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How much is your blog worth?

O que pensará disto aquele desgraçado agricultor algarvio a quem um bando de bárbaros eco-terroristas rebentou a pontapé 30 belas plantas transgénicas, aqui há alguns anitos?
E o próprio presidente da república, que se associou com tanta força à condenação destes adolescentes assassinos que tão friamente abateram umas dezenas de irradiantes maçarocas?
E as virgens dos comentários mediáticos que na altura se masturbaram, espumando das mucosas, nos jornais e tvs?

Ufa!!!!! Conseguimos!!!!!!
Já agora, e porque não um estágio preparatório em Moçambique?...
PS: Como vêem este blogue não descrimina pontos de exclamação. Nem outros sinais de pontuação, nem palavras, nem ... nada.
Entrou nA Tribo com a incomensurável responsabilidade de substituir o maior guarda-redes de todos os tempos dO Glorioso, Michel Preud`Homme (que, curiosamente, nunca foi campeão nesta sua passagem luminosa pelo nosso país).
Aos 22 anos tornou-se num dos mais queridos jogadores dos milhões de crentes dO Maior Clube do Mundo (embora os três homens aqui em casa tivessem na altura preferido Moreira, o melhor guarda-redes português da actualidade - nem sempre os melhores são os que triunfam).
Robert Enke nunca nos desiludiu, como jogador, como homem e como elemento dA Tribo. Por estes dias "escolheu" pôr termo à vida. Como dizia Tóni, um homem sábio, seu antigo treinador, "a vida é por vezes estúpida". É um desespero incomportável.
Saberemos honrar os nossos pela eternidade adentro.
PS: No que diz respeito ao QUINTA, também fica aqui uma palavra de homenagem à sua (à nossa) contribuição na luta pelos direitos dos animais.
Robert Enke, aqui com o meu amigo Mario Rolla, feliz num estágio recente do Hannover em Vila Real de Santo António. Foto gentilmente surripiada de: Mario Rolla Sports Photos.
No início dos anos 80 (século passado, portanto), movendo-se no eixo Avenida de Berna - FCSH - Venda Nova, Amadora, existia uma banda como esta. Éramos jovens e a vida toda estava por nossa conta. Os ensaios, no estúdio do Ramiro, na Amadora, eram buracos no tempo, numinosos, fabulosos e irrepetíveis. Infelizmente todo o material gravado se perdeu. Os meios eram outros e as vidas complicadas dos "músicos" não permitiram guardar testemunhos únicos e fascinantes do trabalho produzido. Só a memória e algumas arranhadelas coetâneas nas cordas das velhas violas tornam vivas as notas de antanho.
Não seria honesto da minha parte se não deixasse aqui a composição de tão efémera e flamejante banda:
- viola ritmo e solo, Miguel; viola baixo(mão pesada incluida), Pedro Arroio; viola ritmo, Rui e Domingos; teclas, Eurico; viola e voz, Vítor e bateria, Eduardo (Dadinho, o maior dos maiores).
Sete rapazes à procura de um sonho. De um sonho desfeito mas bom.
PS: É com a maior das alegrias que vejo o meu filhote mais novo a aprender a tocar e a tirar já uns sons bem jeitosos da minha viola de há 30 anos.

