nunca incomodar... quanto mais sei mais sei que menos sei
.mais sobre mim
.pesquisar neste blog
 
.Janeiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
25
26
27
28

29
30
31


.PRÉMIO CATIVA
07/2007 - Jorge Palma 08/2008 - Ricardo Araújo Pereira 09/2009 - José Bivar 10/2010 - Ana Drago 11/11/2011 - The Legendary Tiger Man
.tradutor
.links
.subscrever feeds
blogs SAPO
.posts recentes

. leituras encenadas

. não há tempo para voltar ...

. Bom Ano Novo e não se dei...

. um dia comum na circulaçã...

. a pele que há em mim

. não recomeces a noite fri...

. Prémio Cativa V

. eu e o meu demoniozinho

. executar o silêncio

. almas vadias

.4 águas/cativa editoras
5 euros (livro) + 2.5 (portes) = 7.5 euros vgcardeira@sapo.pt
.partículas
.horas amargas
.marcadores

. 25 de abril

. 4 águas

. actualidade

. adão contreiras

. adolescência

. aldeia

. alfarroba

. algarve

. ambiente

. américa

. amigo

. amigos

. amizade

. amor

. animais

. ano novo

. anselm kiefer

. antropologia

. arte

. bailados na penumbra

. beatles

. benfica

. blogue

. bob dylan

. cabanas

. cacela

. cacela velha

. capitalismo

. cativa

. cidade

. cinema

. conceição

. contos

. corpo

. crime

. cultura

. democracia

. deus

. diplomacia

. edições cativa

. educação

. eleições

. escritores

. estrada

. eternidade

. faro

. felicidade

. fernando esteves pinto

. fernando gil cardeira

. fernando pessoa

. filosofia

. fim

. foto

. fracturas intermédias

. futebol

. glorioso

. história

. homem

. humor

. jornais

. liberdade

. lisboa

. literatura

. livro

. livros

. loucura

. mãe

. memórias escritas

. mentira

. morte

. mulher

. música

. noite

. olhão

. partículas

. pensamento

. pintura

. poesia

. poeta

. política

. portugal

. praia

. relatividade

. restolho

. ria formosa

. rui dias simão

. sexo

. sociologia

. solidão

. substâncias

. tavira

. teatro

. televisão

. transeuntes

. transeuntes again

. turismo

. verão

. viagem

. vida

. vítor gil cardeira

. todas as tags

.vendo


My blog is worth $5,645.40.
How much is your blog worth?

.arquivos

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
leituras encenadas

 

Às vezes é preciso sair da ‘zona de conforto’ para poder reconstruir o caminho....
Armação do Artista dixit:

É NOSSO OBJECTIVO ENVOLVERMO-NOS CADA VEZ MAIS COM A COMUNIDADE. DESTA VEZ ABRIMOS AS PORTAS E JANELAS, PARA QUE OS PROTAGONISTAS SEJAM OS QUE EM COMUNIDADE HABITAM AS PESSOAS... BRINCANDO E REFLETINDO EM CONJUNTO, COMO TÃO BEM O TEATRO SABE FAZER...

 

LEITURA ENCENADA DO INSPECTOR GERAL DE NIKOLAI GÓGOL - dias 20 e 21 de janeiro, com lotação esgotada.

 


sinto-me:

publicado por vítor às 22:49
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
não há tempo para voltar atrás

 

LEITURA ENCENADA DO "INSPECTOR GERAL" DE NIKOLAI GOGOL

 

DIAS 20 E 21 DE JANEIRO,NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE TAVIRA-ÁLVARO DE CAMPOS,PELAS 21H.30M.ESPERAMOS POR SÍ!!!!!!!!!


sinto-me:

publicado por vítor às 17:56
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Bom Ano Novo e não se deixem cair
Aqui, nesta espelunca, sabe-se que amanhã é um dia como outro qualquer, que o ano que começa é só como outro ano qualquer, como muito bem sabe o meu cão Matrix. No entanto, como se sabe que vocês(os raros transeuntes que por cá passam)  gostam de comemorar a alegria e desejar que ela brote do tempo que vem, aqui estamos, também, a associar-nos ao espírito do rito e a desejar-vos um belíssimo Ano Novo. E que seja tão bom quanto o desejarem. Até amanhã...


sinto-me:
marcadores: , , ,

publicado por vítor às 19:32
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
um dia comum na circulação dos pássaros

 

Era um dia comum como se chovesse todos os dias,

Um dia que começara a feder a peixe frito, espada para ser sincero.

