista. Para a perfeição só faltou a derrota dos portistas. Mas o gozo de apanharem duas bolas nos últimos 5 minutos  compensou. A arrogância paga-se cara. Afinal o campeonato não está entregue...
publicado por vítor às 19:39
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

A velhice do homem novo



A propósito da intervenção do estado na nossa livre escolha e nas interferências na nossa saúde em prol de um homem novo, Vasco Pulido Valente no seu melhor,  hoje no Público,

(...) Imagino muitas vezes quem, de facto, quererá um mundo sufocante e asséptico, obcecado com a "saúde"? Gente, como é óbvio, com pouca imaginação. Por mais forte que seja o culto e a idolatria do corpo, a velhice chega. E, com ela, a irrelevância, a obsolescência, a solidão. Esta sociedade de velhos trata muito mal os velhos. A ideia (e a propaganda) de uma adaptação contínua é uma grande e cruel mentira. Os velhos são um embaraço. Um peso que se atura, que se arruma num canto, que se mete num "lar".
Setenta anos de esforço para durar acabam num limbo `a margem da verdadeira vida, quando não acabam no sofrimento e na miséria.
O Ocidente está a criar um inferno. Por bondade, claro."

Na mouche !
publicado por vítor às 22:26
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Gandas oportunidades

publicado por vítor às 23:43
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