Fui estudar Antropologia por causa de Claude Levi-Strauss. Ou melhor, por causa desse belo livro, Tristes Trópicos. Uma das obras maiores da literatura de todos os tempos. Um jovem que lê a descrição de um pôr-do Sol como a que escorre das palavras de Levi-Strauss, ainda no navio que o transporta ao Brasil, nunca mais será o mesmo. Se não tivesse lido Os Tristes Trópicos, teria continuado à procura dos meus caminhos, sobressaltado e espantado, mas... não seria a mesma coisa.
Num serão/tertúlia, já aqui descrito no Quinta, tive oportunidade de conhecer um poeta brasileiro de Londrina, o amigo Valdir - saravá Curitiba - , e voltar a percorrer as terras dos tristes trópicos. Mais tristes agora do que aquando da viagem de Strauss. Agora, na terra vermelha, germinam, qual feijão mágico, CBDs (Central Business District) da mata.
Ainda há pouco tempo Jean-Claude Carriére, para comemorar os cem anos do antropólogo-filósofo, propôs-se entrevistá-lo. Strauss recusou polidamente dizendo:"Não quero redizer o que disse melhor anteriormente". Lucidez absoluta num século de vida.
Obrigado Claude
O Verão continua. Depois da tempestade de ontem com a derrota dO Inominável, que me fez estar acordado até ás 4 da manhã ( o que vale é que dei um avanço enorme no livro do Loução sobre Templários e esoterismos), hoje, um dia perfeito.
De manhã, café e leitura do jornal no Chá Com Água Salgada, na praia da Manta Rota. Mar à vista. Passeio pela praia e almoço comprado em Cacela - febras com batatas fritas e arroz - para alegria do filhote e descanso do pessoal maior.
De tarde, rega das árvores mais stressadas da secura, café em Cabanas, à beira da serena Ria Formosa, visita à mãe e, novamente, rega. Em Cabanas encontro feliz com um velho amigo da aldeia, que não via há muito. O meu filho comentou a estranheza, dele, é claro, em relação ao meu amigo e à família. Bem diferente de nós. Nós todos turista pé descalço, eles todos domingueiros. Expliquei-lhe que aquele amigo querido tinha perdido o pai quando tinha dez anos e que tinha deixado a escola para trabalhar para a família. Ele, a mãe e uma irmã bebé. O pai tinha 40 anos. Ainda me lembro, com se fosse agora, dele a pontapear as pedras da nossa rua com a raiva da perda do pai. Trabalhou nas obras até casar. Depois, como o sogro tinha um barco, na dura labuta da pesca, até hoje. Até casar, andou sempre comigo e com os amigos de sempre, que estudaram até tarde. Gostava muito de aprender e pedia-nos os livros que deixávamos de precisar à medida que íamos passando de ano. Sobretudo os de Geografia. Depois de casar, deixou a aldeia e foi morar para Vila Real. Passámo-nos a ver pouco. Os outros 4 amigos também seguiram os seus caminhos mas foram-se sempre encontrando, até porque 3 vivem perto. Quando o 4º desce de Lisboa, onde vive, os encontros são memoráveis. Paralelamente às profissões do dia a dia, ligaram-se ao ao teatro, à música, à escrita e às artes plásticas e o amigo pescador foi ficando nos recantos quase inacessíveis da memória. Nas tais noitadas de arromba, sempre nos lembramos dele e combinamos que para a próxima teremos que o contactar. Nunca aconteceu. Hoje trocámos de números de telemóvel e... para a próxima é que vai ser. Foi muito bom tê-lo encontrado. A seguir, visita à mãe e degustação dos tradicionais doces de figo e amêndoa do dia de todos-os-santos. Quando era menino detestava-os. Agora adoro-os. Estrelas de figo com amêndoas nas ponta e figos cheios são os meus favoritos. Regresso à Quinta e recomeço da rega. Enquanto as laranjeiras, noutro lado, bebiam a água da rega gota-a-gota, eu regava, de rojo, as tangerineiras e outras árvores de fruto. De rojo a água, não eu. Este sistema de rega tradicional consiste em levar a água por um rego (um pequeno rio) até às árvores sedentas e alagar uma caldeira à volta do pé. Depois passar para outra árvore e assim sucessivamente. Vi, no pátio das laranjeiras da Mesquita de Córdova, um sistema muito parecido a este, certamente uma técnica trazida pelos árabes para a Península. Este método de rega é extraordinário: rega com eficácia e permite ao trabalhador um trabalho lento, metódico e sempre em contacto com a água. O único problema é a lentidão da rega: regar uma laranjeira leva 5 minutos e sempre com a supervisão do trabalhador. 100 árvores são 500 minutos. Mais de 8 horas. Com a gota-a -gota regam-se 100, 200, 1000 em hora e meia e ainda por cima sem ser necessário trabalhador algum.Por isso as que rego de rojo são apenas cerca de 30. Para reflectir não há melhor. Uma auto-psiquiatria inqualificável. Depois, atira-me para o passado, longínquo e mais recente: longínquo quando toda a quinta era regada assim e eu, criança, brincava com barquinhos nos "rios" que o meu avô guiava até às muitas centenas de laranjeiras; num passado mais recente, quando os meus filhos brincavam nos meus "rios". Agora só o meu cão Matrix e a minha gata Beti por lá aparecem a fazer companhia. Enquanto esperava que cada caldeira enchesse e antes de, com uma enxada ensinada, fechar uma "porta" e abrir a próxima, ia comendo romãs que apanhava nas vizinhas romanzeiras.
Finalmente, um cigarrito enquanto o Sol se punha por detrás do Cerro de S.Miguel. Um dia perfeito. Pelo põr-do-Sol, parece-me que o Verão se vai amanhã embora. Oxalá, estou à espera da chuva há muito.
(enquanto escrevia este atabalhuado texto, passámos para o outro dia. O dia perfeito já não é o de hoje...)