Na manhã, deste dia comum, o vento levantara-se espesso e os

Olhos lacrimejantes ousaram contrariar a melancolia dominante.

Quantos dias comuns restarão até ao fim dos meus dias? Ora!,

Se descontar da minha vida os dias extraordinários, poderei

Contabilizar os dias comuns, respondi, irresponsavelmente, à questão formulada.

Nada de mais errado, reconsiderei atirando o olhar até ao fim

Da sandes de fiambre sobre a mesa. A nossa vida nunca

Poderá ser a soma dos dias acorrentados aos nossos joanetes.

Por exemplo: o que ocorre quando o sonho irrompe a realidade?

Eh, pá!, pareces Sócrates! Tantas questões para quê?, pergunto

Eu sem desapertar os botões da braguilha resistente. A vida, é

A vida e um animal precisa apenas de sexo e morte, de um embriagar

A dor que nos rodeia o tempo, os dias que se arrastam na inclemência

Dos precipícios romanceados, ardendo na complexa sofreguidão

Das madrugadas sem fim. Há pessoas que reclamam ser peixes

Prateados brilhando na noite por semear, libertando

Bolhas de escárnio, sem consciência e soluçando pérolas

Fabricadas em folhas de repolho. Os vermes que se alimentam

Do sofrimento das vozes esburacadas alinham com outros

Comedores de deuses, cambaleando na estrada que acompanha

As margens do rio impossível. São sósias emergentes que corroem

Os sorrisos das crianças e as cáries dos velhos.

Como vês, os vermes vivem no seio dos dias excecionais

E controlam a circulação dos pássaros, enquanto

Vigiam a multidão alcoolizada pela emergência dos dias comuns.

A vida não é um corredor sem fundo conflituando com

Os vermes excecionais.

 

Vrsa, 13/12/11

 

 


sinto-me:

publicado por vítor às 19:20
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
a pele que há em mim

sinto-me:
marcadores: , , ,

publicado por vítor às 00:31
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Domingo, 20 de Novembro de 2011
não recomeces a noite fria

 

 

 

Quando dizes que a fragilidade

Do regresso é uma contingência adversa

Na interioridade da memória, uma caravana

De carcaças mutiladas pingando sangue

Na estrada que leva ao nada, talvez saibas

Ficcionar o entusiasmo da palavra Não.

- És a encarnação inerente ao que nunca

Rejeitará as raízes ocultas da impossibilidade,

Lembras, ajustando as palavras ao único

Perigo que resgata os sentimentos nómadas

Das irremediáveis finitudes convulsas da solidão.

Quando dizes Não, descobres a imperativa

Vontade dos cataclismos vitais, desocultas

A noite enquanto nas cidades adjacentes

Se revoltam escravos convertidos ao hierofânico

Rasgar da pele em cicatrizes de sonho e melancolia.

O profundo escarificar da superfície do medo

Reflete o ódio que a inclinação da maresia

Transforma em negação no interior do

Sentimento devassado.

Não!, a insolvência que grita nos hiatos da sombra

Não progride nos caminhos incompletos dos teus passos.

Erras na substância que se apodera dos extensos

Humores na planície escalavrada. Dizes que a maldição

Asperge os dias e transformas o olhar num

Súbito recriar da ilusão. Dizes Não ao Não quando

Penetras no frio das calmarias labirínticas de antanho.

Voltas atrás e o recomeço abraça os limites

Alucinogénicos que bordejam a insondável

Alegria da morte.

