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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010

claridade da sombra

 

Piso os paralelepípedos da rua molhada pela humidade vigente

Na esquina da anterior profusão de loucura, invento o entendimento

Possível com a escrita que se desembaraça dos outros cosmos

Sentindo a separação indomável, grito do resto da noite que caminha

Até ao fim da rua onde começa a plenitude do restolho húmido e mole

Do Inverno que se avizinha a jogar dados num gozo, numa futilidade

Que faz milagres nas ruas encantadas por físicos e outros mágicos revisitados

No ridículo de uma pedra saída do lugar na calçada luzidia, parando

A vontade dos que construíram a rua sem fim, publicando, simultaneamente, o decreto

Da interdição de parar.

Menos um entrave, diriam os hagiógrafos do local oculto  onde se repetem

As existências do real. Assuntos frívolos sem sentido intelectual, beleza que consiste

Na insolvência da poesia erótica. Coisa assim, ou sim sim, no foder incontrolado, apascenta

Os queridos caçadores de pseudodesenhos futuros, animação em plasticina, felicidade

Na ponta da piça, que serão os detentores do nosso voto: o futuro agora!

A propósito, amo pontos de exclamação, uma descoberta genial

Sem escolha, uma figura de cabeça para baixo na sombra das palavras. Pão e circo, orgia Romana, sombra, sombra ardente decifrando os quase famosos.

O futuro é agora! Vamos baixar as conquilhas experimentais da autocrítica. Baixá-las

Até a dor rasgar a genitalidade das criaturas emancebadas. Não há duas sem três, nem três sem outra vez.

Mais liberdade é um silêncio colectivo participando na instalação poética que divulga o halo

Anónimo de outras páginas. Do estertor da outra margem.

Caminho na rua molhada e resvalo na procissão dos que procuram a claridade da sombra.

 

Monte Gordo

11/10/2010

publicado por vítor às 17:17
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