1 - Um homem qualquer, num café qualquer, duma cidade qualquer, insurgia-se contra a falta de educação e a violência nas escolas. Portou mal, rua. Rua da aula. Continua a ser insolente, rua da escola. A Escola é para aprender e não para aturar quem não se sabe comportar. Não sabe aproveitar o que lhe é dado, fora.
2 - Noutro dia qualquer, aquele homem, naquele café, naquela cidade, insurgia-se contra a falta de segurança que varria o país. Roubos, tráfico de drogas e de carne humana. Assassinatos, violência doméstica, vandalismo suburbano.
3 - Este nosso homem, neste nosso café, nesta nossa cidade é cúmplice em 1 e conivente em 2.
4 - As escolas não podem reproduzir mecanicamente o social. Premiar quem vem já premiado. Punir quem já chega estigmatizado. De nada serve agir de forma violenta (mesmo que escudado na lei e na regra) sobre quem só conhece a violência. A Escola tem de encarar a agressividade natural de certas crianças e jovens (a brutal reprodução social é mais feroz entre os indigentes e os marginais) como um desafio. Um trabalho intensivo e desgastante, mas um desafio, diria eu, aliciante. Como um engenheiro prefere um projecto de ponte sobre um largo e caudaloso rio, a uma ponte sobre uma ribeira insignificante. Como um actor se sente realizado com Shakespeare , e se cansa de teatrinhos com bêbedos, paneleiros e cornudos ( a trilogia que tanto faz rir os portugueses e que faz o sucesso televisivo de Malucos do Riso e Prédios do Vasco). Como ler um bom livro é mais aliciante (embora exija mais empenho e trabalho) do que seguir uma telenovela do "horário nobre". Gerir tempestades é muito mais compensador que navegar em águas mansas.
5 - Excluir, o mais fácil, é desistir de alguém. É abandonar quem só tem a Escola como meio de se integrar. Quem só no seu seio pode aceder a "um mundo novo," um mundo de igualdade, liberdade e segurança. Parece mentira, face à transpiração da "sábia "opinião pública, mas é aqui, na Escola, que grande parte dos jovens estão protegidos da violência e das arbitrariedades do seu dia a dia. Atirá-los borda fora, para além de abandoná-los cobardemente, é condená-los à pobreza e à violência sem fim.
6 - Sem possibilidades de se integrar, uns limparão retretes ( continuarão a ser pobres e ignorantes) outros entrarão nas vidas das noites eternas. Vingar-se-ão dos integrados assustando-os e maltratando-os por gozo e, sem dinheiro e sem poder, entrarão no mundo do crime para aceder a carros de luxo, plasmas, telemóveis, poder na ponta da baioneta, mulheres, roupas fashion , e outros luxos dos ricos e remediados. O seu fim será sombrio: nos escuros calabouços ou na precoce morada eterna.
7 - Quando um aluno diz, sorrindo maliciosamente, ao seu professor "da Terra à Lua são 380 000 Klms , não são sr . professor?" O professor devia responder-lhe:"Não sei nem me interessa saber!.
Quando um aluno diz, sorrindo com desprezo, pra qué queu quero saber co Marquês de Pombal fez a cama ós Távoras?" O professor deve responder que o senhor era "mais mau" cos homens em cuecas do Wrestling e assim instigar o aluno a investigar tão interessante personalidade.
PS: post repetido mas muito a propósito...

S. Sebastião de Guido Reni
Apesar do clamor que tem varrido a nação, tenho-me mantido em silêncio.
Apesar do milagre da multiplicação dos golos, (ainda) não acredito em Jesus.
O ainda é apenas uma manifestação de fé. Acreditarei nO Grande, nO Glorioso até ao fim.