 

Monte Gordo,  15 de Novembro de 2011


sinto-me:

publicado por vítor às 18:37
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Prémio Cativa V

 

Paulo Furtado, o "homem banda" que durante muitos anos percorreu o país mostrando os seus trabalhos sem grande êxito, é o Prémio Cativa V.  Este multifacetado artista, apesar da fraca receção ao seu trabalho,  nunca desistiu e continuou a mostrar a sua flamejante criatividade por vilas e cidades de Portugal. Finalmente, com o trabalho "Femina", o seu último projeto,  que leva o seu génio criativo a públicos novos e mais alargados, nomeadamente internacionais, atinge o merecido sucesso.

A resposta internacional a Paulo Furtado fica bem explícita se referirmos que Femina foi editado em Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha e mesmo nos Estados Unidos. Jarvis Cocker, mítico líder dos extintos Pulp, pediu a The Legendary Tigerman que assegurasse as primeiras partes da sua última digressão Europeia.

Em Portugal, o álbum já vendeu mais de 16.000 unidades e manteve-se no top de vendas nacional durante 44 semanas, aproximando-se rapidamente do galardão de Platina (20.000 unidades).

The Legendary Tigerman é, originalmente, um bluesman que bebe inspiração do Delta do Mississipi reinventando-se a cada álbum que grava.

Exemplo do artista que não cede e não desiste, enquadra-se perfeitamente no perfil do Prémio Cativa e é o laureado este ano com todo o mérito.


sinto-me:

publicado por vítor às 21:01
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

eu e o meu demoniozinho

 

(A minha intervenção no encontro de escritores Algarve - Andaluzia em Tavira. A intervenção foi feita de improviso e só agora a consegui passar a escrito. É claro que se perdeu a graça do improviso...)

 

Quando me convidaram para participar como escritor neste encontro, lembrei-me logo dos tempos em que deixei de ser adolescente e me tratavam por senhor. Olhava para todo o lado à procura do tal senhor. Escritor, escritor, onde?

Os encontros de escritores são, como outros ajuntamentos de camionistas, antigos combatentes, motards ou filatelistas, momentos rituais fecundos no que diz respeito à exibição de egos e mergulhos na memória dos participantes. Pouco acrescentam à criação literária.

Nos domínios artísticos, as obras falam por si e são fins em si mesmo. Os criadores pouco têm a dizer sobre as suas criaturas. No caso da escrita, são os leitores que melhor habilitados estão para falar delas. Os criadores poderão sim, e aí pode residir o interesse maior destes encontros, falar dos processos de criação. Pior do que os escritores, a falar das suas obras, só os críticos ou, como agora está na moda, os recenseadores.

Esta estória de encontros literários faz-me sempre recordar o célebre encontro entre James Joyce e Marcel Proust: vivendo os dois em Paris e sendo já autores consagrados de idade avançada, foram convidados para um jantar pelos seus admiradores, que achavam incrível que estes dois monstros das letras nunca se tivessem encontrado. 18 de Maio de 1922, o restaurante Majestic, cheio de jovens aspirantes à glória (Picasso era um deles), esperava ansiosamente os dois homens. Chegaram atrasadíssimos, James Joyce perdido de bêbado dormitou com a cabeça entre os pratos e copos da mesa. Trocaram umas poucas palavras sobre achaques, mezinhas e medicamentos e… Proust mandou vir um táxi para se ir embora. Quando se preparava para abandonar o local, James Joyce entrou de rompante no táxi e acendeu um cigarro. Proust, asmático pareceu não ter gostado muito. Da boleia incontornável e do fumo. Do que se passou durante a viagem, talvez o mais interessante do encontro, ninguém saberá nunca avançar nada…

No meu caso, escriba automático utilizando uma velha “metodologia surrealista”, a tarefa ainda se torna mais complicada. Sou espectador da escrita que a minha mão lavra. Habita em  mim um demoniozinho que conduz as minhas palavras para onde quer e quando quer. Eu apenas funciono, e sem grande sucesso, como censor. Impus-lhe uma estrada por onde ele pode evoluir: para a frente, para trás, mais devagar ou mais depressa. Essa larga, se bem que sinuosa via, desembocou  em dois livros geminados, prosa/poesia, à volta de elementos soltos e errantes: Transeuntes e Partículas. Seguir-se-ão dois novos irmãos, também prosa e poesia, que (des)escrevem trajetos, linhas sinuosas e descontínuas: Cicatrizes e Danças(?).  A estrada  desaguará, numa fase final, em superfícies. Planas, instáveis e desconexas, onde emergirão os romances acompanhados, sempre, de poemas e contos. Estes últimos livros terão títulos como Substâncias, Planícies ou Nomes. Nesta fase, a larga estrada já deu lugar a um mundo imenso que se confundirá com a própria vida.

Como já repararam os meus livros de ficção sairão sempre em pares, um de prosa e outro de poesia, e terão sempre um título com uma só palavra no plural.

Como vos disse, o meu demoniozinho escreve ao sabor da sua loucura, da nossa loucura. Nas toalhas de restaurantes, em papéis soltos, em cadernos de todo o tipo, em maços de cigarro, e a qualquer momento. Chego mesmo a encostar o carro na berma, subitamente, para que sua excelência crie. Como é bem de ver, a obra dispersa-se por múltiplas pequenas superfícies e, por conseguinte, perde-se e desaparece com muita facilidade. O que não representou  nunca qualquer preocupação do artista possuído e, muito menos, do artista residente. Nunca houve, por parte dos dois, grande preocupação em registar na pedra o que se ia acumulando em gavetas, sacos plásticos ou interior de livros e cadernos ou desaparecendo nas mudanças de casa e território.

Entretanto, a vida do transportador sofreu duas grandes revoluções provocadas pelo que de mais significativo e hierofânico acontece na vida dos homens: nascimento e morte. Quando nasceu o meu primeiro filho deixei de escrever. O meu demónio pareceu exorcizado por esta irrupção de vida e, gentilmente, desapareceu. Fiquei tão feliz que nunca mais me lembrei da escrita. A felicidade redobrou com o nascimento do meu segundo filho. Estes tempos de amor incondicional e de entrega à família foram, sem dúvida, o alimento da felicidade. Mas o facto de não escrever também, certamente, contribuiu. O silêncio do “animal da cabeça”, para citar o poeta Rui Dias Simão, fez-me voltar aos tempos felizes da infância. A vida voltou a ser a realidade imposta pela realidade. Não pensar no passado nem no futuro. O presente todo sempre presente no tudo que se enfrenta. A eternidade dos dias.

No entanto, o estagnar do tempo não poderia continuar. A inquietude que me habita haveria de voltar. E voltou. O diabinho voltou e com uma força maior. Um regresso não desejado que, no entanto, funciona como escape para as tensões (sem razão de ser) que me destroem. Voltou mais sombrio e profundo, mais simbólico e menos sensorial. Eu, o hospedeiro, nada fazia para publicar a obra semi-heterónima. Até que a vida, que sempre se atravessa no caminho das ilusões, me fez mudar repentinamente de ideias: a morte do meu pai, que me arrastou até ao fundo do fundo dos abismos mais escuros e fundos. Pensei que nunca poderia sobreviver à sua “ausência”. Que o mundo passaria a ser um conjunto de sombras vagamente percecionadas, onde erraria sem destino até ao fim dos meus dias. Compreendi, então, a efemeridade da vida e a fragilidade das coisas. Esta constatação, dolorosa, levou-me, finalmente, a querer deixar para os que me acompanham e os que me acompanharão, a escrita que tenho vindo, há muito, a desenvolver. Tornei-me um Indiana Jones à procura da escrita perdida. Mergulhei no passado para reescrever o futuro. Parte do que escrevi perdeu-se para sempre na confusa e longa caminhada. Mas, mesmo assim, muitas coisas fui desocultando de sótãos, interiores de livros e cadernos, de gavetas que fui organizando em blocos cronológicos (raramente temáticos). Assim foram surgindo os meus livros.

Como nunca me inseri em meios artísticos e capelas literárias (sem criticas a estas “instituições, sou um eremita  congénito), vi-me sozinho a querer divulgar os meus livros num blogue que criei para o efeito, sem grande sucesso, diga-se de passagem. Desta forma não tinha qualquer forma de publicar de forma normal, numa editora tradicional, até que vi o Pacheco Pereira a falar na TV de um livro dum jornalista conhecido publicado na BuboK. Uma “editora” on-line sem custos O escritor torna-se tudo: escritor, paginador, revisor, designer e editor de si próprio. O livro só ficará acessível através da compra no sítio da Bubok. O escritor tem que comprar a sua obra para a ter em papel. Não há excessos, só se produz quando alguém compra. Como o camponês, o escritor domina toda a cadeia de produção: semeia, cuida e colhe. É claro que encontrar o livro na selva cibernética é como encontrar uma agulha num colossal palheiro. Que se lixe, assim também fujo ao circuito clássico do beija-mão e das peias patrocinais de capelas, editoras e livrarias. Como permito os descarregamentos livres, tenho constatado, com prazer indisfarçável, que há centenas de pessoas a ter acesso aos meus livros. E as pessoas que descarregam não é para oferecer a alguém, para ostentar debaixo do braço ou numa estante, é para ler. No money, but happy. Em qualquer parte do mundo ao alcance dum clique. De vez em quando compro uns tantos e vou oferecendo a amigos, em ocasiões especiais. Eles adoram a gentileza, quase sempre surpresos com o criador que desconheciam. Se o lêem ou não, não sei nem me interessa. Penso que este vai ser o futuro da edição de livros. Cada um é dono e senhor da sua obra, sem amos e sem inclinações de dorso. É claro que gostaria, um dia, ou muitos dias, de ver a minha fotografia na capa de um suplemento cultural de um jornal de referência. Porém nada farei, a não ser escrever, para isso.


sinto-me:

publicado por vítor às 11:40
link do post | comentar | ver comentários (4) | adicionar aos favoritos
|

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
executar o silêncio

Há sempre palavras que não expressam

Os dias finais, rompendo o tempo, errando

No lajedo das memórias, palavras

Imóveis na narrativa infinita do devir.

 

Abarcar as cicatrizes, escaldando

a carne, nomear as dúvidas

 e abandonar os afetos, nomear

os objetos que cumprem e preenchem

o vazio da multidão, reduz a rede seminal

a um labirinto oculto na consciência dos elementos.

 

Há palavras nunca ditas, criadas para

Executar o silêncio na nudez na pedra,

Espetro da linguagem nunca lavrada pelo fogo,

Consumindo as margens do sulco de Abel

Fecundado pelo sangue que o corpo liberta,

Inocentando Caim. Só palavras consumindo

A morte, absolvendo o assassino que emerge

Da natureza apologética, reescrevendo os

Pergaminhos do medo. Se a conversa aproximar

Os contadores de lendas, só restarão fragmentos

De palavras, ninguém recitará os tabus enquanto

Os procedimentos fatais da loucura se erguerem

No pano de fundo do teatro da vida.

 

Os assassinos vagueiam nos bastidores envolventes,

 Sussurram onomatopeias complexas, confirmando tudo

O que foi dito nas planícies intemporais. A ausência

Reflete-se na sinuosidade do texto esotérico,

Saudando a imortalidade do desejo. A eternidade

Não extingue as palavras que devoram a carne e

Recriam o espírito. O tempo não esconde a

Insolvência que perturba o futuro, o futuro

Mediador implacável entre sobreviventes

E assassinos, na contenda final.

 

MG  18/10/2011


sinto-me:

publicado por vítor às 23:28
link do post | comentar | adicionar aos favoritos
|

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
almas vadias
Se alguém encontrar por aqui a minha alma vadia, mande-ma de volta...

sinto-me:

publicado por vítor às 18:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos
|